Casal suspeito de matar grávida em SP ‘ensaiou’ falso depoimento e guardava ossadas no quintal, diz polícia

Correio do Pantanal

22 ago 2018 às 09:13 hs
Casal suspeito de matar grávida em SP ‘ensaiou’ falso depoimento e guardava ossadas no quintal, diz polícia

Segundo a Polícia Civil, exames devem identificar se restos mortais são de animais ou humanos. Casal era ligado a rituais de magia negra e satanismo.


Por G1 Santos

 

História que seria contada em depoimento foi escrita em um caderno (Foto: G1 Santos)

História que seria contada em depoimento foi escrita em um caderno (Foto: G1 Santos)

Investigadores da Polícia Civil encontraram na residência do casal Sergio Ricardo Re da Mota, de 47 anos, e Simone Melo Koszegi, de 41, suspeitos de terem matado Atyla Arruda Barbosa, de 20, para receber R$ 260 mil de um seguro em nome dela, um esboço idêntico ao depoimento dado na Delegacia de Mongaguá, no litoral paulista. As autoridades acreditam que o discurso tenha sido ensaiado para que ambos não caíssem em contradição. O casal, que tinha relação com rituais de magia negra e satanismo, também guardava ossadas enterradas no quintal. Eles continuam presos preventivamente.

Atyla teria morrido após um afogamento acidental, em julho. O corpo da jovem foi achado em uma praia de Mongaguá. Investigadores da Polícia Civil, porém, desconfiaram da versão quando representantes de uma seguradora foram à delegacia se informar sobre a morte da jovem, que tinha um seguro de vida no valor de R$ 260 mil.

Atyla, de 20 anos, morreu afogada em praia de Mongaguá, SP (Foto: Arquivo Pessoal)
Atyla, de 20 anos, morreu afogada em praia de Mongaguá, SP (Foto: Arquivo Pessoal)

Inconsistências nos depoimentos de Sergio e Simone fizeram a polícia iniciar as investigações, que concluíram que Atyla, que estava grávida de três meses, foi morta para que eles recebessem a indenização. Ela morava com os dois em Itanhaém, cidade vizinha, onde tinha desembarcado em janeiro com a promessa de um emprego em uma transportadora dos dois na cidade.

O que se sabe:

  • Corpo da jovem foi encontrado em uma praia de Mongaguá no dia em 3 de julho. Suspeita era de afogamento acidental no mar;
  • Patrões da jovem se apresentaram como padrinhos da vítima na delegacia. Polícia Civil iniciou as investigações;
  • Mãe descobriu morte da filha 20 dias após o último contato. Ela viajou até Itanhaém;
  • Jovem estava grávida e tinha seguro de vida de R$ 260 mil; patrões, falsos padrinhos, foram presos tentando resgatar o dinheiro. Eles tinham envolvimento com uma seita satânica.

De acordo com a Polícia Civil, entre os documentos e objetos apreendidos na residência do casal, estava um caderno com um texto, feito à mão, descrevendo exatamente o depoimento dado na delegacia quando Atyla morreu. Para o delegado Ruy de Matos Pereira, responsável pelo caso, não há dúvidas de que o discurso foi ensaiado.

Morte de jovem em Mongaguá pode ter ligação com ritual satânico (Foto: Montagem/G1 Santos)
Morte de jovem em Mongaguá pode ter ligação com ritual satânico (Foto: Montagem/G1 Santos)

“O texto bate com o que está no boletim de ocorrência. Ou seja, tudo foi planejado antes de eles irem à delegacia”, explica. O caderno foi apreendido junto com outros documentos. Ele foi anexado ao inquérito, assim como fotos do túmulo de Atyla, que tinha os dizeres ‘eu te amo’. A polícia acredita que a mensagem foi colocada para despistar as investigações.

Ossadas

Durante depoimento, o casal também revelou a existência de ossadas enterradas no fundo da residência. A declaração chamou a atenção dos investigadores que, agora, escavam o ponto indicado pelos suspeitos e analisarão a natureza das ossadas que foram encontradas no local, se humanas ou de animais. Eles não revelaram se o material é fruto de algum ritual de magia negra ou satanismo. Ambos eram participantes assíduos desse tipo de atividade.

Casal acusado de matar jovem para receber seguro de R$ 260 mil segue preso (Foto: Arquivo Pessoal)
Casal acusado de matar jovem para receber seguro de R$ 260 mil segue preso (Foto: Arquivo Pessoal)

Investigação

Agora, os investigadores querem entender qual a ligação de Atyla com os rituais de magia negra e satanismo aos quais Sergio e Simone participavam. Durante as investigações, vários perfis do casal no Facebook foram achados, onde ambos ofereciam pactos de adoração a Lúcifer, em troca de “poder” e “status”. O casal também surge com roupas pretas, ao lado de velas, pentagramas e imagens, e até mesmo em cemitérios.

Na residência do casal, imagens e altares de ‘adoração’ a Lúcifer foram apreendidas. Segundo o delegado, Atyla passou a participar dessa seita, e há a suspeita de que ela foi morta após desistir de um ritual. “Há conversas em que ela dizia que queria desistir disso tudo, mas que se isso acontecesse, teria que pagar com a vida”, diz.

Simone e Sergio estão presos desde sexta-feira (17), após terem o pedido de prisão preventiva acatado pela Justiça. Em depoimento, ela alegou ser madrinha da menina, e que os pais a haviam abandonado. A versão foi desmentida por Selmair Arruda de Moraes, de 44 anos, mãe de Atyla, que acreditava que a filha vivia em cárcere privado.

G1 entrou em contato com a advogada Rosana Melo Koszegi, irmã de Simone. Questionada sobre a situação, ela afirmou, por telefone, que, “por enquanto, não tinha nada a declarar” sobre o caso.

Casal acusado de matar jovem para receber seguro de R$ 260 em Mongaguá, SP (Foto: Arquivo Pessoal)
Casal acusado de matar jovem para receber seguro de R$ 260 em Mongaguá, SP (Foto: Arquivo Pessoal)
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