Britânicos não conseguem provar origem do veneno

Correio do Pantanal

4 abr 2018 às 08:23 hs
Britânicos não conseguem provar origem do veneno

EPA/ANDY RAIN

Laboratório militar britânico confirma que o veneno é Novichok, mas não tem como determinar procedência. Governo de Theresa May insiste: não há outra explicação plausível

O diretor do laboratório que procedeu à análise do químico usado no envenenamento do antigo agente duplo Sergei Skripal revelou que não foi possível determinar a origem do agente nervoso, mas também explicou que essa não é uma competência do laboratório militar de Porton Down. Declarações que não desmentem as acusações do governo britânico sobre a responsabilidade de Moscovo no caso, mas que também não lhe fornecem as provas para uma condenação.

“É da nossa competência fornecer provas científicas de que agente neurotóxico se trata em específico. Identificámos que pertence a esta família [Novichok] e que é de uso militar, mas não nos cabe dizer onde foi fabricado”, afirmou Gary Aitkenhead à Sky News. “Não determinámos a sua origem precisa, mas entregámos a informação científica ao Governo, que depois recorreu a outras fontes”, disse ainda o diretor do laboratório. “A prova científica é apenas uma dessas fontes.”

Aitkenhead eliminou a hipótese de que aquele agente nervoso possa ter sido fabricado de forma caseira ou nalgum outro laboratório. Só pode ter sido produzido por um Estado, uma vez que exige “métodos extremamente sofisticados”. E negou que a origem possa ser Porton Down, como o embaixador russo em Londres, Alexander Yakovenko chegou a insinuar em conferência de imprensa.

No dia 4 de março, o ex-espião russo Sergei Skripal, e a filha Iulia foram encontrados inconscientes num banco de jardim perto de um centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra. Expostos a um gás neurotóxico, foram hospitalizados em estado grave. Se o pai se mantém no mesmo estado, mas estável, a filha já está consciente. O primeiro polícia a prestar assistência aos Skripal esteve hospitalizado durante duas semanas.

O governo liderado por Theresa May minimizou a importância das declarações de Gary Aitkenhead e voltou a atacar Moscovo. “Isto é apenas uma parte da imagem dos serviços de informações. Como a primeira-ministra começou por declarar no dia 12 de março na Câmara dos Comuns, é do nosso conhecimento que, na última década, a Rússia desenvolveu formas de utilizar agentes nervosos, provavelmente para assassínios – e como parte deste programa produziu e armazenou pequenas quantidades de Novichok”, disse um porta-voz de Downing Street. “É nossa avaliação que a Rússia foi responsável por este ato desavergonhado e imprudente e, como a comunidade internacional concorda, não há outra explicação plausível”, concluiu.

A Rússia não esperou para responder. E logo pelo presidente. Em conferência de imprensa em Ancara, ao lado de Recep Tayyip Erdogan, Vladimir Putin disse que há cerca de 20 países onde aquele tipo de agentes neurotóxicos foram produzidos.

Putin também se declarou surpreendido com o ritmo com que foi desencadeada a “campanha anti-russa”desde o momento em que o Reino Unido acusou Moscovo de ser responsável pelo ataque a Sergei Skripal.

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, disse aos jornalistas que a teoria britânica sobre quem envenenou Skripal “não será confirmada, de qualquer maneira”.

A Organização para a Proibição das Armas Químicas reúne-se hoje na sede da organização, em Haia, a pedido da Rússia.

Ontem, além das reações britânicas e russas, também surgiu uma da Alemanha. O conservador Armin Laschet, ministro-presidente do estado da Renânia do Norte-Vestfália, criticou Londres. “Quando se força a solidariedade de quase todos os países da NATO, não se deve ter algumas provas? Independentemente do que se pensa sobre a Rússia, os meus estudos de Direito Internacional ensinaram-me uma maneira diferente de lidar com outros países”, escreveu no Twitter.

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