Bolsonaro na capa da The Economist: “A última ameaça latino-americana”

Correio do Pantanal

27 set 2018 às 10:56 hs
Bolsonaro na capa da The Economist: “A última ameaça latino-americana”

Na capa da revista britânica, o candidato do PSL é comparado a Trump ou Duterte e chamado de “admirador de Pinochet”. “Seria um desastre como presidente do Brasil”

A revista liberal britânica “The Economist” escolheu Jair Bolsonaro para tema de capa desta semana, classificando-o como “a última ameaça latino-americana” e definindo uma eventual vitória do candidato do PSL nas eleições de 7 de outubro como “um desastre”.

No artigo, são recordados episódios controversos de Bolsonaro, como a defesa do torturador da ditadura militar Brilhante Ustra durante o voto pela deposição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ou a frase “só não te estupro porque você não merece” dirigida à deputada Maria do Rosário (PT) em sessão do plenário da Câmara dos Deputados.

Comparado a Trump e Duterte

Comparado a Donald Trump, nos Estados Unidos, ou Rodrigo Duterte, nas Filipinas, o líder das sondagens do Brasil é produto, diz a revista, da crise económica e da revolta da população com os casos de corrupção que levaram, por exemplo, à prisão do antigo presidente Lula da Silva (PT) ou a duas denúncias contra o atual chefe de estado, Michel Temer (MDB).

A revista fala ainda da “tentação Pinochet”, lembrando que o ditador chileno, de cujo regime Bolsonaro se diz simpatizante, também se fez rodear de “Chicago Boys”, numa alusão à escola liberal e de livre mercado norte-americana. “Eles ajudaram a pavimentar a relativa prosperidade do Chile hoje em dia mas com custos humanos e sociais terríveis”.

O principal conselheiro para a área económica do candidato é Paulo Guedes, considerado um dos economistas mais liberais do país, adepto da privatização total e da simplificação máxima de impostos.

“A crise no Brasil não se resolve nem fácil nem rapidamente”, continua a revista, “e Bolsonaro não é homem para a missão”.

Nas sondagens, o capitão na reserva segue, porém, destacado no primeiro lugar. O Instituto Datafolha divulgou ontem pesquisa na qual Bolsonaro soma 28% das preferências do eleitorado, mais dois do que na sondagem anterior, à frente de Fernando Haddad (PT), com 16%. Atrás vêm Ciro Gomes (PDT), com 13 pontos, Geraldo Alckmin (PSDB), com 9% e Marina Silva, com 7%. O número de votos em branco ou nulos, entretanto, vem descendo progressivamente: a 21 de Agosto era de 22%, agora de apenas 12%.

Embora Haddad, formalizado há uma semana como substituto de Lula (PT), tenha registado a maior subida, de 9 para 16% e se apresente como favorito a acompanhar Bolsonaro numa eventual segunda volta, Ciro, que se manteve nos 13%, lidera no item “segunda escolha do eleitorado”. Se por qualquer motivo não puderem ou sentirem não ser útil votar no candidato preferido, 15% dos eleitores optarão pel candidato do PDT.

Na sondagem, que ouviu 8601 eleitores de 323 municípios nos dias 18 e 19 de Setembro com margem de erro de dois pontos, os outros oito candidatos não somaram mais de 3%.

São Paulo

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