Assaltante do século confessa crime por julgar que tinha prescrito

Correio do Pantanal

15 fev 2018 às 07:09 hs
Assaltante do século confessa crime por julgar que tinha prescrito

Jacques Cassandri, de 74 anos, está a ser julgado num tribunal de Nice por um roubo realizado há quatro décadas

O cérebro do “roubo do século” em França confessou o crime por acreditar que este havia prescrito. Jacques Cassandri esteve envolvido no assalto a uma sucursal do banco francês Société Générale em Nice, em 1976.

Parecia o crime perfeito: em julho desse ano os ladrões conseguiram levar 46 milhões de francos (cerca de 30 milhões de euros) através de um túnel que tinham cavado na rede de esgoto. E até deixaram uma mensagem escrita na parede do banco, tendo como destinatária a polícia: “Sem armas, sem ódio, sem violência”.

De acordo com o jornal El País, que conta a história, o dinheiro nunca foi recuperado e o único membro julgado até ao momento – o suposto autor intelectual do assalto, Albert Spaggiari – conseguiu fugir em 1977 saltando pela janela do gabinete do juiz de instrução pouco depois de ter sido detido. Foi condenado à revelia a prisão perpétua e morreu uma década depois sem nunca ter entrado na cadeia.

A imprensa batizou o assalto de o “roubo do século”. Agora, quatro décadas depois, outro suposto membro do gangue, Jacques Cassandri, apareceu diante de um tribunal de Nice para responder pelo assalto.

O preso não é desconhecido das autoridades. Embora tenha comparecido perante o juiz como um simples “reformado”, Jacques Cassandri, de 74 anos, é um criminoso famoso no ambiente mafioso de Marselha.

Em 2010, foi publicado um livro que contava toda a verdade sobre o caso de Nice, no qual, sob o pseudónimo de “Amigo”, um homem afirmava ser o verdadeiro cérebro do famoso assalto de 1976. A obra continha tantos pormenores verídicos que a polícia desconfiou que o autor estaria envolvido no crime. Cassandri foi identificado como o autor, depois de uma cópia do manuscrito ter sido encontrada no disco rígido do seu computador pessoal.

A razão pela qual o criminoso quase perfeito arriscou a sua liberdade foi porque julgara que o crime já teria prescrito. Os filhos contaram à polícia que durante anos o pai se vangloriara da façanha. Cassandri simplesmente não conseguiu ficar calado.

Apesar de ter sido o “cérebro” do assalto, Cassandri esqueceu-se que, em França, os crimes de lavagem de dinheiro não prescrevem. E é por isso que quatro décadas depois, “o crime perfeito” deixou de o ser e o assaltante está a ser julgado, tendo admitido já o seu envolvimento no roubo.

De acordo com o jornal Nice Matin, Cassandri diz, no entanto, que só recebeu uma parte minúscula dos dois milhões de francos e que já gastou todo o dinheiro.

O juiz é que “não acreditou numa única palavra”. Afinal, desde 1976 que Cassandri não trabalha e detém um “património considerável constituído por inúmeros negócios e imóveis, explorado através de familiares diretos e indiretos”.

Se for considerado culpado, Jacques Cassandri enfrenta uma pena de até dez anos de prisão.

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