Apreensão de bens de traficantes bate recorde em 2017 e passa de R$ 665 milhões

Correio do Pantanal

5 fev 2018 às 06:50 hs
Apreensão de bens de traficantes bate recorde em 2017 e passa de R$ 665 milhões

Além de dinheiro, carros, mansões e fazendas estão entre os bens apreendidos no ano passado. Metade do valor saiu de traficante conhecido como Cabeça Branca.

Bens de traficantes incluem criações de gado, plantações e pista de pouso

Bens de traficantes incluem criações de gado, plantações e pista de pouso

No ano passado, a Polícia Federal bateu o recorde de apreensões de bens comprados com dinheiro do tráfico de drogas. Você vê agora o destino dessa riqueza toda.

Carros de luxo. Fazendas milionárias. Mansões com vista para o mar. E dinheiro, muito, muito dinheiro. Um lucro que vem daqui: do tráfico de drogas.

Esta semana em Rondonópolis, Mato Grosso, Tomy, um cachorro treinado, farejou e encontrou no baú do caminhão mais de meia tonelada de cocaína.

Só aqui foram vinte milhões de reais em drogas. Dinheiro que banca a vida de luxo do crime.

– Ultimamente, a Polícia Federal, ela vem não só buscando a droga propriamente dita, mas também os valores auferidos com a venda dessas drogas, né. Então, a gente encontra muitos veículos apreendidos, muitos imóveis.

No ano passado, a polícia rastreou e a Justiça apreendeu mais de 665 milhões de reais em bens e em dinheiro do tráfico, quase o triplo do que em 2016. Um recorde. As maiores apreensões foram no Paraná, em São Paulo e em Santa Catarina./

Metade dessa fortuna saiu do caixa deste homem. Luiz Carlos da Rocha frequentava a alta sociedade de Londrina, interior do Paraná. É um traficante conhecido como ‘Cabeça Branca’.

– Ele mantinha anonimato total.

Ele foi condenado a 49 anos de prisão, em 2014, e fugiu para o Paraguai. Mudou o cabelo famoso e fez cirurgias plásticas.

Os carros dele, hoje, são usados pela Polícia Federal.

Cabeça Branca foi preso em julho passado, em uma padaria da cidade de Sorriso, em Mato Grosso. Estado em que ele tinha grandes fazendas. Sem nunca ter botado a mão na terra.

– Se você for questionar as pessoas que são agropecuaristas, que têm fazendas, nenhum deles o conhece.

As propriedades eram usadas para ocultar o crime. Ficavam em nome de laranjas. Esta, na cidade de Tapurah, é produtiva: são dois mil hectares de soja.

As imagens, feitas pela Polícia Federal, mostram que essa outra fazenda na cidade de Marcelândia também produz soja mesmo com o traficante preso.

É que, mesmo bloqueadas, elas foram arrendadas para outros produtores. O dinheiro do aluguel vai para os laranjas. A lei permite isso.

– Agora, o traficante, ou o laranja desse traficante, não pode vender?

– Não. Esses bens uma vez sequestados nao poderão ser alienados.

Uma terceira fazenda, a Pôr do Sol, foi abandonada logo depois da prisão do traficante.

– A gente vê, ó, tudo abandonado pelo chão, lonas, aqui telhas que seriam repostas ali nas casas.

Cabeça Branca usava gente simples para movimentar o dinheiro.

– Ele pedia pra mim pra depositar dinheiro, em emprestei a conta pra ele…R$ 20 mil, R$ 30 mil.

O traficante tinha planos para expandir os negócios.

– A polícia diz que Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, tentou comprar essa fazenda meses antes de ser preso. A propriedade tinha um detalhe que atraiu o traficante. Algo que só dava para ver lá do alto. O nome: branca. Esse nome orientava os pilotos que vinham da Bolívia trazendo cocaína. Era só eles lançarem os pacotes. Outra equipe de traficantes recolhia tudo em minutos e levava a droga para um depósito da quadrilha.

A cocaína tinha destino certo: os países da África e Europa, saindo pelos portos brasileiros. E foi em uma operação no porto de Santos, que a PF fez a segunda maior apreensão do ano, em setembro.

Em São Paulo, a investigação chegou ao traficante Ronaldo Bernardo. No apartamento dele tinha dinheiro, documentos e o cachorrinho de estimação.

– Olha, tá destruindo provas.

A polícia diz que essa chácara luxuosa no interior de São Paulo, com muro alto, cerca elétrica e monitorada por câmeras foi comprada com dinheiro do tráfico.

Noventa imóveis e 200 veículos da quadrilha foram bloqueados pela Justiça. Entre eles, motos que tinham acabado de sair da loja.

Faz seis meses que esses carros estão parados, juntando poeira e estragando, no pátio da Polícia Federal. Alguns aqui são bem mais antigos. Por lei, eles poderiam ser vendidos mesmo antes do julgamento. É a chamada alienação antecipada.

– Se ela for condenada, aquele dinheiro ér incorporado ao patrimônio da União. Se ele for absolvido, ele vai receber aquele dinheiro de volta. O juiz vai decidir sobre isso.

Decidir demora meses. Algumas vezes, até anos.

– Um juiz que tem que cuidar de 10 mil, 15 mil processos e tem uma vara com poucos funcionários, não consegue o tempo suficiente para fazer uma gestão administrativa dos bens apreendidos e ao mesmo tempo fazer a gestão do processo.

O corregedor nacional de Justiça tem uma sugestão para resolver o problema.

– O ideal é que nós criemos no Brasil aquilo que a França já fez, uma empresa de administração de ativos confiscados ou apreendidos por decisão da Justiça.

Enquanto isso não acontece, os bens do tráfico continuam parados. No caso do traficante Cabeça Branca, a polícia acredita que tenha encontrado apenas um terço dos bens dele.

Pouco antes de ser preso, ele ainda fazia planos de aumentar a sua fortuna. Com mais uma fazenda milionária, dessa vez no Paraguai.

– Ofereceram 800 dólares por hectare na fazenda. Daria 28.800 (milhões) o total.

– Vamo estudar essa proposta, né? Vamo conseguir, se Deus quiser.

Cabeça branca foi preso dias depois.

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