À procura de Emanuela nos túmulos de duas princesas

Correio do Pantanal

11 jul 2019 às 07:25 hs
À procura de Emanuela nos túmulos de duas princesas

Emanuela Orlandi desapareceu em Roma há mais de 35 anos, quando tinha 15 de idade. Uma pista enigmática poderá ser a chave para o caso. Esta manhã estão a ser abertos os túmulos.

Emanuela Orlandi desapareceu a 22 de junho de 1983, quando tinha 15 anos, mas o irmão acredita que uma pista enigmática poderá ser a chave para se conseguir encontrar o corpo da rapariga, que não mais foi vista desde que que fez a viagem desde o seu apartamento na Cidade do Vaticano até ao centro de Roma, onde iria ter uma aula de música.

O seu desaparecimento foi envolto em mistério e em teorias de conspiração envolvendo desde mafiosos a terroristas internacionais, passando por altos responsáveis do Vaticano, onde o seu pai trabalhava.

O irmão de Emanuela, Pietro, atualmente com mais de 60 anos, nunca desistiu de procurar a irmã e espera agora encontrar o corpo dela num pequeno cemitério, na sequência da última de uma longa lista de denúncias anónimas: uma fotografia de uma escultura de um anjo e a indicação para “ver para onde o anjo está a apontar”. A pista levou a família a dois túmulos no interior do Cemitério Teutónico, num pátio adjacente à Basílica de São Pedro, que é reservada para enterros de católicos de língua alemã e, segundo o Corriere della Sera, pertencem ao de duas princesas, Sophie von Hohenlohe e Carlotta Federica de Mecklenburg.

Após uma campanha da família Orlandi, o Vaticano anunciou no início deste mês que iria exumar o conteúdo nos túmulos, operação que está a acontecer esta quinta-feira de manhã. “Até não encontrar o corpo da Emanuela, para mim é um dever procurá-la viva”, afirmou à CNN Pietro Orlandi, que considera que ficará a saber “pelo menos parte da verdade” se os restos mortais da irmã forem descobertos nos túmulos. “Depois gostaria de saber as razões. Mas mesmo que nada seja encontrado, a história não pode acabar”, acrescentou.

A operação, porém, é complexa, envolvendo forças de segurança do Vaticano, trabalhadores da construção civil e maquinaria, informou um porta-voz do Vaticano na semana passada. No caso de um osso ser encontrado, teria de ser alvo de uma laboriosa análise de ADN, o que pode levar semanas. A operação que começou às 08.15 locais (07.15, em Lisboa) com uma oração em frente aos túmulos.

“Vaticano nunca colaborou”

Ao longo de mais de três décadas, a investigação sobre o desaparecimento de Emanuela foi tratada pelas autoridades italianas, embora o Vaticano tenha anunciado que vai assumir as partes da investigação que dizem respeito ao seu território, como as exumações desta quinta-feira.

“O Vaticano nunca colaborou com os investigadores. Sempre negaram a possibilidade de que possa haver responsabilidades dentro do Vaticano e sempre disseram que deram tudo o que tinham e não esconderam nada”, afirmou Pietro Orlandi. A CNN entrou em contacto com o Vaticano para obter um comentário, mas não recebeu resposta.

Uma jornalista do Corriere della Sera que acompanhou o caso de perto durante décadas, Fiorenza Sanzanini, mostrou uma visão diferente da aparente mudança de opinião do Vaticano. “Temo que o Vaticano tenha decidido abrir os túmulos porque sabe que não há nada lá dentro. E isso acabará definitivamente com as reivindicações da família Orlandi. Satisfazer esse pedida da família – e de maneira tão pública, com um comunicado de imprensa – serve para desviar a suspeita de que o secretário de estado do Vaticano saiba mais sobre o caso”, disse, citada pela CNN.

Na altura do desaparecimento, uma testemunha relatou ter visto uma menina que encaixava na descrição de Emanuela Orlandi entrar num BMW verde-escuro perto da escola de música na noite em que ela desapareceu. Também por esses dias, os pais da rapariga receberam telefonemas anónimos a prometer a devolução dela à família em segurança caso o Vaticano libertasse o turco Mehmet Ali Agca, que disparou contra o papa João Paulo II numa tentativa de assassinato dois anos antes. Porém, as duas pistas não levaram a nada.

Mais recentemente, em 2012, as autoridades revistaram o túmulo do mafioso Enrico ‘Renatino’ De Pedis, que foi enterrado na basílica de Sant’Apollinare, depois de uma denúncia sugerir que tinha uma pista do desaparecimento dela. “O mais incrível é que o Vaticano nunca explicou porque o mafioso Renatino De Pedis foi enterrado dentro dessa importante igreja no centro de Roma”, atira Sanzanini.

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