Devastado pela pandemia, setor turístico vê salvação na vacinaEm alguns segmentos do turismo no Estado, o fluxo de turistas despencou até 63,5%

Correio do Pantanal

13 mar 2021 às 21:53 hs
Devastado pela pandemia, setor turístico vê salvação na vacinaEm alguns segmentos do turismo no Estado, o fluxo de turistas despencou até 63,5%

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O setor de turismo foi um dos mais afetados pela pandemia de coronavírus em 2020, dentro das atividades de prestação de serviços, sobretudo os segmentos de alojamento e transportes. Em Mato Grosso do Sul, os impactos foram medidos em pesquisa realizada pelo Observatório do Turismo (ObservaturMS), em comparativos entre os meses de dezembro e janeiro, nas temporadas de 2019/2020 e 2020/2021.

O setor conta com a aceleração da vacinação para ampliar a segurança aos visitantes e retomar as atividades.

O resultado foi o esperado: retração em todos os indicadores analisados, com queda de até 63,5% no setor de barcos-hotéis (pesca esportiva) na variação entre as duas temporadas. O fluxo de passageiros no aeroporto de Campo Grande no período teve queda de 34,70% (24.315 pessoas), reflexo também da redução do número de voos.

No setor rodoviário, a variação na Capital foi de menos 42,64%. Na Serra da Bodoquena (Jardim, Bodoquena e Bonito), principal destino de ecoturismo, o fluxo foi inferior a 21,4%. Nos meses de dezembro e janeiro da temporada de 2019/2020, a região recebeu 192.531 visitantes, enquanto no mesmo período de 2020/2021 o fluxo foi de 151.266 pessoas. Em Bonito, a taxa de ocupação hoteleira foi menor (15,6%), com queda também em Campo Grande (11,8%).

SÓ VACINA SALVA

Segundo a gerente do Observatório do Turismo de Mato Grosso do Sul (ObservaturMS), Danielle Cardoso de Moura, os dados apontam que a reação do setor tende a ser lenta e deverá ocorrer a partir do momento em que medidas de isolamento social mais intensas forem suspensas.

O retorno do consumo se dará de forma gradual e ainda sob medidas de distanciamento social, baseado no atendimento de protocolos de saúde. “Mas a volta efetiva às atividades dependerá da certeza de imunização da população”, ressalta a gerente.

Ela observa que, com o lançamento do plano de retomada do Turismo em MS e a reabertura dos atrativos em julho de 2020, constatou-se que no período de setembro a dezembro houve um fluxo gradual nos atrativos sul-mato-grossenses.

Isso se deve principalmente aos feriados prolongados, às férias e ao usufruto do turismo de proximidade, apontando, inclusive, para um aumento de 0,3% nas visitações nos atrativos de Bonito/Serra da Bodoquena (4º trimestre de 2020) em comparação com o mesmo período de 2019, alavancado pelo turista regional.

“Já os meses de dezembro de 2020 e janeiro de 2021 foram impactados diretamente pelos cancelamentos das festividades de Réveillon, redução de capacidade de oferta dos serviços acarretadas pelas medidas de biossegurança e pelo prolongamento das medidas restritivas necessárias para conter a disseminação do coronavírus”, aponta o ObservaturMS.

FATURAMENTO

O órgão conclui que a decretação da pandemia em meados de março de 2020 causou impactos sem precedentes no setor turístico, “visto que, para a contenção da propagação da doença, estabeleceram-se diversas restrições e medidas de distanciamento social”. Os setores mais afetados foram hotelaria, transporte, alimentação e serviços prestados às famílias – e isso se deve ao fato da correlação do turismo com o caráter presencial da prestação de serviços.

O índice de atividades turísticas no Brasil despencou 36,7% em 2020, em comparação com o mesmo período de 2019, conforme aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O segmento precisa avançar 42,9% para retornar ao patamar de fevereiro de 2020, mês que antecedeu os efeitos da pandemia, cuja recuperação depende da vacinação em massa da população brasileira.

Segundo dados mais recentes, apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor do turismo deixou de faturar R$ 261 bilhões no ano de 2020 e, em janeiro de 2021, somam-se a este montante outros R$ 13,35 bilhões, totalizando mais de R$ 274 bilhões de perdas em onze meses (março de 2020 e janeiro de 2021).

A estimativa da entidade cruza informações providas pelas pesquisas conjunturais e estruturais do IBGE, além de séries históricas referentes aos fluxos de passageiros e aeronaves nos dezesseis principais aeroportos do País.

De acordo com o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), no mês de janeiro de 2021, os resultados consolidados registraram decréscimos nos três indicadores da hotelaria: 38,4% na taxa de ocupação, 8,6% na diária média e 43,7% no RevPAR (receita por quarto disponível), em comparação com o mesmo período de 2020. A análise contou com a amostra de 567 hotéis de redes associadas, responsáveis pela oferta de 88.802 unidades habitacionais.COMENTÁRIO(S)

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