De volta à política, Puccinelli dispara: “Quem vai pagar meu prejuízo?”

Correio do Pantanal

29 mar 2021 às 23:44 hs
De volta à política, Puccinelli dispara: “Quem vai pagar meu prejuízo?”

29 MAR 2021Por Emilly Constanci21h:44Puccinelli estava afastado dos embates desde as eleições municipais do ano passado  – Foto: Álvaro Rezende / Correio do EstadoPublicidade

O retorno ao cenário político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de ter suas condenações pela Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal e de a mestre Corte Suprema ter declarado o ex-juiz Sergio Moro suspeito, uma figura política que teve um roteiro de acusações e prisão, também quer se recolocar no jogo em Mato Grosso do Sul: trata-se do ex-governador André Puccinelli (MDB).

O político tem se manifestado sobre a política nacional e sul-mato-grossense. 

Ao ser perguntado pelo Correio do Estado sobre o caso de Lula, se ele imaginava que poderia ter reflexos no seu processo sob a investigação da Lama Asfáltica, o político foi enfático e disse que ambos não têm correlação. 

E criticou o fato dele ainda não ter sido absolvido, já que, em 2018, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, anular a prisão contra ele, no âmbito da operação sul-mato-grossense.

“Muito antes dessa decisão do STF, há pouco mais de dois anos, eu tive minha liberdade declarada. Apesar dessa decisão, até hoje nenhuma audiência foi realizada para investigar o que quer que seja. E agora, quem vai resgatar meu prejuízo?”, questionou.

Puccinelli ficou quase cinco meses preso, entre julho e dezembro de 2018, acusado de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Retorno

Puccinelli estava afastado dos embates desde as eleições municipais do ano passado, tem voltado a se posicionar politicamente analisando, por exemplo, a volta de Lula ao jogo político nacional, que resgatou de forma mais enfática a polarização do lulopetismo e do bolsonarismo.

Além disso, o cacique emedebista tem apontado projetos anunciados nesta semana pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB) como iniciados durante sua gestão à frente do governo do Estado. Isso demonstra uma possível intenção do político se viabilizar como concorrente a um cargo eletivo no pleito do próximo ano.

Sobre o cenário político e a volta da polarização mais acirrada entre o lulopetismo e o bolsonarismo. O ex-governador afirmou que, bem como no País, no Estado ele imagina que esses extremos, que foram o grande pano de fundo das eleições em 2018, não terão muita influência, pois o eleitorado está em busca de uma terceira via. 

“Quanto a polarização, ela vai trazer à tona uma terceira via, pois o povo está saindo dos extremos. Podemos visualizar esse cenário já nas eleições municipais do ano passado”, analisou.

Pretensões políticas

O ex-governador, assim como o ex-presidente Lula, começou a se posicionar e colocar sua figura, novamente, como um dos protagonistas do cenário político estadual. 

Na última semana, ele passou a comentar projetos anunciados pelo governador Azambuja. 

Um deles foi a notícia sobre a criação de um grupo de trabalho que terá como foco os projetos envolvendo as ferrovias Ferroeste, Malha Oeste e Ferronorte, que cortam o estado do Mato Grosso do Sul.

Segundo Puccinelli, esse projeto teve início em sua gestão em 2007, e elogiou o atual mandatário do Estado, por ter dado prosseguimento ao projeto que, apesar da demora, pode ter um desfecho favorável ao setor produtivo do Estado. 

“Este foi um dos oitos projetos estratégicos apresentados no primeiro ano de 2007 de meu governo ao Planalto, para que pudéssemos ter várias parcerias. Nós, governadores, deixamos os estudos ultimados quando do término de nossos mandatos. Que bom que prosseguiram este projeto. Será excelente para os nossos estados”, projetou.

Lama Asfáltica

A operação foi deflagrada em 2015, mas as investigações começaram em 2013. Só na primeira fase, os agentes públicos descobriram um rombo de R$ 11 milhões nos cofres públicos, causados por fraudes em licitações.

Nesse caso, a absolvição envolve obras na Avenida Lúdio Martins Coelho, em Campo Grande, no trecho executado pelo governo do Estado em parceria com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

Segundo um relatório produzido pela Controladoria-Geral da União (CGU), os desvios causaram um prejuízo de R$ 4,8 milhões. A maior parcela coube ao governo federal, que ficou praticamente sem compensação financeira de R$ 4 milhões por permuta de terreno pertencente à Base Aérea.

Em Mato Grosso do Sul, Puccinelli ainda responde a processos criminais e de improbidade administrativa no Tribunal de Justiça. Oriundo de decisões que mudaram de foro: começaram na Justiça Federal, mas o Superior Tribunal de Justiça entendeu que eles seguiam na esfera estadual.

Ainda não houve julgamento desses processos. 

Flávio Veras – Correio do Estado MS

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