O homem deportado pelos EUA ao Haiti sem ter nascido ou ter estado no pais uma vez sequer
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Correio do Pantanal

5 fev 2021 às 21:19 hs
O homem deportado pelos EUA ao Haiti sem ter nascido ou ter estado no pais uma vez sequer
  • Lioman Lima – @liomanlima
  • BBC News Mundo

5 fevereiro 2021, 07:54 -03

Paul Pierrilus
Legenda da foto,Paul Pierrilus viveu nos Estados Unidos desde os 5 anos de idade e nunca saiu do país

Paul Pierrilus acordou na quarta-feira (3/2) pela primeira vez em um lugar onde nunca esteve, onde não fala a língua, onde não conhece ninguém – e para o qual foi deportado: o Haiti.

O homem de 40 anos, nascido em um território que pertence à França e que trabalhava como consultor financeiro em Nova York, foi enviado na terça-feira junto com centenas de outros haitianos para um país do qual não é cidadão, segundo seus advogados e parentes.

Pierrilus imigrou para os Estados Unidos com sua família quando tinha cinco anos e nunca mais deixou o país por um motivo incomum: ele é, em sua defesa, um apátrida.

“Ele é filho de pais haitianos, mas nasceu na ilha de Saint Martin, território ultramarino francês. Portanto, como nem a França nem o Haiti conferem automaticamente a cidadania nesses casos, então ao longo de sua vida ele não foi capaz de usar qualquer nacionalidade”, diz Nicole Phillips, a advogada de Pierrilus, à BBC Mundo.ADVERTISEMENThttps://8239ea9f536d52d8d027e9ef72249580.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Uma certidão de nascimento em nome de Paul Pierrilus, a que a BBC News Mundo teve acesso, confirma que ele nasceu na parte francesa da ilha de Saint Martin (que a França compartilha com a Holanda).Pule Talvez também te interesse e continue lendoTalvez também te interesse

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Diferentemente do Brasil, o Haiti não confere nacionalidade a quem nascer em seu território – é preciso que um dos pais seja haitiano.

Esse é o caso de Pierrilus. Porém, segundo sua advogada, os pais dele nunca o registraram no consulado haitiano, então ele tecnicamente não tem a cidadania do país.

Deportação

A longa noite que culminou em sua deportação foi a terceira e última tentativa de um processo tortuoso que já dura quase duas décadas.

O que aconteceu desta vez ainda é um mistério: na noite de segunda-feira, agentes da imigração apareceram na casa de Pierrilus e pediram que ele pegasse suas coisas, pois ele seria “removido”.

“Então ele nos ligou e tentamos perguntar para onde o estavam levando, mas eles se recusaram a oferecer essa informação”, diz à BBC News Mundo Guerline M. Jozef, diretora da Haitian Bridge Alliance, ONG que representa Pierrilus.

“A única maneira de sabermos que ele estava sendo deportado foi porque estávamos falando com ele por telefone. É assim que tratam as pessoas. Se não tivéssemos falado ao telefone, Paul teria desaparecido”, acrescenta.

Uma porta-voz do Serviço de Controle de Imigração e Alfândega dos EUA confirmou à BBC News Mundo que a agência “transferiu Paul Pierrilus, um cidadão haitiano, para seu país de origem”.

Advogados e família disputam a atribuição da cidadania e do país de origem das autoridades americanas.

“Temos sua certidão de nascimento e comunicações da embaixada haitiana que provam que Paul não é cidadão haitiano e que o Haiti nunca o reconheceu como tal”, diz Phillips.

Os últimos voos

Os últimos eventos que levaram à deportação de Pierrilus tiveram sua origem na corrida desenfreada do governo Donald Trump para deportar o maior número possível de imigrantes indocumentados antes de deixarem a Casa Branca, de acordo com advogados.

Grupos de defesa das pessoas que não possuem documentos de cidadania ou de permanência regular, os indocumentados, garantem que, em face da mudança de governo e uma possível mudança nas políticas de imigração, o ICE apressou os procedimentos e medidas para aumentar as deportações nos últimos dias de Trump.

De acordo com dados da ONG Witness at the Border, só em 2020 a agência realizou mais de 1 mil voos de deportação e mais de 100 deles ocorreram em dezembro (últimos dados disponíveis).

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