Este astrónomo acredita mesmo que fomos visitados por alienígenas em 2017
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Correio do Pantanal

6 fev 2021 às 23:04 hs
Este astrónomo acredita mesmo que fomos visitados por alienígenas em 2017

Avi Loeb defende num livro que tecnologia alienígena passou no sistema solar em há menos de quatro anos. “Um cientista que já foi respeitado”, comenta um colega.

Abraham "Avi" Loeb, físico teórico da Universidade de Harvard.
Abraham “Avi” Loeb, físico teórico da Universidade de Harvard.© Lotem Loeb / AFP

DN/AFP06 Fevereiro 2021 — 20:37

Descobrir que existe vida inteligente além do nosso planeta poderia ser o evento mais transformador da história da humanidade, mas e se os cientistas escolhessem coletivamente ignorar as provas que sugerem que isso já aconteceu?

É o que afirma um novo livro do astrónomo e físico teórico israelo-americano Avi Loeb: argumenta que a melhor e mais simples explicação para as características extremamente incomuns de um objeto interestelar que passou no nosso sistema solar em 2017 é que era tecnologia alienígena.

As credenciais de Loeb – diretor do departamento de Astronomia em Harvard, diretor do Instituto de Teoria da Computação do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, publicou centenas de artigos inovadores e colaborou com grandes nomes como o falecido Stephen Hawking – tornam difícil rejeitar a sua tese de imediato.

“Pensar que somos únicos, especiais e privilegiados é arrogante”, disse à AFP em videochamada. “A postura correta é ser modesto e dizer: ‘Não somos nada de especial, existem muitas outras culturas por aí e só temos que encontrá-las”.

Visitante misterioso

Loeb, de 58 anos, expõe o argumento das origens extraterrestres do objeto chamado Oumuamua (“explorador” em havaiano) em Extraterrestrial: The First Sign of Intelligent Life Beyond Earth (Extraterrestre: o primeiro sinal de vida inteligente além da Terra).
Em outubro de 2017, os astrónomos observaram um objeto se movia tão rápido que só poderia ter vindo de outra estrela, o que seria o primeiro intruso interestelar registado.

Não parecia ser uma rocha comum, porque depois de lançar ao redor do Sol, acelerou e desviou da trajetória esperada, impulsionada por uma força misteriosa.
O objeto viajante também tremia de maneira estranha, conforme inferido pela maneira como se tornou mais brilhante e escuro nos telescópios dos cientistas, e era excecionalmente luminoso, o que possivelmente sugere que era feito de metal brilhante.

“As ideias que surgiram para explicar as propriedades específicas de Oumuamua envolvem sempre algo que nunca vimos antes”, disse Loeb. “Se esta é a direção que levamos, porque não considerar uma origem artificial?”.

Navegar para a luz

“Oumuamua não foi fotografado de perto durante a sua breve estadia; só ficámos a saber da sua existência quando já estava a sair do nosso sistema solar”. Existem duas formas que se enquadram nas peculiaridades observadas: comprido e fino como um charuto, ou achatado e redondo como uma panqueca, quase tão fino como uma navalha.

Este astrónomo acredita mesmo que fomos visitados por alienígenas em 2017


Loeb diz que as simulações apontam para a última. Acredita que o objeto foi deliberadamente projetado como uma vela leve propulsionada por radiação estelar. Antes de se encontrar com o nosso Sol, Oumuamua estava “em repouso” em relação às estrelas próximas, o que é estatisticamente muito raro.

“Talvez Oumuamua fosse como uma boia que repousava na expansão do universo”, escreve Loeb. Como um arame deixado para pôr alguma forma de vida inteligente, à espera para ser ativado por um sistema estelar.

Unir a humanidade

As ideias de Loeb colocaram-no numa posição questionável com seus colegas astrónomos. Num artigo na Forbes, o astrofísico Ethan Siegel referiu-se a Loeb como “um cientista que já foi respeitado” que, ao não conseguir convencer os pares dos seus argumentos, passou a agradar o público.

Loeb, por sua vez, protesta contra uma “cultura da intimidação” na academia que pune aqueles que questionam a ortodoxia, assim como Galileu foi punido quando propôs que a Terra não era o centro do universo.

Em comparação com ramos especulativos, mas respeitados da física teórica, como a busca por matéria escura ou multiversos, a busca por vida extraterrestre é um caminho muito mais sensato a seguir, disse.

É por isso que Loeb está a promover um novo ramo da astronomia, a “arqueologia espacial”, para pesquisar sinais biológicos e tecnológicos de vida extraterrestre.

“Se encontrarmos provas de tecnologias que demoraram um milhão de anos para serem desenvolvidas, então poderemos obter um atalho para essas tecnologias, poderemos utilizá-las na Terra”, disse Loeb, que passou a sua infância numa quinta em Israel a ler sobre filosofia e a refletir sobre as grandes questões da vida.

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