Equatoriana que viaja há mais de 1 ano de bicicleta percorre 20 mil quilômetros e conhece 5 países

Correio do Pantanal

29 set 2019 às 00:03 hs
Equatoriana que viaja há mais de 1 ano de bicicleta percorre 20 mil quilômetros e conhece 5 países

Carolina Montalvo, saiu de Quito, no Equador e Mato Grosso do Sul será o último estado brasileiro que visita antes de seguir viagem para casa, onde pretende chegar até janeiro de 2020.

Por Flávio Dias, G1 MS — Campo Grande

Jovem que conheceu cinco países andando de bicicleta, em Huascarán, na Cordilheira Branca, Peru. — Foto:  Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Jovem que conheceu cinco países andando de bicicleta, em Huascarán, na Cordilheira Branca, Peru. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Conhecer o mundo sobre duas rodas era o sonho da equatoriana, Carolina Montalvo, de 27 anos, que há 1 ano e meio deixou o conforto de casa, em Quito, no Equador, para fazer as malas e com uma bicicleta, conhecer lugares, culturas diferentes e outras nações.

A jovem que chegou a Mato Grosso do Sul há duas semanas, saiu de Maracaju, no sul do estado, nesta sexta-feira (27) e segue para a cidade de Bonito. Ela calcula que na aventura já percorreu 20 mil quilômetros e conheceu cinco países da América do Sul: Chile, Peru, Argentina, Uruguai e agora o Brasil.

“Era um sonho que eu tinha desde a minha infância, quando conheci um colombiano que tinha viajado de bicicleta do Canadá até o país dele. Eu fiquei surpresa com aquilo e decidi colocar em prática esse sonho”, explica ao G1.

 Carolina Montalvo em Maracaju com família que a recebeu após sofrer uma fratura no tornozelo. — Foto:  Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Carolina Montalvo em Maracaju com família que a recebeu após sofrer uma fratura no tornozelo. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Carolina que já percorreu cerca de 336 quilômetros em território sul-mato-grossense, conta que Maracaju não estava na rota, mas por conta de uma pequena fratura no tornozelo durante o trajeto, entre o distrito de Vista Alegre até a cidade, precisou de apoio. “Estava com um pouco de dor e consegui pegar carona em um caminhão até um hospital. Aqui precisei ficar dois dias de repouso para dar continuidade a viagem”, relembra.

Mato Grosso do Sul que será o último estado em que a jovem passa antes de deixar o Brasil. Já com “dor no coração” diz que vai sentir saudade das amizades e do povo, que, segundo ela, é acolhedor e hospitaleiro: “Eu vim do Paraná e cheguei aqui por Mundo Novo. Eu gostei muito das pessoas daqui e esse lugar realmente é impressionante pela beleza. Uma família cuidou muito bem de mim quando deixei o hospital”, conta.

No estado, a jovem irá passar ainda pela cidade de Bonito e depois segue para Corumbá de onde chega a fronteira com a Bolívia e de lá segue até o destino final, o Equador. Durante as paradas, Carolina conta que a hospedagem em cidades pequenas sempre foram mais tranquilas, mas que em cidades grandes, busca por aplicativos de hospedagem para ficar em locais com mais segurança: “Nos lugares menores eu paro na polícia, hospitais, bombeiros ou pergunto para o dono de algum posto de gasolina, posso montar minha barraca aí no pátio? Sempre tenho a ajuda das pessoas”.

Sozinha,  jovem percorre de bicicleta quatro estados no Brasil. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Sozinha, jovem percorre de bicicleta quatro estados no Brasil. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Quando se trata de segurança, Carolina conta que é prudente e afirma que pelo menos por 1 ano, tinha uma amiga como companheira, mas durante o percurso, ela decidiu ficar no Chile. “Depois que nos separamos, fiquei com um pouco de medo e até pensei, como iria montar a barraca em um lugar estando sozinha? Aí sempre procuro ficar em locais que não posso ser observada por ninguém, quando se trata às margens de rodovia”, diz.

Carol com a amiga Mariana ciclista antes de cada uma seguir viagem, no Chile. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Carol com a amiga Mariana ciclista antes de cada uma seguir viagem, no Chile. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

A jovem conta que já foi muito assediada na estrada, principalmente no Peru, além de ter cuidado com o trânsito que é uma das maiores preocupações: “É um grande risco que corremos até mesmo porque é uma mulher viajando sozinha. Apesar de nunca ter sido assaltada, todo cuidado é pouco. Sempre procuro andar durante o dia, cerca de 60 quilômetros até chegar em um lugar que me sinto segura”, conta.

Para custear a viagem, Carolina explica que se prepara para a aventura desde o ano de 2017 e que com mais duas amigas, abriu uma página na internet para arrecadar fundos. Do montante que precisavam, elas conseguiram 50% do valor.

A ciclista relembra que houve alterações no projeto inicial. Uma das amigas que participaria da aventura desistiu e preferiu ficar em Quito, por conta de estar bem no emprego. Já a outra, ficou pelo meio do caminho, no Chile.

Mesmo sozinha, a jovem decidiu continuar o projeto. Os recursos que faltaram da arrecadação no site, ela procura compensar fazendo trabalhos temporários como intérprete, já que fala fluentemente o inglês.

A ciclista diz que economiza ainda fazendo a própria comida, em vez de comer em restaurantes ou lanchonetes.

Carolina no trajeto em que já pasou por cinco países andando de bicicleta, no Uruguai, próximo a Montevedéo. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

Carolina no trajeto em que já pasou por cinco países andando de bicicleta, no Uruguai, próximo a Montevedéo. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

De uma família aventureira, Carolina estudou Diplomacia e Relações Internacionais e afirma que gosta do assunto imigração. Ela diz que a viagem que além de ser voltada para adquirir conhecimento cultural, também vai acrescentar na sua vida profissional. Ela conseguiu concluir uma especialização na Universidade de Lanús (UNLa) em Buenos Aires, sobre imigração com enfoque nos Direitos Humanos.

Durante a viagem, a jovem também coloca em prática um projeto que tem como objetivos conhecer, civilizar, participar e conectar o tema do acesso e garantias dos direitos das mulheres e da diversidade sexual. “Eu acredito que nós mulheres podemos ser o que quisermos e não podemos nos limitar a fazer a nada. Imagino, que se lutarmos por nossos direitos, ganharemos mais espaço na sociedade. Toda vez que posso, reúno com algumas mulheres por onde passo”, afirma.

São três malas, totalizando em 35 quilos que Carolina leva suas coisas, inclusive a barraca. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

São três malas, totalizando em 35 quilos que Carolina leva suas coisas, inclusive a barraca. — Foto: Carolina Montalvo/Arquivo pessoal

A jovem brinca que com os quase 20 mil quilômetros pedalados nesta viagem, calculando que a distância é um pouco maior, em linha reta, do que a distância de Campo Grande a Xangai, na China, que fica 18.745 quilômetros. ” Quando fiz o cálculo do tanto que andei, até me assustei. Se saísse linha reta da capita de Mato Grosso do Sul até a China, sobrariam mais 1.255 quilômetros para dar uma volta no país mais populoso do mundo”, brinca aos risos.

Caroline percorreu cerca de 20 mil quilômetros, um trajeto em linha reta que daria de Campo Grande, a Xangai, na China. — Foto: Google Maps

A previsão para chegar em Quito é entre os meses de dezembro a janeiro, onde pretende colocar em prática os projetos referentes aos estudo do corpo docente e a uma segunda grande viagem de bicicleta será mais voltado para conhecimento. “A próxima será ir do meu país para o México, onde quero fazer uma pós graduação para acrescentar na minha vida profissional”, finaliza.

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