Acusada de abandonar filha de seis anos, diz que menina é adulta sociopata

Correio do Pantanal

25 set 2019 às 12:16 hs
Acusada de abandonar filha de seis anos, diz que menina é adulta sociopata

Acusada de abandonar filha de seis anos, diz que menina é adulta sociopata

Dois anos depois de terem adotado uma menina ucraniana de seis anos, abandonaram-na. Agora, a mãe adotiva tenta mostrar que a criança era afinal uma adulta sociopata. A versão é corroborada por uma carta de um médico, cuja autenticidade está por confirmar. Aconteceu no Estado do Indiana, nos EUA.

Quando a Polícia entrou em contacto com Natalia Grace, em setembro de 2014, fazia mais de um ano que a menina já não via ou ouvia falar dos pais adotivos, que lhe tinham alterado a idade em documentos oficiais, de 11 para 22 anos, antes de se mudarem para o Canadá e deixarem a filha para trás. Há cerca de duas semanas, os norte-americanos Michael e Kristine Barnett, entretanto divorciados, foram acusados de negligência.

Antes de as acusações criminais surgirem, os dois eram conhecidos por serem os pais de uma “criança prodígio”, Jake Barnett, um menino diagnosticado com autismo em bebé. Kristine é, aliás, autora de livros sobre a doença e ativista pela consciencialização do autismo e apoio educacional.

Além de Jake de outros dois filhos biológicos, o casal decidiu adotar, em 2010, Natalia, doente de displasia espondilometafisária,um distúrbio raro de crescimento ósseo que resulta em nanismo. Nascida na Ucrânia, alegadamente em 2003 (teria seis anos quando foi adotada), terá sido levada para os Estados Unidos em 2008, por um outro casal (não há detalhes sobre o caso, a imprensa fala só em “complicações” no processo).

Filha tentou matar pais, alega mãe

Embora o primeiro ano na nova casa tenha sido relativamente tranquilo, com o passar do tempo, a menina começou a manifestar sintomas de instabilidade mental, contou Kristine Barnett, que acredita ter adotado uma jovem de 19 anos, que sofre de algum tipo de psicopatia. Segundo a mãe adotiva, entrevistada pelo jornal britânico “Dailymail“, Natalia manifestou, por várias vezes, vontade de matar os pais adotivos. Recordou alguns episódios: quando a filha tentou empurrá-la para uma cerca elétrica, quando tentou envenená-la através do café e quando ameaçou esfaquear o então casal. “Queria enrolar-nos numa manta e enterrar-nos no pátio (…) Não podíamos ir dormir antes de ela adormecer, e escondíamos todos os objetos afiados”, contou.

Alarmados com o comportamento da filha, os pais tê-la-ão levado a uma clínica psiquiátrica, onde especialistas garantiram que a idade da paciente era “claramente imprecisa”. Documentos judiciais mostram inclusive que os Barnett tentaram repetidamente determinar a idade da menina, junto de médicos dentistas e outros clínicos. Em junho de 2010, um médico estimou que tinha oito anos e, em 2012, através da realização de vários raios-X, outro clínico determinou que teria provavelmente 11, um ano a mais do que se pensava anteriormente. No mesmo ano, o casal foi a um tribunal no Indiana e mudou legalmente a idade da filha para 22 anos, mudança que as autoridades ainda não souberam explicar.

Médico garante “transtorno de personalidade sociopata”

WISH-TV

Kristine, 45 anos, deu à WISH-TV uma cópia de uma carta, alegadamente assinada por um especialista e cuja autenticidade não foi confirmada nem desmentida, que garante que a data de nascimento da menina é “claramente imprecisa”, uma vez que esta tinha os dentes e as características sexuais secundárias de um adulto, nomeadamente ciclo menstrual regular. A missiva alega que a suposta jovem foi, em 2012, diagnosticada com transtorno de personalidade sociopata, num hospital psiquiátrico, que determinou ainda que a menina tinha pelo menos 14 anos. Nessa altura, começou a admitir ser maior de idade, pode ler-se. A carta acrescenta que determinar a idade real é difícil, porque os registos fornecidos pelas autoridades ucranianas são “bastante incompletos”.

“Natalia Grace fez carreira em perpetuar uma idade de fachada. Continuou a enganar quem tem as melhores intenções. Isso inclui antigos e atuais cuidadores, médicos e os pais adotivos. As grandes vítimas aqui são Michael e Kristine Barnett (…)”, lê-se na carta.

Caso lembra filme “A orfã”

O caso aqui relatado traz à memória o filme “A orfã”, de 2009, sobre uma adulta psicopata que se faz passar por menina de 9 anos, quando é adotada por um casal. A história é baseada num caso verídico: o da checa Barbora Skrlová, com 33 anos mas aparência adolescente, que acabou por ser internada por causa de tendências psicopatas. Mais tarde, conheceu duas irmãs que também sofriam de problemas mentais.

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