Curdos prometem ser um “pesadelo” após perder Afrine

Correio do Pantanal

19 mar 2018 às 07:01 hs
Curdos prometem ser um “pesadelo” após perder Afrine

A bandeira turca içada em Afrine, conquistada às forças curdas

  |  EPA/AREF TAMMAWI

Forças turcas e rebeldes sírios tomaram o centro da cidade após dois meses de ofensiva.

“As nossas forças vão tornar-se um pesadelo constante” para “o inimigo turco” e os seus “mercenários” do Exército Livre Sírio, prometeram ontem as autoridades curdas da região síria de Afrine, depois de terem perdido o controlo da cidade com o mesmo nome. Desde 20 de janeiro que estava em curso uma ofensiva liderada por Ancara na região, que considera a milícia curda do YPG (Unidades de Proteção do Povo) como uma ameaça e prometeu destruir o que descreve como um “corredor de terror” junto à fronteira.

“A nossa guerra contra a ocupação turca entrou numa nova etapa: passámos de uma guerra de confronto direto para uma tática de ataques-relâmpago”, segundo um comunicado da administração semiautónoma curda da região. A Turquia, por seu lado, já ameaçou alargar a ofensiva a outras áreas controladas pelos curdos, o que poderá pôr as forças turcas contra as norte-americanas. Washington armou e treinou o YPG, seu aliado na luta contra o Estado Islâmico.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou a tomada de Afrine. “A maioria dos terroristas fugiram com o rabo entre as pernas. As nossas forças especiais e membros do Exército Livre Sírio estão a limpar os restos e as armadilhas que deixaram para trás”, acrescentou, indicando que no centro da cidade os “trapos dos terroristas” foram substituídos pelos “símbolos de confiança e estabilidade”.

Nas varandas de um edifício público foram colocadas bandeiras turcas e os rebeldes sírios derrubaram a estátua de uma figura histórica da resistência curda. Uma declaração num grupo de WhatsApp, usado pelas Forças Democráticas Sírias (compostas maioritariamente por curdos) e citada pela Reuters, considerou esta a “primeira violação flagrante da cultura e da história do povo curdo desde a captura de Afrine”. Em Qamishli, outra cidade junto à fronteira de 820 quilómetros entre a Síria e a Turquia, centenas de manifestantes curdos saíram à rua para denunciar a situação.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, mais de 250 mil pessoas deixaram a cidade desde quarta-feira, escapando aos avanços das forças turcas à medida que os bombardeamentos se intensificavam. De acordo com a mesma fonte, pelo menos 280 civis e mais de 1500 combatentes curdos morreram na ofensiva, além de 400 rebeldes sírios aliados da Turquia. O exército turco disse ter perdido 46 soldados, havendo ainda 225 feridos.

Noutra frente, em Ghouta Oriental, continua um segundo êxodo massivo. O presidente sírio, Bashar al-Assad visitou ontem as tropas do regime na região, enquanto o principal grupo rebelde a atuar na zona estará em negociações com as Nações Unidas para um cessar-fogo.

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