Procurada pela Interpol, foragida da Lava Jato diz que não consegue voltar para o Brasil e se entregar

Correio do Pantanal

9 out 2019 às 22:39 hs
Procurada pela Interpol, foragida da Lava Jato diz que não consegue voltar para o Brasil e se entregar

Apontada como laranja do marido, Mônica da Costa Monteiro de Souza está na lista da Interpol; se tentar embarcar, será presa e pode passar por processo de extradição demorado. Procuradores temem que ela possa fugir se sair da lista.

Por Arthur Guimarães, TV Globo

Mônica da Costa Monteiro de Souza quer se entregar no Brasil — Foto: Reprodução

Mônica da Costa Monteiro de Souza quer se entregar no Brasil — Foto: Reprodução

A Lava Jato do Rio está diante de um impasse inusitado: uma foragida da operação em Portugal quer se entregar, mas alega que não consegue voltar ao Brasil por estar na lista de foragidos da Interpol. Se tentar embarcar em um aeroporto europeu, Mônica da Costa Monteiro de Souza será presa imediatamente e irá passar por um processo de extradição que pode demorar meses.

Mônica protocolou pedido nesta quarta (9) na Justiça para ser retirada da lista da Interpol. Se, como ela pede, o nome dela for retirado da relação, no entanto, investigadores temem que ela pode pegar um voo para qualquer lugar do mundo – e sumir de vez do radar do Ministério Público Federal (MPF).

Apontada como laranja do marido, o analista tributário Marcial Pereira de Souza, para o recebimento de propina em um esquema montado na Receita Federal, Mônica está foragida da Lava Jato desde que foi deflagrada a Operação Armadeira, no dia 2 de outubro. Marcial foi um dos 11 presos na ação.

Mônica está em Portugal, mesmo país sede de uma conta aberta, segundo os investigadores, para que seu marido recebesse 750 mil euros para beneficiar a empresa de um delator, em uma das operações monitoradas pelo Ministério Público Federal (MPF).

No fim da tarde de terça-feira (8), o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal, atendendo a pedido do MPF, determinou a inclusão do nome de Mônica na lista de procurados da Interpol. Com isso, caso ela se apresente no aeroporto de Lisboa, terá passar pelo processo de extradição.

Só que, agora, ela alega que quer se entregar, mas não consegue retornar ao Brasil com medo de ser presa em Lisboa, conforme apurou a TV Globo. Ela protocolou um pedido na Justiça para se entregar imediatamente nesta quarta-feira (9).

A suspeita de que ela teria fugido fez o juiz determinar a inclusão do nome na lista de procurados da Interpol.

Relógio milionário

Em seu Imposto de Renda, em 2017, Mônica declarou um relógio no valor de R$ 980 mil. De acordo com o relatório da Receita, a joia é herança de seu pai, já falecido. Ainda segundo a Receita, o pai nunca declarou possuir a joia.

De acordo com investigadores, o Marcial esconderia o aumento de patrimônio em bens em nome de parentes. Os investigadores afirmam que o relógio, um Jean Dunand Shabaka, é um dos dez mais caros do mundo.

“Causa espanto mesmo o pai sendo seu dependente nos anos calendário 2013 e 2014”, escreve um dos investigadores em relatório sobre o auditor Marcial.

Relógio semelhante a este foi declarado por Mônica Souza, mulher do auditor Marcial Pereira de Souza, preso pela PF — Foto: Reprodução

Relógio semelhante a este foi declarado por Mônica Souza, mulher do auditor Marcial Pereira de Souza, preso pela PF — Foto: Reprodução

G1 teve acesso ao documento que consta do processo contra auditores da Receita Federal suspeitos de extorquirem dinheiro de empresários investigados pela Lava Jato no RJ.

Mônica declarou ainda possuir um outro relógio no valor de R$ 300 mil. Outros quatro relógios foram vendidos, segundo ela, em 2017, por um total de R$ 900 mil.

De acordo com investigadores, Marcial pesquisou o imposto de renda de três dos quatro compradores em 2016, antes da “suposta venda”. Ele é investigado pela Lava Jato por suspeita de cobrar propina para um empresário. A ida ao encontro e a reunião foram monitoradas pela Polícia Federal.

O analista tributário, segundo os investigadores, pediu 750 mil euros de propina, pouco mais de R$ 3 milhões, de acordo com o câmbio desta quarta-feira (2). Como alternativa, Marcial teria sugerido ao empresário fazer o depósito no exterior.

O empresário alegou não ter condições de pagar o dinheiro e denunciou o caso em acordo de delação homologado pela Justiça.

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