Da espada à joia do Papa João Paulo II. O que se perdeu num dos maiores roubos da história
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Correio do Pantanal

26 nov 2019 às 14:36 hs
Da espada à joia do Papa João Paulo II. O que se perdeu num dos maiores roubos da história

O museu alemão conhecido por ter uma das coleções mais importantes de joias antigas da Europa foi alvo de um dos maiores roubos da história esta segunda-feira. As autoridades alemãs divulgaram imagens do assalto e de parte das peças roubadas.

A polícia alemã divulgou fotografias das peças roubadas no museu Grünes Gewölbe, na Alemanha
A polícia alemã divulgou fotografias das peças roubadas no museu Grünes Gewölbe, na Alemanha© DR

Catarina Reis

DN

Como o museu Grünes Gewölbe (“Cofre Verde”), na cidade alemã de Dresden, conhecido por ter uma das coleções mais importantes de joias antigas da Europa, há poucos. Mas parte deste império desapareceu esta segunda-feira, depois de ter sido alvo de um dos maiores roubos da história. Provavelmente o maior roubo de arte desde a Segunda Guerra Mundial, superando o de Gardner Museum, em Boston, nos EUA, há 30 anos, que resultou num prejuízo de 500 milhões de dólares (454 milhões de euros). Em Dresden, o valor da perda pode atingir os mil milhões de euros, segundo a imprensa alemã. As autoridades locais divulgaram agora imagens das peças perdidas e um vídeo do momento do assalto (captado pelas imagens de vídeovigilância).

O roubo foi perpetrado por pelo menos dois homens, que fugiram do local num Audi A6 e que continuam por identificar. De acordo com o comunicado da polícia alemã, um carro idêntico terá sido incendiado num estacionamento subterrâneo em Dresden. O veículo está agora a ser examinado. O que se sabe é que o sistema de alarme terá falhado devido a um incêndio que aconteceu perto do museu, momentos antes, e destruiu um transformador elétrico. Contudo, as autoridades não avançam que haja uma relação direta entre ambos os eventos.

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Diamantes e rubis, cada uma das peças roubadas conta a sua história. Entre os objetos roubados está uma espada, um colar de pérolas e uma coleção de joias do século XVIII. Quase todos foram criados durante o reinado de Frederico Augusto III – rei da Saxónia de 1904 até ao final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, filho do rei Jorge e de Maria Ana de Portugal. Na sua génese têm inscrito o nome de joalheiros da corte como Jean Jacques Pallard e Christian August Globig, assim como do filho deste último, August Gotthelf Globig.

O diamante do Rei da Saxónia

Segundo a CNN, esta peça é composta por 15 diamantes de maior dimensão e outros 100 pequenos, entre os quais um diamante de 16 quilates no centro. Terá sido criado na década de 1780 e usado em diversas galas por Frederico Augusto III.

Da espada à joia do Papa João Paulo II. O que se perdeu num dos maiores roubos da história
© Polícia alemã

Dragona de diamantes

Também esta joia foi pensada para o rei da Saxónia, Frederico Augusto III. Trata-se de uma dragona, um distintivo para usar no ombro (como aqueles utilizados em fardas militares), e dispõe de mais de 230 diamantes. A peça terá começado a ser criada em 1756, quando explodia a chamada Guerra dos Sete Anos, onde Portugal participou.

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© Polícia alemã

Espada e bainha

Tem 96 centímetros de comprimento e pesa 553 gramas. Duas das peças roubadas é uma espada, cuja pega está coberta de diamantes, e a sua respetiva bainha. Feitas as contas, ambas contêm 800 diamantes e integram um conjunto do qual fazem parte também fivelas, sapatos e uma dragona.

Espada e bainha
Espada e bainha© Polícia alemã

Símbolos da ordem da Águia Branca

Esta peça representa o mais alto símbolo de honra da Polónia entregue tanto por mérito civil como militar. Depois da restauração da democracia na Polónia, no final do século XX, foi até restaurada e entregue ao antigo presidente polaco Lech Walesa e a Papa João Paulo II. Como cavaleiro da Ordem, Frederico Augusto III decidiu encomendar esta peça, em representação do símbolo oficial.

Da espada à joia do Papa João Paulo II. O que se perdeu num dos maiores roubos da história
© Polícia alemã

Mas esta não é a única, entre o leque de peças roubadas, que representa esta ordem. Também esta peça, criada na década de 1740, é uma representação da Ordem da Água Branca da Polónia. Trata-se de uma obra do reconhecido joelheiro suíço Jean Jacques Pallard, segundo a CNN. No centro da figura, está um diamante de 20 quilates e, em rubis vermelhos, desenhada uma cruz de Malta (associada à Ordem dos Cavaleiros de Malta).

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© Polícia alemã

O alfinete da corte

Esta peça, um alfinete de peito – uma joia de popular uso no século XVIII – terá sido mandada fazer em homenagem ao nascimento da princesa Maria Augusta da Saxónia, em 1782, única filha do rei Frederico Augusto I da Saxónia e da princesa Amália de Zweibrücken-Birkenfeld. Este item tem mais de 660 diamantes e um peso de 614 quilates.

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© Polícia alemã

A palmeira da fé católica romana

Tem a forma das folhas de uma palmeira e está coberta com diamantes. Terá sido usado como acessório para exibir a fita que segura a Ordem do Tosão de Ouro, uma ordem de cavalaria fundada em 1429 por Filipe III, Duque da Borgonha, para marcar o seu matrimónio com a infanta Isabel de Portugal, filha do rei português D. João I. Acabaria por se oficializar como uma ordem de cavalaria em defesa da fé católica romana.

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© Polícia alemã

Colar de pérolas

A última peça identificada pelas autoridades alemãs é um colar de pérolas. Apesar de cada uma das pedras parecer igual – variando de tamanho – e feitas para se unirem, a verdade é que foram descobertas individualmente antes de 1734 e mais tarde unidas nesta única joia, entre 1927 e 1937. Ao todo, contabilizam-se 177 pérolas, entre 6,5 e os 12,9 milímetros.

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© Polícia alemã

Há ainda outras duas joias, cujas imagens foram também divulgadas pela polícia alemã.

A totalidade do conjunto de joias roubadas são “parte do património cultural mundial”, anunciou a diretora dos museus do estado da Saxónia, Marion Ackermann. Por isso mesmo, são de valor “inestimável”, embora o jornal Bilt adiante que a perda pode ser de mil milhões de euros. Mas Marion Ackermann insiste: “Não podemos reduzi-los a um valor, porque não estão à venda” e também não estavam cobertas pelo seguro, avança.

O museu “Cofre Verde”, construído no século XVI, é um dos mais antigos do mundo e foi criado por Augusto II, o Forte. Parte deste local ficou destruída durante a Segunda Guerra Mundial, no bombardeamento dos aliados de 13 de fevereiro de 1945. Foi posteriormente reconstruída.

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