Manaus. A situação dramática do Brasil que já chegou ao Papa Francisco

Correio do Pantanal

28 abr 2020 às 19:50 hs
Manaus. A situação dramática do Brasil que já chegou ao Papa Francisco

Sara Gerivaz

Manaus. A situação dramática do Brasil que já chegou ao Papa Francisco

Manaus já não tem espaço para enterrar os mortos. As valas comuns abertas há uma semana nos cemitérios não chegam. Os médicos, vindos de outros estados brasileiros, não são suficientes. A pandemia de Covid-19 está a deixar a capital do Amazonas perto do colapso. A situação descrita como um “filme de terror” já chegou ao Papa Francisco.

De uma semana para a outra, Manaus mais que triplicou o número de enterros. De 30 sepultados por dia, o valor médio diário ultrapassa agora os 100. O recorde foi atingido no domingo, e os dados sobre os óbitos deixam transparecer a situação crítica vivida na capital do Amazonas. De acordo com a Prefeitura de Manaus, apenas 10 das 142 mortes do dia 26 de abril estão relacionadas com a Covid-19. Em mais de metade dos casos, a causa da morte é “desconhecida” ou pouco detalhada.BRASIL REGISTA NOVO RECORDE DE MORTES, COM 474 ÓBITOS EM 24 HORASVER MAIS

cenário em Manaus é preocupante e o sistema de saúde está à beira do colapso. De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o estado regista 4337 casos de infeção e 351 mortes associadas à doença provocada pelo novo coronavírus. Mais de metade dos infetados (66,8%) estão em Manaus. A taxa de ocupação nas unidades de cuidados intensivos é superior a 90%.

Se situação já era débil antes da pandemia, a crise da Covid-19 só veio adensar o problema. “No Estado do Amazonas, nos últimos 10 anos, o número de leitos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) já era um número insuficiente para a rede. Isso é importante a população saber. Com a pandemia, nós superlotamos as unidades hospitalares“, afirmou Simone Papaiz, secretária de Saúde do estado.UM “FILME DE TERROR” NO BRASIL. PANDEMIA DEIXA MANAUS EM COLAPSOVÍDEO

Os hospitais estão sobrecarregados e há corpos acumulados dentro de carrinhas frigoríficas colocadas à porta dos hospitais. De acordo com Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus, o sistema de saúde já colapsou. “É uma cena de filme de terror. Não estamos mais em estado de emergência, mas em absoluta calamidade”, lamentou. “As pessoas estão a morrer em casa, algumas talvez porque não receberam atendimento médico”. Os médicos enviados para o maior estado do Brasil não chegam e há relatos de pacientes desesperados a implorar por atendimento médico.

A situação alarmante do Amazonas é uma das mais graves do Brasil e já chegou ao Papa Francisco. De acordo com o “Vatican News”, o chefe da Igreja Católica telefonou a Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, e mostrou-se preocupado com a evolução da pandemia na região. O Sumo Pontífice perguntou pelos “povos indígenas, os ribeirinhos e os pobres” e enviou uma “bênção especial para a Amazónia”.

Corpos são enterrados cinco de cada vez em “trincheiras”

Os cemitérios não têm mãos a medir e os governantes avançam e recuam com medidas para fazer frente à pandemia. Na segunda-feira, a prefeitura anunciou que devido ao elevado número de enterros no município, os caixões iam começar a ser empilhados, uns em cima dos outros, em “camadas triplas” e em “valas mais fundas”. A medida acendeu a chama da revolta na população, que considerou a decisão “desumana”. Pedem uma despedida “digna” dos seus familiares. Face ao desagrado manifestado pelo povo, a prefeitura recuou com a decisão e vai manter o modelo das chamadas “trincheiras”, de modo a “preservar a identidade dos corpos e o vínculo das famílias”.Manaus. A situação dramática do Brasil que já chegou ao Papa Francisco

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A imensidão do caos é visível através das imagens aéreas do cemitério público Nossa Senhora Aparecida, o maior da cidade. Os corpos estão a ser sepultados lado a lado, cinco de cada vez, em valas comuns. Na última noite, as equipas do cemitério tiveram de trabalhar durante a noite para enterrar os corpos. As empresas funerárias já só têm urnas para os próximos dias e a prefeitura apela a que as famílias optem pela cremação.

O novo ministro da Saúde já reconheceu a necessidade de ação imediata na cidade de Manaus. “Essa ação sempre será: planeamento centralizado, execução descentralizada e integrada entre estado e município”.

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