Indígenas constroem hospital em cidade brasileira devastada pela pandemia
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Correio do Pantanal

12 fev 2021 às 17:00 hs
Indígenas constroem hospital em cidade brasileira devastada pela pandemia
O estado do Amazonas já registou 10.526 mortes e 342.221 casos do novo coronavírus desde fevereiro passado
O estado do Amazonas já registou 10.526 mortes e 342.221 casos do novo coronavírus desde fevereiro passadoFoto: MARCIO JAMES / AFP

JN/AgênciasHoje às 15:15

Moradores de Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas, construíram um hospital de campanha exclusivo para o tratamento de indígenas, devido à crise no fornecimento de oxigénio e ao colapso do sistema de saúde, foi esta sexta-feira anunciado.

Por residirem numa área urbana, os povos originários do Parque das Tribos, primeiro bairro indígena de Manaus, não são atendidos diretamente pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), apesar do alto índice de infeção por SARS-CoV-2 entre os seus residentes.

“Desde o ano passado lutamos pela vida dos indígenas que vivem nas cidades”, disse à técnica de enfermagem Vanda Ortega, primeira pessoa a ser vacinada na Amazónia e responsável pela gestão da Unidade de Apoio Indígena, criada há três semanas.

Assim como Vanda Ortega, todos os técnicos, agentes de saúde e demais profissionais que trabalham no hospital de campanha são indígenas e colaboram voluntariamente.

Este ano, pelo menos 32 pessoas já foram diagnosticadas com SARS-CoV-2 nesta comunidade, que abriga cerca de 700 famílias de indígenas de várias etnias.

No total, 65% dos habitantes contraíram o novo coronavírus desde o início da crise de saúde no Brasil, há quase um ano, segundo um estudo epidemiológico do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia.

Mas, face ao colapso do sistema de saúde em Manaus “não havia possibilidade de serem tratados” num posto de saúde, então Vanda Ortega e o então chefe comunitário, Messias Kokama, que morreu em maio vítima da covid-19, começaram a idealizar uma estrutura dedicada exclusivamente ao atendimento aos índios residentes na cidade.

O hospital, que não conta com o apoio da Prefeitura de Manaus nem do Governo do estado do Amazonas, foi instalado na cobertura de uma igreja da região graças à doação de cilindros de oxigénio, medicamentos e outros equipamentos de saúde.

Em vez de leitos, os pacientes descansam em redes, além de serem tratados com medicamentos tradicionais indígenas, como chás, ervas e folhas, usados em paralelo com medicamentos específicos para o combate ao novo coronavírus.

Em 23 dias de funcionamento, a Unidade de Apoio Indígena já atendeu cerca de 200 pessoas e dezenas passam diariamente pelas dependências em busca de vacinas.

Além do cuidado com os pacientes, da preparação das refeições e da segurança das instalações, também gerem os voluntários, como Alfredo Kokama, 26 anos, responsável pela alimentação dos internados e segurança.

“Somos todos parentes aqui. Adoro ajudar”, disse.

O estado do Amazonas já registou 10.526 mortes e 342.221 casos do novo coronavírus desde fevereiro passado, quando a doença foi detetada pela primeira vez no país.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao contabilizar 236.201 vítimas mortais e mais de 9,7 milhões de casos confirmados de covid-19.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.368.493 mortos no mundo, resultantes de mais de 107,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo ​​​​​​​coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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