Como o desemprego afeta a vida dos mais pobres

Correio do Pantanal

4 out 2018 às 06:31 hs
Como o desemprego afeta a vida dos mais pobres

Profissão: Repórter - Desemprego - 03/10/2018
Profissão: Repórter – Desemprego – 03/10/2018

Segundo o IBGE, 12,7 milhões de pessoas estão desempregadas no Brasil. Samuel de Menezes é um desses desempregados. Ele saiu de Pernambuco, deixando a esposa e a filha, para procurar emprego em São Paulo, mas a falta de dinheiro atrapalha essa busca. Ele não tem como pagar o transporte e as cópias do currículo que precisa fazer.

Para conseguir andar de ônibus pela cidade, Samuel leva o irmão, que é deficiente intelectual, e tem o direto de usar o transporte público com um acompanhante sem pagar nada. O Profissão Repórter registrou a busca de Samuel por emprego. Confira no vídeo acima.

Ocupação e frio no Rio Grande do Sul

Cento e cinquenta pessoas vivem em uma ocupação na periferia de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. As casas são de madeira e o frio entra pelas frestas.

Lindamar Soares recole papel reciclável para sobreviver há 10 anos. Ele e mais oito parentes vivem em uma casa nessa ocupação há cerca de três anos. Todos estão desempregados. “Sou só eu que trabalho e coloco comida na mesa da minha família. Eu não acho feio ser papeleiro, mas eles acham. Eles pensam que catar lixo é muito feio e aí ninguém me acompanha”, relata.

Jeferson, marido de Adriana Brigoni, morreu por causa do frio há três meses. Ele teve um aneurisma cerebral e se recuperava em casa, por isso, passou a receber um benefício do Governo Federal por invalidez de um salário mínimo. Com a morte do marido, Adriana perdeu a renda e teve que fazer sacrifícios para sobreviver.

O projeto social Brasil Sem Frestas tem tentado minimizar a questão do frio para essas famílias. Voluntárias fabricam uma espécie de isolante térmico com caixas de leite. A instalação é feita de graça nas casas das famílias pobres da cidade. Apesar do esforço, o projeto só chegou a 200 casas em oito anos.

Alta no preço do gás

No Brasil, o preço do botijão de gás pode variar de R$ 50 a R$ 90. Por falta dinheiro, muitas famílias estão perigosamente substituindo o gás de cozinha pelo álcool vendido nos postos de combustível.

O Hospital da Restauração, no Recife, é referência no tratamento de vítimas de queimadura. Em quatro meses, o hospital socorreu mais de 100 pessoas que se queimaram com a explosão causada pelo álcool combustível, substância altamente inflamável.

“Ela foi cozinhar arroz, só que o fogo de álcool estava quase apagando e ela inventou de colocar mais álcool. Aí subiu tudo no rosto e na perna dela. No momento que acabou o gás, foi o jeito usar o álcool”, relata Sandra da Silva, mãe de uma vítima de queimadura.

Rosicleide Quitonio também é mãe de uma vítima de queimadura: “A gente que vive com uma renda bem baixa, ou é a comida ou é o gás”. O filho de Josilândia Sampaio também se queimou tentando cozinhar com álcool: “Já tô no hospital com ele há três meses, já perdi emprego, estrutura, perdi tudo”.

“O álcool do posto tem um poder de calor maior. Eles conseguem ter uma temperatura mais alta e resolver o problema com mais eficiência. Ou seja, com um pouco do álcool do posto, eles conseguem ferver a água”, explica o médico Marcos Barreto, chefe da unidade de queimaduras, que trabalha na área há 43 anos.

“Com R$ 2 de álcool, eu cozinho por três dias. Um pouco dele é suficiente pra fazer várias comidas. É a melhor opção porque pega mais rápido e é mais barato”, relata Karolaine de Lima, que se queimou enquanto esquentava água pra ela e pro filho, de apenas oito meses. Confira o programa completo no vídeo acima.

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