Descoberto planeta que não deveria existir

Correio do Pantanal

30 set 2019 às 06:49 hs
Descoberto planeta que não deveria existir
Representação artística do GJ 3512b, orbitando a estrela GJ 3512Foto: CARMENES/RenderArea/J. Bollaín/C. Gallego

Descoberto planeta que não deveria existir

Um grupo internacional de astrónomos anunciou a descoberta de um planeta que não deveria existir. O gigante gasoso encontrado na orbita da estrela anã vermelha GJ 3512 obriga cientistas a rever principal teoria da formação planetária.

Com uma massa equivalente a metade de Júpiter, cerca de 150 vezes mais do que a Terra, o planeta detetado a orbitar a GJ 3512 é uma esfera hostil de gases, cerca de 120 graus centígrados abaixo de zero, devido ao escasso calor fornecido por aquela estrela anã vermelha.

A descoberta de um novo exoplaneta não é propriamente uma novidade, uma vez que já foram descobertos cerca de 400 destes planetas fora do nosso sistema solar, nos últimos anos. A notícia é que este exoplaneta se formou numa zona onde, segundo as teorias de formação planetária, não deveria estar.

“É a primeira vez que se encontra um planeta deste tipo numa estrela assim”, sublinha Ignasi Ribas, astrónomo do Instituto de Ciências do Espaço, em Barcelona, e coautor do estudo, assinado por mais de 180 investigadores, de 12 países, citado pelo jornal espanhol “El Pais”.

Até agora, pensava-se que os gigantes gasosos se geravam pela acumulação de rochas no disco protoplanetário em torno de uma estrela. Forma-se, assim, um núcleo relativamente maciço de metais que consegue atrair gases, como hidrogénio e hélio, até se formarem estes gigantes gasosos como o GJ 3512 b.

Com cerca de 12% da massa do Sol e uma temperatura à superfície de 2807 graus Celsius (pouco mais de metade do dos 5780 da estrela que permite a vida na Terra), a GJ 3512 não tem capacidade para albergar um gigante gasoso como este, segundo os modelos atuais de formação planetária, pelo que este planeta não poderia existir, relatam os autores da descoberta, publicada quinta-feira na revista “Science”.

A descoberta dá asas a uma teoria segundo a qual os gases podem acumular-se por si só até formarem um planeta sem núcleo, desde que se verifique uma órbita adequada e a temperatura certa. Obriga a rever as teorias clássicas da formação de planetas e coloca em cima da mesa uma forma alternativa de gerar planetas gigantes, específica das anãs vermelhas, que compõem a imensa maioria (80%) de todas as estrelas de nossa galáxia, a Via Láctea.

O GJ 3512 b, um gigante gasoso que orbita uma anã vermelha (uma estrela fria com pouca massa), localizada a 30 anos-luz da Terra, pode ser o primeiro caso deste tipo de formação de planetas, ainda por provar, porque é muito difícil de demonstrar se planetas deste tipo têm um núcleo sólido.

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