China impõe medidas antidumping sobre importação de frango brasileiro
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Correio do Pantanal

8 jun 2018 às 08:56 hs
China impõe medidas antidumping sobre importação de frango brasileiro

Medidas foram adotadas após reclamação da indústria doméstica de que o Brasil estaria vendendo seu produto abaixo do valor de mercado.

Frangos em frigorífico de Santa Catarina (Foto: Jamil Correia da Silva Junior/Cidasc/Divulgação)

A China vai impor medidas antidumping sobre a importação de frango brasileiro, por considerar que seus produtores sofrem concorrência desleal do país, anunciou nesta sexta-feira (8) o Ministério do Comércio.

A medidas, que entram em vigor a partir de amanhã (9), determinam que os importadores chineses de frango brasileiro terão que pagar depósitos de 18,8 a 38,4% do valor de suas compras a partir de 9 de junho, informou o Ministério do Comércio em um comunicado. Esta será a faixa de “dumping” que as autoridades de Pequim calculam que têm as exportações brasileiras do produto.

A investigação antidumping sobre as importações de carne de frango do Brasil foi anunciada em agosto do ano passado pela China, após reclamação da indústria doméstica de que o país estaria vendendo seu produto abaixo do valor de mercado, “danificando substancialmente” o setor chinês, segundo informou comunicado do governo chinês.

As medidas abrangem produtos fornecidos pelos principais exportadores brasileiros, JBS e BRF.

O Brasil é o maior exportador de frango do mundo e a origem de mais de 50% das importações de carne de frango do país asiático.

O Brasil substituiu os Estados Unidos como maior fornecedor de frango depois que a China adotou tarifas antidumping sobre os produtos de frango dos EUA em 2010.

A medida ocorre no momento em que os Estados Unidos pressionam Pequim a reabrir seu mercado para os produtos avícolas norte-americanos.

A medida anunciada pela China representa mais um forte golpe à indústria brasileira. Em abril, a União Europeia anunciou a proibição de 20 frigoríficos brasileiros de exportar frango para o bloco econômico.

Medida é retrocesso, diz entidade do setor

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) emitou nota protestando contra a decisão do Ministério do Comércio da China.

“A decisão é provisória. A medida final será anunciada em agosto deste ano. A ABPA continuará a trabalhar no âmbito do processo, buscando reverter a decisão imposta temporariamente”, informou.

Segundo a ABPA, em 2017, o país asiático foi destino de 391,4 mil toneladas de carne de frango do Brasil, equivalente a 9,2% de tudo o que o país embarcou no período.

A associação diz que não há nexo causal entre as exportações de carne de frango do Brasil e eventuais situações mercadológicas locais. “Os esclarecimentos apresentados pelo setor produtivo e pelas agroindústrias exportadoras deixaram clara a ausência de qualquer possível dano aos produtores e ao mercado chinês”, informa.

A entidade considera que a medida retrocesso nas boas relações comerciais construídas por brasileiros e chineses ao longo da década.

Segundo a ABPA, apesar de uma potencial retração no desempenho dos embarques em toneladas, o fluxo comercial deverá ser mantido mesmo com a imposição da medida, devido à alta demanda do mercado chinês.

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