Casamentos forçados no Paquistão estão a aumentar, denunciam peritos da ONU

Correio do Pantanal

16 jan 2023 às 16:09 hs
Casamentos forçados no Paquistão estão a aumentar, denunciam peritos da ONU

No Paquistão, “meninas de 13 anos estão a ser retiradas às famílias, para depois serem traficadas e levadas para lugares longe das suas casas”, denuncia grupo de 12 especialistas independentes mandatados pela ONU.

Casamentos forçados no Paquistão estão a aumentar, denunciam peritos da ONU
© AAMIR QURESHI / AFP

DN/Lusa

Especialistas da ONU em direitos humanos denunciaram esta segunda-feira que os sequestros, os casamentos e as conversões forçadas de meninas de minorias religiosas estão a aumentar no Paquistão, pedindo ao Governo paquistanês para agir rapidamente para acabar com tais práticas.

“Estamos profundamente perturbados ao saber que meninas de 13 anos estão a ser retiradas às famílias, para depois serem traficadas e levadas para lugares longe das suas casas. Acabam por ser também forçadas a casar-se com homens, às vezes, com o dobro da idade e obrigadas a converterem-se ao Islão”, denunciou o grupo de 12 especialistas independentes mandatados pela Organização das Nações Unidas (ONU) num comunicado.

“Estamos muito preocupados porque tais casamentos e conversões ocorrem sob a ameaça de violência contra essas meninas e mulheres e respetivas famílias”, lamentaram os relatores especiais sobre a venda e exploração sexual de crianças, formas contemporâneas de escravidão, violência contra as mulheres e questões de minorias.

Perante tal cenário, os especialistas pediram ao Governo paquistanês para tomar medidas “imediatas para prevenir e investigar minuciosamente esses atos”.

As investigações, defenderam, devem ser conduzidas “objetivamente e de acordo com a lei nacional e os compromissos internacionais de direitos humanos”.

Os especialistas, nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, embora não falem em nome da organização, denunciaram também os relatos de que o sistema judicial do Paquistão nada faz, apesar de aceitar “evidências fraudulentas”, o que permite dar “uma aparência de igualdade” a essas práticas.

“Os familiares dizem que as denúncias das vítimas raramente são levadas a sério pela polícia que, ou se recusa a registá-las ou alega que não houve crime por se tratar de ‘casamentos por amor'”, relataram os especialistas.

No mesmo comunicado, os peritos da ONU em direitos humanos destacaram igualmente que quem sequestra as jovens “muitas vezes força as vítimas a assinar documentos que atestam falsamente” que são maiores de idade para se casarem e que o estão a fazer por sua própria vontade.

Esses documentos são então citados pela polícia como prova de que nenhum crime foi cometido, segundo os especialistas, que pedem às autoridades paquistanesas que “aprovem e façam cumprir” legislação que proíba conversões e casamentos forçados e precoces, bem como sequestros e tráfico de meninas.

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