Bruxelas prepara plano de emergência em caso de corte total de gás russo

Correio do Pantanal

6 jul 2022 às 20:32 hs
Bruxelas prepara plano de emergência em caso de corte total de gás russo
Ursula Von der Leyen
Ursula Von der LeyenFoto: JULIEN WARNAND/EPA

Bruxelas prepara plano de emergência em caso de corte total de gás russo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou perante o Parlamento Europeu que o seu executivo vai apresentar este mês um plano de emergência europeu para precaver um eventual corte total de fornecimento de gás russo.

“Precisamos de nos preparar para novas perturbações no fornecimento de gás, até mesmo para um corte total da Rússia. Atualmente, no total, 12 Estados-membros são diretamente afetados por reduções parciais ou totais do fornecimento de gás. É óbvio: [o presidente russo, Vladimir] Putin continua a utilizar a energia como uma arma”, afirmou, num debate no hemiciclo de Estrasburgo sobre a presidência semestral checa do Conselho da UE, que teve início em 1 de julho.

Von der Leyen anunciou então que “é por esta razão que a Comissão está a trabalhar num plano de emergência europeu”, que apresentará “em meados de julho”.

“Os Estados-membros já têm os seus planos nacionais de emergência em vigor. Isso é bom, mas precisamos de coordenação europeia e de ação comum. Precisamos de assegurar que, em caso de rutura total, o gás flui para onde é mais necessário. Temos de assegurar a solidariedade europeia. E precisamos de proteger o mercado único, bem como as cadeias de abastecimento da indústria”, disse.

A presidente do executivo comunitário sublinhou que os 27 não podem esquecer “a amarga lição” aprendida no início da pandemia da covid-19, em 2020, comentando que “o egoísmo e o protecionismo conduzem apenas à desunião e à fragmentação”.

“Como sempre, esperamos o melhor, mas preparamo-nos para o pior. Temos um trabalho árduo à nossa frente. Mas, tal como nas últimas semanas, a unidade trará sucesso”, disse.

A melhor, mais limpa e mais segura maneira de sair da nossa dependência são as energias renováveis

Ainda em matéria de política energética, a presidente da Comissão observou que “alguns dizem que, no novo ambiente de segurança após a agressão da Rússia, é preciso abrandar a transição verde”, mas argumentou que “o oposto é que é verdade”.

“Se todos nós não fizermos mais do que competir com combustíveis fósseis limitados, os preços vão explodir ainda mais e encher o cofre de guerra de Putin. A melhor, mais limpa e mais segura maneira de sair da nossa dependência são as energias renováveis. Portanto, o novo ambiente de segurança é o melhor argumento para acelerar a implantação das energias renováveis. As energias renováveis são de origem doméstica. Elas dão-nos independência dos combustíveis fósseis russos. São mais rentáveis. E são mais limpas”, defendeu.

Por seu lado, o primeiro-ministro checo, Petr Fiala, ao apresentar as prioridades de Praga para o segundo semestre do ano, destacou também a segurança energética, e indicou que “o caminho que a presidência checa quer seguir é principalmente trabalhar em projetos europeus comuns” que ajudem o bloco a libertar-se da sua dependência da Rússia, no que classificou como “desRussificação” do fornecimento de energia.

“Estamos prontos a trabalhar na coordenação dos ‘stocks’ de gás antes do próximo inverno e a promover a compra voluntária conjunta, seguindo o modelo que provou o seu valor durante a crise da covid-19. Devemos ter sempre em mente que podemos encontrar-nos numa situação em que a solidariedade entre os Estados-Membros é mais do que nunca necessária”, disse.

Fiala defendeu, contudo, que, a fim de a UE se tornar independente da Rússia, é necessário “aproveitar todas as oportunidades que as condições geográficas permitam”, pelo que não deve ser imposta uma solução única para os 27.

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