“Não é o momento de rasgar dinheiro” para a Amazónia, dizem governadores a Bolsonaro

Correio do Pantanal

27 ago 2019 às 21:30 hs
“Não é o momento de rasgar dinheiro” para a Amazónia, dizem governadores a Bolsonaro

Os governadores de estados brasileiros que integram a Amazónia pediram que o país aceite a ajuda internacional oferecida para combater os incêndios e preservar a região.

“Nós enfatizamos muito fortemente a necessidade da cooperação internacional, com defesa da soberania nacional, claro. Porém, achamos que não é o momento de rasgar dinheiro, sobretudo no que se refere ao Fundo Amazónia. Nós defendemos que seja retomado”, afirmou o governador do Maranhão, Flávio Dino, citado pelo portal de notícias G1.

Criado em 2008, o Fundo Amazónia, destinado à preservação da região, é mantido, maioritariamente, com doações da Noruega e Alemanha, e é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil.

Após a desflorestação no Brasil ter aumentado este ano, a Noruega, principal doador do Fundo Amazónia, anunciou o bloqueio de 30 milhões de euros destinados à proteção daquela que é a maior floresta tropical do mundo, acusando Brasília de “já não querer parar a desflorestação”.

Também a ministra alemã do Ambiente, Svenja Schulze, anunciou a suspensão do financiamento de projetos para a proteção da floresta e da biodiversidade na Amazónia, no valor de 35 milhões de euros, devido ao aumento da desflorestação na região.

Com os cortes provenientes dos principiais doadores, o ministro do Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, anunciou mesmo a suspensão do Fundo.DICAPRIO DOA MILHÕES À AMAZÓNIAVER MAIS

“Tocamos mais uma vez na questão do Fundo Amazónia. Nós não podemos abrir mão de recursos. Nós esperamos que haja um entendimento entre o Governo federal, um bom termo, juntamente com o Fundo Amazónia, Noruega e Alemanha”, disse o governador do Amazonas, Wilson Lima, segundo o G1.

O Presidente do Brasil, que se desentendeu com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, admitiu hoje aceitar dinheiro do G7 (que junta os países mais industrializados do mundo) para combater incêndios na Amazónia se o Presidente francês retirar aquilo que considerou como insultos.

“Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que ele fez à minha pessoa. Ele me chamou de mentiroso. E depois (..) que a nossa soberania está em aberto na Amazónia”, declarou Jair Bolsonaro.

Porém, para os governadores brasileiros, os confrontos verbais entre os dois chefes de Estado são “perda de tempo”.

“Estamos a perder muito tempo com Macron. Eu acho que temos de cuidar do nosso país. Estamos a dar muita importância a esse tipo de comentários, não desprezando a importância económica que a França pode ter”, afirmou o governador do Pará, Helder Barbalho, durante a reunião com Bolsonaro, na qual o chefe de Estado criticou as reservas indígenas.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro questionou cada autoridade estadual acerca da percentagem de reservas indígenas em cada estado e chamou de “irresponsabilidade” a política de demarcação adotada por Governos anteriores.

“A nossa decisão até ao momento é de não demarcar. Já extrapolou essa verdadeira psicose no que toca à demarcação de terras. (…) Hoje, 40% de Roraima está ocupado por terra indígena. Por que tanta terra indígena foi demarcada?”, questionou o chefe de Estado, citado pela Folha de S.Paulo.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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