Fortes chuvas previstas para a próxima semana podem parar colheita no Brasil

Correio do Pantanal

19 mar 2018 às 09:57 hs
Fortes chuvas previstas para a próxima semana podem parar colheita no Brasil

NOTICIAS AGRÍCOLAS

Colheita da soja em Darcinópolis/TO – Imagem enviada pelo produtor Marcílio Marango

As chuvas dos últimos dias e as previstas para os próximos têm motivado os produtores brasileiros de soja a avançarem com a colheita e evitar perdas que possam ser ocasionadas em função do excesso de umidade.

Com os trabalhos de campo concluídos em 58% da área semeada desta temporada, de acordo com números da consultoria AgRura os sojicultores, principalmente da região do Matopiba devem estar atentos à intensificação das chuvas que começa a ser observada a partir desta quinta-feira, 22 de março, de acordo com informações do Inmet.

O índice de colheita, afinal, mostra um pequeno atraso em relação aos 62% do mesmo período do ano passado, porém, se mostra mais adiantado do que a média dos últimos cinco anos. A evolução da colheita na semana foi de 10 pontos percentuais.

“Até terça-feira (21), serão chuvas de verão, pancadas de final de tarde. Mas precisamos continuar monitorando para verificar se essa previsão de estabelecimento de uma banda de nebulosidade que o modelo indica hoje se vai se manter nos próximos dias. Se isso acontecer, serão chuvas mais contínuas, que prejudicam o andamento da colheita”, diz a  chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet, Morgana Almeida.

A partir desta terça, já se esperam chuvas mais acentuadas no oeste da Bahia e, a partir da quarta-feira, a atuação dessa banda de nebulosidade sobre os demais estados da região.

“Para o período de 16 a 24 de março, o modelo americano coloca uma região relativamente grande – desde a região Sudeste até a norte, com volumes bem elevados, e as chuvas aumentando na região do Matopiba e com tendência de expandir para o interior da região nordeste”, completa Morgana. “Ou seja, podemos convergir previsão de um março mais chuvoso na região central do Brasil”, diz.

A mesma atenção se volta para o plantio da safrinha de milho e para o desenvolvimento das lavouras, que precisam da umidade neste momento. Ainda segundo a AgRural, a semeadura da segunda safra do cereal já está concluída em 92% da área, contra 81% da semana anterior e 96% do ano passado, nesse mesmo período.

Em Balsas, importante região produtora do Maranhão, os produtores não conseguiram evoluir com os trabalhos de colheita ao longo dessa semana devido às chuvas constantes. Segundo o produtor rural da região, Valério Mattei, a chuva deu uma trégua nesta sexta-feira (16) e as máquinas estão nos campos realizando a colheita da oleaginosa.

“A situação está complicada, temos 25% da área que foi cultivada nesta temporada colhida até o momento. Além do atraso na colheita, há uma preocupação com a qualidade da soja em função dos altos volumes acumulados de chuvas”, explica o produtor.

No norte do Tocantins, em Darcinópolis, as chuvas também preocupam os agricultores. Somente em fevereiro, o volume acumulado de chuvas na região ficou próximo de 450 mm. E a colheita da soja está próxima de 20% a 30% na localidade.

“Estamos com dois dias de sol na região, então os produtores têm aproveitado para colher a soja, especialmente, nas áreas com risco de perdas. Mas a apreensão é com as previsões que mostram a continuidade das chuvas”, ressalta Marcílio Fernandes Marangoni, engenheiro agrônomo da região.

Em março, o volume acumulado de chuvas gira em torno de 150 mm a 190 mm. “Se tivermos chuvas tão volumosas quanto no mês de fevereiro, com certeza, teremos perdas nas lavouras de soja”, completa Marangoni.

Mapas do Inmet trazem volumes bastante elevado de chuvas para a região entre 16 e 26 de março, com os números mais altos podendo ser registrados no dia 26, variando de 20 a 50 mm só neste dia. O período todo, porém, indica a chegada de chuvas fortes.

Tempo seco no RS

No mesmo período, o tempo deverá permanecer seco no Rio Grande do Sul, onde em algumas localidades a safra de soja já sente os efeitos da seca. As precipitações ficam ainda mais restritas a partir da próxima quarta-feira (21), ainda como explica Morgana em entrevista ao Notícias Agrícolas na sexta-feira (16).

Esse tempo mais cedo chega após um período mais chuvoso no estado gaúcho e, como explica a especialista, deverá durar cerca de uma semana. Nos últimos cinco dias, foi possível perceber uma mudança significativa no padrão climático da Região Sul, já que o sul do Rio Grande do Sul recebeu volumes significativos.

“A partir dos dias 26 e 27 é que uma frente fria deve se organizar e se deslocar. A ideia é que a última semana do mês de março deve ser mais chuvosa no Rio Grande do Sul”, diz a chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet.

Chuvas se intensificam a partir da próxima quinta-feira (22) no Centro Norte do país e podem atrapalhar colheita no Matopiba

Na sequência, veja também a entrevista da especialista do CropView, Cristina Queiroz, com análises mostrando os efeitos das chuvas excessivas sobre a soja do Piauí e do Oeste da Bahia, na reta final, e do menor potencial produtivo esperado pelo milho safrinha de Goiás em função da tendência menores volumes de chuvas para o próximo trimestre.

Excesso de chuva penaliza reta final da produção de soja no sul do Piauí e oeste da Bahia

Centro-Oeste, Minas e o café

Na região Centro-Oeste e no estado de Minas Gerais, as chuvas também deverão se mostrar mais contínuas, como o restante da região Central do Brasil, ao contrário desta última semana, quando as precipitações foram mais localizadas. A tendência, portanto, é de que se generalizem e, em Minas, preocupam os cafeicultores pois poderiam promover uma derrubada dos grãos.

Fonte: Notícias Agrícolas

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