Bebé da capa do álbum “Nevermind” processa os Nirvana por exploração sexual

Correio do Pantanal

26 ago 2021 às 07:13 hs
Bebé da capa do álbum “Nevermind” processa os Nirvana por exploração sexual

No processo é referido que os elementos da banda beneficiaram e continuam a beneficiar da “exploração sexual” de Spencer Elden, o bebé que apareceu nu e debaixo de água na capa do álbum editado em 1991. Pede uma indemnização de cerca de 127 mil euros.

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Imortalizado como o bebé que figura na capa do álbum de 1991 “Nevermind”, dos Nirvana, Spencer Elden, hoje com 30 anos, decidiu avançar com um processo contra os membros sobreviventes da banda e os herdeiros do falecido vocalista e guitarrista Kurt Cobain. Acusa-os de “exploração sexual” infantil e pede uma indemnização de 150 mil dólares (cerca de 127 mil euros).

Na ação que deu entrada num tribunal e nela é referido que os elementos da banda de Seattle beneficiaram e continuam a beneficiar da imagem de Spencer Elden, o bebé que surge nu e debaixo de água na capa do disco. Alega que sofreu “danos para toda a vida” devido à utilização da sua imagem sem autorização, uma vez que tinha apenas quatro meses.

O processo que deu entrada no tribunal também abrange o fotógrafo Kirk Weddle e as editoras discográficas que estiveram envolvidas no álbum “Nevermind”. Ao todo, acusa 15 pessoas.

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Na icónica capa do disco, o bebé surge nu, debaixo de água, junto a uma nota de um dólar, uma imagem que expôs “a parte íntima do corpo de Spencer” e “exibiu lascivamente os genitais” do jovem, refere a ação judicial.

Robert Y. Lewis, advogado de Elden, citado pela BBC, considera que a inclusão da nota de um dólar, que foi posteriormente colocada na capa do álbum, fez o bebé parecer “um trabalhador do sexo”.

Elden indica neste processo que a sua “identidade e nome legal estão para sempre ligados à exploração comercial sexual” de que foi alvo enquanto menor, tendo a imagem sido “distribuída e vendida desde que era bebé até agora”. E alega também que a imagem de nudez constitui pornografia infantil.

De acordo com a versão de Spencer Elden, os pais nunca assinaram qualquer documento para autorizar o uso da imagem que deu origem à capa de “Nevermind”. Refere também que os Nirvana prometeram tapar os genitais do bebé com uma fita adesiva, o que acabou por não acontecer.

No processo é considerado que os acusados comercializaram de forma intencional pornografia infantil com Spencer, e lucraram com essa situação.

“Usaram pornografia infantil retratando Spencer como um elemento essencial de um esquema de promoção de discos habitualmente utilizado na indústria da música para chamar a atenção, em que nas capas dos álbuns posavam crianças de maneira sexualmente provocativa para ganhar notoriedade, impulsionar as vendas e atrair a atenção dos media”, lê-se no processo, a que a revista Variety teve acesso.

Elden já recriou a capa dos Nirvana, como aconteceu, por exemplo, em 2008 e 2016, tendo tatuado no peito a palavra Nevermind, mostrando-se, no entanto, desconfortável pela situação de ter ficado imortalizado no álbum da banda norte-americana.

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