Arábia Saudita rejeita relatório que culpa príncipe herdeiro pela morte de jornalista

Correio do Pantanal

27 fev 2021 às 09:22 hs
Arábia Saudita rejeita relatório que culpa príncipe herdeiro pela morte de jornalista
Príncipe herdeiro Mohammed bin Salman
Príncipe herdeiro Mohammed bin SalmanFoto: Fayez Nureldine / AFP

JN/AgênciasHoje às 02:31

A Arábia Saudita rejeitou “totalmente” o relatório dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, que imputa ao herdeiro Mohammed bin Salman de autorizar o homicídio do jornalista e crítico do regime Jamal Khashoggi, em 2018.RELATÓRIO SECRETO REVELADO: PRÍNCIPE SAUDITA APROVOU ASSASSÍNIO DE KHASHOGGIVER MAIS

“O Governo da Arábia Saudita rejeita totalmente as falsas e nefastas conclusões contidas no relatório sobre a liderança do reino e não pode aceitá-las em nenhum caso”, referiram as autoridades sauditas, em comunicado citado pela France-Presse (AFP).

A nota acrescenta que o relatório produzido por Washington propaga “desinformação”.

“É verdadeiramente lamentável que este relatório, com estas conclusões injustificadas e falsas, seja divulgado quando o reino denunciou claramente este crime hediondo e os seus líderes tomaram as medidas necessárias para garantir que tal tragédia nunca volte a acontecer”, explicita ainda o comunicado do Governo saudita.

Os serviços secretos norte-americanos acusaram esta sexta-feira o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed Bin Salman, de ter “validado” o assassínio do jornalista também saudita Jamal Khashoggi, em 2018.

“Chegamos à conclusão de que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita validou uma operação em Istambul para capturar ou matar o jornalista saudita Jamal Khashoggi”, escreve a direção da Agência Central de Informação (CIA), num pequeno documento de quatro páginas hoje desclassificado.

“O príncipe herdeiro considerou Khashoggi como uma ameaça para o Reino e apoiou totalmente o uso de medidas violentas, se necessárias, para o silenciar”, acrescenta-se no documento.

A desclassificação do documento pode aumentar a pressão sobre a administração de Joe Biden para responsabilizar o reino por um assassínio que provocou grande indignação nos Estados Unidos e internacionalmente.

A conclusão central do relatório era amplamente esperada, visto que vários funcionários da CIA tinham chegado a esse entendimento logo após o brutal assassínio de Khashoggi, a 2 de outubro de 2018, um crítico da consolidação autoritária do poder do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Ainda assim, como a descoberta não fora oficialmente divulgada até agora, a atribuição pública de responsabilidade representou uma repreensão extraordinária ao ambicioso príncipe herdeiro, de 35 anos.

Segundo a agência noticiosa Associated Press (AP), a divulgação pública do documento vai, “provavelmente, dar o tom” para o relacionamento da nova administração norte-americana com um país que Biden criticou, mas que a Casa Branca considera que, nalguns contextos”, constitui “um parceiro estratégico”.

A Casa Branca anunciou já que irá tomar “medidas”, mas sem adiantar quais.

Quinta-feira, a imprensa norte-americana deu eco ao relatório, então ainda não divulgado oficialmente, salientando que o documento tem por base sobretudo informações recolhidas pela CIA.

“A divulgação pública (do relatório) marcará um novo capítulo nas relações dos Estados Unidos com a Arábia Saudita e uma diferença clara entre a política do Presidente Joe Biden e a do ex-Presidente Donald Trump”, disse a emissora NBC, indicando ter tido acesso ao texto em 2018.

Na quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse aos jornalistas que o “relatório desclassificado” seria divulgado em breve pela diretora nacional de informação, Avril Haines.

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