Porcos vivos usados em testes de colisões contra paredes. Associações indignam-se

Correio do Pantanal

1 nov 2019 às 14:48 hs
Porcos vivos usados em testes de colisões contra paredes. Associações indignam-se

Porcos vivos usados em testes de colisões contra paredes. Associações indignam-se

Uma equipa de cientistas chineses está debaixo de fogo por recorrer a porcos vivos para realizar testes de colisões rodoviárias, deixando os animais mortos ou com ferimentos graves. A associação de defesa dos animais PETA condena o caso e já contactou os investigadores.

Sete porcos morreram e outros oito ficaram gravemente feridos (com ossos partidos e hematomas internos) depois de terem sido acorrentados a cadeiras projetadas contra paredes a mais de 30km/h. O objetivo dos testes era desenvolver cintos de segurança para crianças, uma vez que os suínos terão, segundo o estudo, uma estrutura anatómica semelhante à de menores com seis anos de idade.

A investigação científica – que se baseou na realização de três testes envolvendo cintos de segurança em posições distintas (como mostra a imagem de destaque) – foi divulgada pelo “International Journal of Crashworthiness” no início de 2019 mas ganhou eco agora que alguns jornais e associações de defesa dos animais tornaram o caso público.

“As lesões sofridas pelos objetos de teste resultaram em sete mortes. Os tipos mais comuns de lesões incluem abrasão, contusão, laceração, sangramento e fratura”, pode ler-se no relatório da investigação, que adianta que foram realizadas autópsias para determinar exatamente como é que os animais morreram.

Os investigadores que examinaram os corpos dos animais – que não comeram nem beberam durante um dia até seis horas antes dos testes – descobriram que os pulmões eram o órgão mais afetado nas colisões, seguidos do baço e do fígado. “Os resultados podem ser úteis para aprender sobre lesões torácico-abdominais pediátricas”, indica o relatório.

Os Estados Unidos deixaram de usar animais em testes de colisões na década de 90

De acordo com o jornal britânico “The Independent”, os sete autores do ensaio, do Instituto de Medicina de Trânsito da Universidade Militar de Medicina, em Chongqing (China), asseguram que foram seguidas as regras norte-americanas referentes à utilização de animais de laboratório e que o estudo foi aprovado por um comité de ética.

Associações contra testes “bárbaros”

De acordo com o grupo de defesa dos direitos dos animais PETA, que emitiu um comunicado na quinta-feira, os porcos, que receberam anestesia para lhes ser reduzida a “excitação e o stress”, tinham elétrodos inseridos no abdómen. A associação descreveu os testes como “bárbaros”, deixando os animais “a sangrar, magoados e mutilados”.

De acordo com o grupo, as empresas que fazem investigações relacionadas com colisões rodoviárias usam hoje em dia tecnologia avançada, como estudos clínicos em humanos, modelagem avançada em computador, imagens médicas em 3D e manequins sofisticados. “Outros investigadores usam ainda cadáveres humanos e realidade virtual (manequins virtuais) com o mesmo propósito. No século XXI, cada empresa automóvel do mundo já deveria ter adotado estes métodos”, adianta a PETA, que contactou os responsáveis pela investigação pedindo-lhes que colocassem termo a tais testes “cruéis”. E ainda esclareceu que não há, na China, qualquer lei que obrigue a que sejam efetuadas “experiências tão horríveis”.

Peritos britânicos que defendem testes com animais também se manifestaram desfavoráveis à experiência. Chris Magee, da organização “Understanding Animal Research”, que visa explicar as razões pelas quais os animais são usados ​​em investigações médicas e científicas, disse ao jornal britânico não perceber a utilidade de tais testes em qualquer país uma vez que já existem vários modelos fabricados com o propósito de serem usados em testes do género.

“Uma experiência como esta era muito improvável que passasse no rigoroso processo de revisão ética do Reino Unido, que tem de ser assegurado antes que uma licença seja atribuída”, considera o responsável.Partilhe es

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