Violência deixa cerca de 700 mil crianças nos Camarões sem acesso à educação

Correio do Pantanal

3 dez 2021 às 06:21 hs
Violência deixa cerca de 700 mil crianças nos Camarões sem acesso à educação
Os ataques às escolas nas regiões noroeste e sudoeste têm sido recorrentes desde 2017
Os ataques às escolas nas regiões noroeste e sudoeste têm sido recorrentes desde 2017Foto: EDUARDO SOTERAS / AFP

JN/AgênciasOntem às 14:42

Violência nas regiões anglófonas dos Camarões, devido a um conflito separatista, forçou o encerramento de escolas, o que deixou cerca de 700 mil crianças sem acesso à educação, informou esta quinta-feira o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC).

Estes números, do Gabinete para os Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), são mais um lembrete de que “os Camarões são uma das crises mais negligenciadas do mundo”, declarou o NRC.

“As crianças aqui arriscam as suas vidas todos os dias simplesmente por irem à escola. A emergência educacional dos Camarões precisa de atenção internacional, não de um silêncio mortal do mundo exterior”, afirmou o chefe da organização humanitária, Jan Egeland, que está de visita ao país.

Segundo o OCHA, duas em cada três escolas estão fechadas nas regiões noroeste e sudoeste, o foco do conflito separatista anglófono, que tem vindo a afetar o país desde 2017.

Em 24 de novembro, por exemplo, quatro crianças e um professor foram mortos num ataque em Ekondo Titi, na região do sudoeste.

Na região noroeste, um encerramento recente imposto por um grupo armado, de 15 de setembro a 2 de outubro, limitou o acesso aos serviços básicos, incluindo a saúde e a educação.

Durante esse período, o OCHA relatou mesmo uma série de ataques no noroeste, incluindo o rapto de oito estudantes e cinco diretores de escolas públicas, um dos quais foi morto.

“Até que a comunidade internacional intensifique o seu apoio e empenhamento diplomático, as crianças continuarão a suportar o peso da violência”, advertiu Egeland.

Os ataques às escolas nas regiões noroeste e sudoeste têm sido recorrentes desde 2017, depois de grupos armados que reivindicavam a independência das áreas maioritárias anglófonas (20% dos Camarões), a que chamam Ambazonia, se terem juntado ao conflito.

Os Camarões foram uma colónia britânica e francesa até 1960, quando ganharam a independência de ambas as potências e estabeleceram um estado federal que durou até um referendo, em 1972, que deu luz verde para a unificação.

Desde então, o inglês e o francês têm sido línguas co-oficiais e coexistem ao lado de 250 outras línguas nativas.

No entanto, em outubro de 2017, protestos pacíficos de professores e funcionários da justiça para apelarem ao uso do inglês nos tribunais e escolas foram severamente reprimidos pelas forças de segurança, levando ao surgimento de grupos separatistas.

Desde então, mais de 180 mil pessoas foram deslocadas pela violência e operações dos militares camaroneses contra grupos separatistas armados, que organizações como a Amnistia Internacional acusam de matar civis e arrasar aldeias.

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