Otimismo e expectativas marcam lançamento das obras de ponte que vai viabilizar a Rota Bioceânica

Correio do Pantanal

14 dez 2021 às 23:08 hs
Otimismo e expectativas marcam lançamento das obras de ponte que vai viabilizar a Rota Bioceânica

A presença de Jair Bolsonaro era esperada, porém o presidente chegou a Campo Grande (MS) e não conseguiu embarcar para Carmelo Peralta (PY), onde seria feito o lançamento da pedra fundamental da obra.

Por José Câmara, g1 MS — Carmelo Peralta, Paraguai

13/12/2021 16h56  Atualizado há um dia


Evento contou com políticos e empresários brasileiros e paraguaios.  — Foto: José Câmara - g1 MS

Evento contou com políticos e empresários brasileiros e paraguaios. — Foto: José Câmara – g1 MS

13 de dezembro de 2021: dia que marca o lançamento das obras de construção da ponte da Rota Bioceânica que ligará o Brasil, por Porto Murtinho (MS), à cidade de Carmelo Peralta (PY), no Paraguai. Durante a cerimônia, políticos e pessoas da região expressaram desejos e promessas com a obra:

  • “A construção da ponte mostra a história de aliança estratégica do Brasil com o Paraguai. […] A construção só vai gerar riqueza para os dois países”, disse o presidente Paraguaio Mario Abdo Benítez;
  • “Quando a rota estiver pronta, será encurtado em 17 dias de rio para transporte de produtos”, declarou o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja.
  • “Muito importante, vai dar trabalho e amor. Quando tiver a ponte, o restaurante terá muito mais gente comendo”, expressou ansiosamente a cozinheira Ilda Freitas;
  • “Nós teremos mais competitividade”, comentou o prefeito de Porto Murtinho (MS), Nelson Cintra Ribeiro.

O lançamento da obra contou com a presença do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, que frisou em discurso que a construção será fio condutor para uma “grande transformação” ao país vizinho e ao Brasil.

Mesmo sem Bolsonaro, a cerimônia decorreu, e o lançamento da pedra fundamental da ponte da Rota Bioceânica foi reagendado para janeiro de 2022.

Entre os anúncios, a data de conclusão para construção da ponte ficou fixada para 2024. “Quero trabalhar para que a obra seja antecipada. A construção só vai gerar riqueza para os dois países”, comentou Benítez.

Mais que uma ponte, ‘um sonho’

Projeto da nova ponte sobre o rio Paraguai, ligando Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai. — Foto: Subcom/Divulgação

Projeto da nova ponte sobre o rio Paraguai, ligando Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai. — Foto: Subcom/Divulgaçãohttps://f8bf5485ceb296ca546f2d7797ff3cae.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Para o governo paraguaio, a construção da ponte é um marco na história do país. Além de gerar emprego, a obra dá “start” a uma rota de desenvolvimento econômico, turístico e cultural aos países que compõem a Rota Bioceânica – Paraguai, Brasil, Argentina e Chile.

“É um sonho. A construção da ponte mostra a história de aliança estratégica do Brasil com o Paraguai, esta é uma das obras mais importantes. A primeira obra de conexão entre Brasil e Paraguai foi há 55 anos, com isso construímos uma uma relação com o Brasil, a fraternidade entre os nossos povo”, disse Benitéz.

A Ponte Bioceânica terá comprimento de 680 metros, duas pistas de rolagem de veículos de passeio e caminhões, com 12,5 metros de largura, e duas passagens nas laterais, com 2,5 metros cada uma, para o trânsito de pedestres e ciclistas.

A obra será feita pelo consórcio Paraguai-Brasil, composto pelas empresas Tecnoedill Constructora S.A, Cidade Ltda e Paulitec Construções. As empresas que venceram a licitação para a construção da ponte terão 1.080 dias para executar a obra, assim que os processos legais forem concluídos.

Atualmente, a ligação entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta ocorre somente por meio de balsas.https://f8bf5485ceb296ca546f2d7797ff3cae.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Atualmente o translado entre Carmelo Peralta (PY) e Porto Murtinho é feito apenas de balsa.  — Foto: José Câmara - g1 MS

Atualmente o translado entre Carmelo Peralta (PY) e Porto Murtinho é feito apenas de balsa. — Foto: José Câmara – g1 MS

A estrutura é considerada a principal obra da Rota Bioceânica. A obra, que é de responsabilidade do governo paraguaio, e financiada pela Itaipu Binacional, tem investimento previsto de R$ 500 milhões.

Para especialistas, a ponte é fundamental para o início do uso da Rota Bioceânica. Já que, o primeiro trajeto que liga Carmelo Peralta (PY) a Loma Plata (PY) se encontra em estágio final de construção.

Segundo o governo do Paraguai, a empreitada do outro lado é de apenas 28 km. “Temos que concluir apenas 28 quilômetros dos 275 quilômetros que ficou de nossa responsabilidade”, detalhou o ministro de obras públicas e comunicações do Paraguai, Arnoldo Wiens Durksen.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Desafios para Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul tem desafios pela frente em relação à Rota Bioceânica. — Foto: José Câmara - g1 MS

Mato Grosso do Sul tem desafios pela frente em relação à Rota Bioceânica. — Foto: José Câmara – g1 MS

Um dos objetivos da obra é facilitar o comércio exterior e a importação de produtos entre países. Com a ponte, o escoamento de grãos de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso será feito pela Rota Bioceânica, assim, facilitando o envio de matérias-primas à Ásia, principal elo de negócio do Brasil.

Além de facilitar e encurtar o caminho para o escoamento de grãos, carnes e outros insumos, a promessa dos governos que compõem a Rota Bioceânica (Brasil, Paraguai, Chile e Argentina) é de que as taxas e os tributos para exportação sejam menores.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

O governador de Mato Grosso do Sul elencou como um dos principais tópicos para facilitação no processo de exportação as taxas alfandegárias. Azambuja diz que será imprescindível uma negociação entre os quatro países para uma possível unificação dos tributos, o que deve diminuir os custos para o envio das commodities aos outros países por meio da Rota Bioceânica.

Azambuja também comentou sobre o potencial que a rota terá em encurtar o processo de exportação. “Quando a rota estiver pronta, será encurtado em 17 dias de rio para transporte de produtos e reduzirá de 25% a 35% o preço do frete”, detalhou com otimismo o governador.

A questão da segurança pública também surge como um desafio para Mato Grosso do Sul. O governador destacou que já há investimentos previstos para aumentar o efetivo de segurança na região.

“Cada vez mais temos integrado a segurança pública do Brasil com os países vizinhos. Vamos discutir e olhar o ambiente. Vamos aumentar efetivo e presença, a Polícia Rodoviária Federal está vindo com helicópteros para vigiar melhor a fronteira”, elencou Azambuja.

Otimismo para todos os lados

Prefeito de Porto Murtinho espera com entusiasmo o avanço no desenvolvimento de Porto Murtinho. — Foto: Saul Schramm/GOV-MS

Prefeito de Porto Murtinho espera com entusiasmo o avanço no desenvolvimento de Porto Murtinho. — Foto: Saul Schramm/GOV-MS

A cidade que vai ligar o Brasil à Rota Bioceânica é a centenária Porto Murtinho, a 448 km de Campo Grande. O prefeito da cidade, Nelson Cintra Ribeiro (PSDB), comentou que o município será muito valorizado no futuro.

Não é só o setor político que almeja transformação. Moradores dos lados brasileiros e paraguaio estão atônitos para o “boom” de desenvolvimento prometido por especialistas e políticos.

Natural de Porto Murtinho, mas moradora de Carmelo Peralta há 10 anos, a confeiteira e cozinheira Ilda Freitas espera muito mais clientes quando a obra estiver finalizada.https://f8bf5485ceb296ca546f2d7797ff3cae.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“Muito importante, vai dar trabalho e amor. Quando tiver a ponte, o restaurante terá muito mais gente comendo. Mais renda, emprego e muito mais outras coisas”, com o sorriso no rosto, compartilhou Ilda ao g1.

Junto com o desenvolvimento, a cidade de Porto Murtinho vive uma metamorfose. A expectativa é que saia de um município pacato, do interior de Mato Grosso do Sul, para mais um “hub logístico” do país, sendo um grande centro de importação e exportação.

“Nós não temos dúvida do desenvolvimento. Porto Murtinho sempre foi isolada. Lutamos muito pela rota, a cidade é uma das mais importantes do país. Nós teremos mais competitividade”, destacou Ribeiro.

Para o prefeito de Porto Murtinho, há investimentos já garantidos. Ribeiro falou que o município possui mais de R$ 80 milhões para serem investidos, oriundo da bancada federal. A expectativa é que Porto Murtinho passe por uma reforma geral, a partir de 2022.

Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Jaime Verruck, a instalação dos canteiros de obras para construção da ponte deve ser feita ainda neste ano.

“Temos outros desafios. Temos que levantar a questão da mão de obra, queremos que brasileiros participem, para isso estamos qualificando pessoas em Porto Murtinho”.

De acordo com Verruck, os cronogramas para acesso à ponte, por parte do Brasil, devem terminar antes do término da construção que vai conectar Mato Grosso do Sul ao Paraguai.

O que é a Rota Bioceânica?

Corredor rodoviário quer ligar o brasil aos portos do chile no oceano Pacífico, como o de Antofagasta.  — Foto: Anderson Viegas - g1 MS

Corredor rodoviário quer ligar o brasil aos portos do chile no oceano Pacífico, como o de Antofagasta. — Foto: Anderson Viegas – g1 MS

A rota bioceânica é um corredor rodoviário com extensão de 2.396 quilômetros que pretende ligar quatro países (Argentina, Brasil, Chile e Paraguai) por meio de uma única via terrestre. Além de encurtar distâncias, a construção multinacional tem a ideia de ampliar a cultura dos países da América do Sul, consequentemente o turismo.

Conforme estudos do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog/MS), deve encurtar em mais de 8 mil quilômetros de rota marítima a distância nas exportações brasileiras para a Ásia. Com isso, poderá haver acréscimo entre negociações, além de promover integração cultural e do turismo.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Quando estiver pronta, a Rota Bioceânica vai encurtar a distância percorrida pelos produtos brasileiros rumo ao mercado asiático, integrar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e, para especialistas, transformar Mato Grosso do Sul em um hub logístico, um centro de distribuição de mercadorias.

No Paraguai, de acordo com o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), do Paraguai, o Corredor Rodoviário Bioceânico está 93% concluído, com 216 quilômetros de rodovias asfaltadas e sinalizadas.

Ao longo de todo o trajeto no Paraguai foram construídas 14 passagens de animais – estruturas colocadas em diferentes pontos do corredor para que as várias espécies de mamíferos vertebrados de pequeno, médio e grande porte, possam passar de um lado a outro da pista com segurança.

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