13 mar 2018 às 07:13 hs
Mulher detida pela morte de menino espanhol investigada pela queda mortal da filha

 

Ana Julia Quezada, de 43 anos, foi detida pela morte de Gabriel, de oito anos. A polícia está agora a investigar a queda mortal de uma das suas filhas, que caiu de uma janela, em 1996

Doze dias depois de ter sido dado como desaparecido, o pequeno Gabriel foi encontrado morto na manhã de domingo e esta segunda-feira surgiu a confirmação de que foi morto por asfixia no dia do desaparecimento. O corpo da criança, de oito anos, foi descoberto no porta-bagagem do carro da namorada do pai, Ana Julia Quezada Cruz, de 43 anos, que foi detida, conforme noticiou o El Mundo.

A mulher, que participou em várias ações para encontrar a criança, está agora a ser investigada também pela morte de uma das suas filhas, em 1996. A criança, com quatro anos, caiu da janela de uma casa onde vivia com a mãe e a irmã em Burgos e, na altura, as autoridades consideraram uma morte acidental.

Perante a sua ligação à morte do filho de Ángel Cruz, a polícia espanhola está a investigar os anos em que Ana Julia Quezada Cruz viveu em Burgos, depois de ter chegado da República Dominicana, em 1995, avança a agência Europa Press.

Desfecho trágico choca Espanha

De acordo com o Ministério do Interior espanhol, Ana Julia Quezada Cruz foi detida no momento em que transportava o corpo do pequeno Gabriel no porta-bagagem do seu carro, depois de o retirar de um poço, onde estava escondido. Um desfecho que está a chocar os espanhóis que viram a madrasta da criança em várias iniciativas para encontrar o menino.

A criança desapareceu a 27 de fevereiro, em Las Hortichuelas, no sul de Espanha. Gabriel tinha saído da casa da sua avó paterna para ir até à casa dos primos, mas nunca chegou.

O pai do menino e a namorada encontraram, dias depois, a 3 de março, uma camisola interior branca durante as operações de busca. A peça de roupa foi descoberta no Barranco de Las Águilas, em Las Negras. A área foi passada a pente fino. Nesta altura, a investigação centrou-se na companheira do pai da criança.

Menino terá sido estrangulado

Entretanto já são conhecidas primeiras conclusões da autópsia feita hoje ao corpo de Gabriel Cruz. O El País cita fontes da investigação para revelar que o menino terá sido morto por estrangulamento no mesmo dia em que desapareceu. Segundo as mesmas fontes, o corpo da criança foi encontrado com restos de terra.

De acordo com o El Mundo, as autoridades consideraram Ana Julia a principal suspeita, mas optaram por não a deter com esperança de encontrar Gabriel com vida.

Mãe de Gabriel sempre suspeitou de Ana Julia

De acordo com o mesmo jornal, a polícia considera que a dominicana não atuou sozinha. As autoridades chegaram a deter um homem, de 42 anos, que será um amigo de Ana Julia. Mas, para já não há indícios de que o indivíduo esteja envolvido no crime.

Mãe de Gabriel sempre suspeitou de Ana Julia

“Tinha a esperança de que ela iria quebrar e que o deixava ir”, disse Patricia Ramírez, mãe de Gabriel em declarações ao programa radiofónico Herrera en Cope. Revelou que tentou apelar à sua consciência sempre que esteve com ela. “Não se podia dizer nem fazer nada, porque fazia parte da investigação e porque podia prejudicar o menino”, admitiu. “Eu temia que acabasse assim”, confidenciou.

À rádio Cope, Patricia Ramírez mostrou toda a sua confiança no pai do seu filho. “Ele é uma pessoa maravilhosa, que ninguém duvide dele. Eu vou estar ao seu lado porque temos de superar isto juntos”, garantiu aos microfones. “Está destroçado. É muito difícil digerir a morte de um filho, ainda mais quando quem o matou é a pessoa que amas”, explicou esta mãe.

Patricia acredita que Ana Julia vai pagar pelo que fez, agradece as manifestações de apoio nesta altura tão difícil e pede que continuem “as mensagens de amor e não de raiva” contra a alegada autora do crime

Patricia Ramírez agradeceu ainda a ajuda de todos os voluntários nas operações de busca pelo Gabriel.

Perante a onda de indignação gerada após a detenção de Ana Julia, a mãe do menino pediu serenidade. “Têm aparecido muitas mensagens a pedir a sua morte. Entendo que sintam raiva, como eu. Por favor, transformem a raiva noutra coisa. Gabriel merece ir para o céu com todas as mensagens bonitas que temos recebido, mas aproveitem para pedir bondade ao Mundo”.

Patricia acredita que Ana Julia vai pagar pelo que fez, agradece as manifestações de apoio nesta altura tão difícil e pede que continuem “as mensagens de amor e não de raiva” contra a alegada autora do crime.

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