Jornalistas presas por filmarem protestos na Bielorrússia
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Correio do Pantanal

18 fev 2021 às 16:02 hs
Jornalistas presas por filmarem protestos na Bielorrússia
Katerina Andreyeva e Daria Chultsova foram condenadas a dois anos de prisão por filmarem protesto
Katerina Andreyeva e Daria Chultsova foram condenadas a dois anos de prisão por filmarem protestoFoto: Stringer / AFP

Jornalistas foram condenadas, esta quinta-feira, a dois anos de prisão na Bielorrúsia por filmarem protestos contra Lukashenko e incentivarem as pessoas a participar de forma em manifestações contra o Governo. Daria Shultsova, 23, e Katerina Bakhvalova, 27, ambas bielorrussas e correspondentes do Belsat, canal de televisão da oposição com sede na Polónia, foram detidas a 15 de novembro.

“Eu defendi-me, mostrando-lhes os factos, e colocaram-me na prisão na mesma”, afirmou Bakhvalova, na quarta-feira à noite, na sua última intervenção antes da deliberação do tribunal. As profissionais foram acusadas de incentivar a população a protestar através de vídeos, o que foi considerado um “atentado grave contra a ordem pública”.

As profissionais declararam-se inocentes e disseram terem sido “inventadas acusações”. “Não incitei ninguém, não me organizei, não exortei ninguém a cometer nenhum ato”, explicou. Além disso, argumentaram dizendo que “já havia uma multidão na praça [que aparece nos vídeos da manifestação] antes das filmagens terem sido feitas” e que, mesmo tendo filmado o protesto, o vídeo nunca poderia ter espoletado o aumento de cidadãos na manifestação, visto que o presidente ordenou um bloqueio de internet para o dia das eleições.

Os protestos em massa ocorreram em toda a Bielorrússia depois de Alexander Lukashenko conseguir a vitória numa eleição presidencial amplamente considerada como manipulada pela comunidade internacional. Alexander Lukashenko foi reeleito com cerca de 80% dos votos, algo que contrastou com os resultados de uma sondagem feita pela Belsat que apontava para uma percentagem de 7,8%. Apoiado pela Rússia, o presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994, esforçou-se para travar o movimento histórico, apesar das críticas e sanções internacionais.

Em entrevista ao Euronews, o presidente disse não permitir protestos em relação aos resultados das reeleições tendo como objetivo que o país não seja “despedaçado”.

Apesar dos fundamentos apresentados por Shultsova e Bakhvalova, os investigadores acreditaram que as filmagens feitas pelas jornalistas foram as causadoras da desordem da manifestação que levou à interrupção de 13 serviços de autocarro, entre outros meios de transporte. A Belsat já desmentiu essa possibilidade, mas confirma que a dupla foi notificada a pagar cerca de 3600 euros que, entretanto, já foram pagos pelos familiares.Partilhe este artigo no FacebookPartilhas1

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