Japão ofereceu um uísque de cinco mil euros a Pompeo, mas ninguém sabe onde está

Correio do Pantanal

7 ago 2021 às 23:07 hs
Japão ofereceu um uísque de cinco mil euros a Pompeo, mas ninguém sabe onde está
O antigo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo
O antigo secretário de Estado dos EUA, Mike PompeoFoto: AFP

Maria Campos06 Agosto 2021 às 13:21

O Departamento de Estado dos EUA está à procura de uma garrafa de uísque desaparecida. Não é um uísque normal, mas uma bebida japonesa oferecida pelo Japão a Mike Pompeo em 2019, com o valor de quase cinco mil euros.

Há cerca de dois anos, a 24 de junho de 2019, o Japão presenteou o então secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo com uma garrafa de uísque japonês de 5800 dólares (cerca de 4900 euros), de acordo com um documento tornado público esta semana

Pompeo estava, à época, na Arábia Saudita numa visita oficial, por isso não se sabe se o ex-secretário alguma vez chegou a receber a garrafa. Pompeo visitou o Japão no final daquela semana para a cimeira dos G20.

“Pompeo não se lembra de ter recebido a garrafa de uísque e não tem conhecimento do que lhe aconteceu. Também não tem conhecimento de nenhuma investigação sobre o seu paradeiro”, escreveu o seu advogado, William A. Burck, num e-mail citado pelo “The Washington Post”.

“O Departamento está a investigar o assunto e tem um inquérito em andamento”, lê-se em nota de rodapé.

A primeira destilaria de uísque do Japão foi inaugurada em 1923. As variedades japonesas ganharam notoriedade global desde então, sendo que algumas podem render milhares de dólares. A garrafa mais cara já vendida, uma Yamazaki de 55 anos, foi leiloada, no ano passado, por cerca de 795 mil dólares (cerca de 613 mil euros) em Hong Kong.

O Departamento de Estado está a investigar o desaparecimento
O Departamento de Estado está a investigar o desaparecimentoFoto: AFP

É ilegal aceitar presentes

As autoridades norte-americanas não podem aceitar presentes com valor superior a 390 dólares de Governos estrangeiros. Ainda assim, os líderes mundiais e diplomatas costumam apresentar sinais de agradecimento ao Presidente ou aos principais diplomatas.

“A não aceitação causaria constrangimento ao doador e ao Governo dos EUA”, lê-se no protocolo de divulgação de presentes a funcionários federais de Governos estrangeiros em 2019. Assim, os bens são aceites e tornam-se propriedade do Governo federal.

É o caso de uma cabeça de dragão de cerâmica, um banco de madeira e uma cópia abreviada da primeira edição de “A Segunda Guerra Mundial”, por Winston Churchill, todos presentes dados a Trump pelo presidente do Vietname, pelo presidente do Brasil e pela rainha de Inglaterra, respetivamente. Todos os objetos foram entregues aos Arquivos Nacionais. Porém, a localização do uísque japonês está listada como “desconhecida”.

O ato de dar e receber presentes diplomáticos é supervisionado pelo Gabinete do Chefe do Protocolo. Durante a administração Trump, o gabinete foi atormentado por alegações de má gestão, que resultaram num inquérito que descrevia um ambiente de gritos, pragas, “consumo excessivo de álcool” e comportamento intimidante e abusivo.

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