Índia está em dificuldades para cumprir contratos de produção de vacinas

Correio do Pantanal

20 mar 2021 às 21:14 hs
Índia está em dificuldades para cumprir contratos de produção de vacinas
Mais de 410 milhões de pessoas já foram vacinadas contra a covid-19
Mais de 410 milhões de pessoas já foram vacinadas contra a covid-19Foto: EPA/MATTEO BAZZI

Daniela JogoOntem às 12:52

Desde que a ciência encontrou uma arma para combater a covid-19, a indústria farmacêutica trabalha a todo o gás para produzir vacinas capazes de libertar o mundo das restrições causadas pelo vírus, mas a Índia, um dos maiores produtores mundiais, está a ter dificuldades em satisfazer as necessidades do mercado por falta de matéria-prima retida nos EUA.

Está em curso a maior campanha de vacinação da história, com a inoculação de milhões de pessoas contra o inimigo comum SARS-CoV-2. Mais de 400 milhões de pessoas já foram vacinadas contra a covid-19 e muitas dessas vacinas foram produzidas em laboratórios dos EUA, da União Europeia, China e na Índia. Um dos problemas a travar o avanço do processo é o facto de as farmacêuticas não conseguirem manter o ritmo de produção, por falta de matéria-prima ou material de apoio.

A Índia, um dos maiores produtores mundiais de vacinas, está a ter dificuldades em cumprir os compromissos de exportação. O Serum Institute da Índia (SII), que produz vacinas da Novavax e AstraZeneca, admitiu estar preocupado com a escassez de matérias-primas, porque os EUA, um dos maiores fornecedores de materiais para a produção, restringiu a exportação de determinados itens essenciais, como sacos, químicos e filtros. “A partilha destas matérias-primas vai tornar-se um fator limitativo crítico e até agora ninguém foi capaz de abordar esta questão”, disse o chefe executivo do Instituto, Adar Poonawalla, à BBC.

A lei marcial põe em causa a produção internacional

Segundo o Banco Mundial, os EUA são os maiores exportadores mundiais de materiais para vacinas. Em janeiro, Joe Biden invocou a Lei de Produção de Defesa, que confere ao líder americano poderes para mobilizar a economia nacional para os interesses do país, permitindo acelerar, internamente, a produção e distribuição da vacina, ao mesmo tempo que restringe a exportação de produtos essenciais. Esta mesma lei está a impedir a exportação de milhões de doses da vacina da AstraZeneca para Europa, numa altura em que os EUA ainda não a aprovaram para uso interno, ainda que a Casa Branca esteja a ponderar emprestar doses ao Canadá e ao México, tendo também recebido já um pedido do Brasil para ajudar o país nesta fase crítica.

Sarah Schiffling, especialista em cadeias de fornecimento de vacinas na Universidade John Moores, de Liverpool, Inglaterra, explicou à BBC a complexidade da cadeia de fornecimento farmacêutico e a dificuldade em encontrar novos canais de abastecimento, por serem produtos altamente específicos. As medidas dos EUA, garantiu, são tanto uma reação à escassez global como a sua causa: “Até certo ponto, a escassez seria inevitável para os materiais de qualquer tipo de produto que seja subitamente procurado em todo o mundo”.

O presidente da companhia farmacêutica indiana Biological E, Mahima Datla, disse ao “Financial Times” que o protecionismo americano “não só dificulta a expansão das vacinas contra a covid-19, mas torna o fabrico de vacinas comuns extremamente difícil”. Já Martha Delgado, subsecretária para assuntos Multilaterais e Direito Humanos do México, lembrou que os laboratórios mexicanos não estão a receber os filtros necessários para a produção das vacinas. Logo, a produção interna e a distribuição de vacinas fica aquém das expectativas.

Esta política de controlo da produção é considerada um dos fatores para a vacinação americana estar tão avançada.

ATENÇÃO: Comente com responsabilidade, os comentários não representam a opnião do Jornal Correio do Pantanal. Comentários ofensivos e que não tenham relação com a notícia, poderão ser retirados sem prévia notificação.

%d blogueiros gostam disto: