Icónica cópia de Guernica retirada da sede da ONU. Os Rockefeller quiseram-na de volta

Correio do Pantanal

28 fev 2021 às 19:02 hs
Icónica cópia de Guernica retirada da sede da ONU. Os Rockefeller quiseram-na de volta

António Guterres tentou demover a família Rockefeller, proprietária da tapeçaria, mas sem sucesso.

Em novembro de 2016, quatro meses antes da sua morte, David Rockfeller era recebido pelo secretário-geral
Em novembro de 2016, quatro meses antes da sua morte, David Rockfeller era recebido pelo secretário-geral da ONU Ban Ki Moon e mulher, Yoo Soon-taek, junto da tapeçaria emprestada pelo milionário e filantropo às Nações Unidas.© UN Photo/Eskinder Debebe

DN27 Fevereiro 2021 — 19:26

Aretirada pela família Rockefeller de uma tapeçaria instalada há mais de três décadas na entrada do Conselho de Segurança da ONU e que representava a obra Guernica, de Pablo Picasso, gerou comoção entre diplomatas e altos funcionários, noticia a AFP.

Após a organização anunciar na quinta-feira a retirada da obra pelo seu proprietário, Nelson Rockefeller Jr., o porta-voz da ONU Stéphane Dujarric lamentou no Twitter a decisão, bem como muitos diplomatas. “É realmente triste. Esta parede sem a tapeçaria não tem sentido. Essa obra, ao ser instalada em outro lugar, perderá muito de seu valor”, escreveu Dujarric.

A presença da tapeçaria, pela qual passavam regularmente presidentes, ministros e embaixadores no Conselho de Segurança, tinha o objetivo de chamar a atenção para a tragédia da guerra. Guernica, uma das obras-primas de Pablo Picasso é considerada uma das obras de arte, senão a obra de arte, com a mensagem antibélica mais poderosa.

A pintura está exposta no Museu Reína Sofia, em Madrid e na vila basca de Guernica, que sofreu o bombardeamento das forças nazis em 1937 que inspirou a obra, há também um mural a reproduzi-la.

O anúncio da retirada surpreendeu o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou Dujarric, que disse não ter recebido nenhuma explicação da família Rockefeller.

“O secretário-geral e outros tentaram manter a obra aqui, mas não conseguiram”, informou o porta-voz, numa conferência de imprensa. “Essa tapeçaria não era apenas uma lembrança comovente dos horrores da guerra, mas, por causa de onde estava, também foi testemunha de muita história que se desenrolou fora do Conselho de Segurança desde 1985.”

Encomendada em 1955 por Nelson Rockefeller, mais tarde governador de Nova Iorque e vice-presidente dos EUA, e tecida pelo ateliê da francesa Jacqueline de La Baume-Dürrbach, a tapeçaria foi cedida à ONU em 1984.

Presidentes, ministros e embaixadores que participavam nas reuniões do Conselho de Segurança passavam diante da peça rumo à sala de reuniões do órgão mais importante das Nações Unidas, responsável pela manutenção da paz no mundo.

A família Rockefeller doou os terrenos onde a sede das Nações Unidas foi construída. Em 2009, devido a obras de renovação no edifício, a tapeçaria foi transportada para a Fundação Rockefeller, onde se manteve até 2013. A família Rockefeller não comentou a decisão de reaver a peça.

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