12 ago 2017 às 06:09 hs
Rússia considera “muito elevado” o risco de confronto entre EUA e Coreia do Norte

EPA/BAGUS INDAHONO

Lavrov assegurou que a diplomacia do Kremlin fará os possíveis para evitar o início de um conflito e exortou Washington a dar o primeiro passo para diminuir a tensão

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, considerou hoje “muito elevado” o risco de um confronto militar entre os EUA e a Coreia do Norte, e recordou que Moscovo rejeita que Pyongyang possua armamento nuclear.

“Considero que o risco é muito elevado. Sobretudo tendo em consideração a atual retórica: são claras as ameaças sobre o uso da força”, disse Lavrov, segundo os ‘media’ locais’.

Após recordar que “a Coreia do Norte mantém a posição de ter direito a fabricar armas nucleares e que inclusivamente já as possui”, Lavrov reconheceu que Moscovo está “muito preocupada” com as ameaças de Washington sobre um possível ataque preventivo e as respostas agressivas de Pyongyang.

“Não cessam os comentários [nos Estados Unidos] sobre um ataque preventivo à Coreia do Norte e as afirmações provenientes de Pyongyang de que deve ser atacada a ilha de Guam, e isso é algo que nos preocupa muito”, assinalou.

Lavrov assegurou que a diplomacia do Kremlin fará os possíveis para evitar o início de um conflito e exortou Washington a dar o primeiro passo para diminuir a tensão.

“Quando a situação caminha praticamente para um confronto, deve ser o mais forte e mais bem preparado quem deve dar o primeiro passo para se afastar dessa perigosa linha”, sublinhou, numa referência aos Estados Unidos.

O ministro russo recordou ainda que a Rússia e a China propuseram no início de julho “um plano muito sensato” que sugere o “duplo congelamento” por parte do regime de Pyongyang de todos os ensaios de armas nucleares e mísseis balísticos, e por parte dos EUA e Coreia do Sul das suas manobras militares conjuntas em larga escala.

Numa referência às manobras, referiu que “a Coreia do Norte utiliza-as constantemente como pretexto para efetuar ensaios”, que os EUA referem estarem proibidos pelo Conselho de Segurança da ONU, o que não sucede com os exercícios militares.

Em simultâneo, recordou o caso do Iraque, país que os Estados Unidos acusaram de possuir armas de destruição massiva, e apesar de não terem sido detetadas o líder iraquiano Saddam Hussein acabou por ser derrubado em 2003, e o país mergulhou no caos.

“E o que ocorreu com [o líder líbio Mummar] Kadhafi é conhecido, Por isso, quando falamos com alguns países (…), dizem-nos em voz baixa: reparem, os iraquianos e líbios renunciaram às armas nucleares e vejam o que fizeram com eles”, frisou.

Lavrov considerou que esta posição tem direito a existir, mas Moscovo considera “incorreto” pensar que a única forma de garantir respeito no mundo atual seja possuir armamento nuclear.

“Conhecem a nossa posição: consideramos inaceitável que a Coreia do Norte seja [uma potência] nuclear, que possua armas nucleares”, insistiu, exprimindo ainda confiança que “de todas as formas, o senso comum perdure” entre Washington e Pyongyang.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou hoje a ameaçar a Coreia do Norte e disse que a opção militar está pronta para ser acionada.

“As soluções militares estão plenamente operacionais, preparadas e armadas, para o caso de a Coreia do Norte se comportar imprudentemente. Espero que Kim Jong-un [líder da Coreia do Norte] opte por outro caminho”, escreveu na sua conta na rede social Twitter.

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