11 out 2017 às 08:36 hs
ONU aponta migrações forçadas e tratamento dado a migrantes como causas da fome

Fonte: Agência Brasil

O encontro, que também contou com a participação de autoridades dos governos federal e do Distrito Federal, é um dos eventos programados para o Dia Mundial da Alimentação, celebrado na próxima segunda-feira (16).

De acordo com o representante da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic, os números da parcela da população mundial com alimentação escassa observados na década de 90 melhoraram em 20 anos, passando de 1 bilhão para 780 milhões de pessoas, conforme levantamento de 2015.

Bojanic ressaltou que, apesar disso, em um contexto de migrações involuntárias, as mudanças climáticas, a violência e a situação econômica de países como Somália e Síria acentuam a insegurança alimentar de diversos grupos e ameaçam a meta de erradicar a fome até 2030, estipulada pela ONU.

Ainda segundo Bojanic, mais de 75% dos 815 milhões de pessoas que lutavam contra a insegurança alimentar no ano passado viviam no campo. Daí a importância de investir na agricultura familiar, responsável pelo fornecimento de 70% dos alimentos de todo o mundo.

Para Bojanic, a mitigação dessa insegurança e o desenvolvimento sustentável podem ser alcançados com a mediação dos conflitos por terra, a regularização fundiária, o aperfeiçoamento das capacidades dos imigrantes que recebem e a oferta de oportunidades agrícolas e não agrícolas. “O que é ruim é a migração forçada. Os imigrantes levam conhecimento, força de trabalho. Somos favoráveis à migração feita de maneira ordenada”, afirmou no evento.

O representante da FAO informou que, em 2015, os imigrantes remeteram aos parentes que ficaram no país de origem US$ 600 bilhões, o que revela outro ângulo de sua força motriz no âmbito da economia. Desse valor, US$ 441 bilhões foram destinados a países em desenvolvimento.

“Globalização da indiferença”

O secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, destacou que, naquele ano, 65,3 milhões de pessoas foram impelidas a se deslocar, dos quais 21 milhões foram refugiados. “É a globalização da indiferença, como afirma o papa Francisco. Estamos bem e comodamente instalados, esquecendo-nos, certamente, dos outros. Não nos interessam seus problemas, as injustiças que sofrem”. “Pode um imigrante chegar à sua realização da forma como é acolhido?”, questionou dom Leonardo.

Em 2015, 244 milhões de pessoas passavam por processos migratórios, sendo 95 milhões ocasionados por desastres naturais. O número representa 40% a mais do que o registrado em 2000, quando 60 milhões foram forçados a mudar de território.

O Instituto Ipsos ouviu, em julho, mais de 17 mil adultos de 25 países sobre como veem os imigrantes e divulgou o resultado no mês passado. Quase metade dos entrevistados (42%) disseram que encaram “o impacto gerado” por imigrantes como negativo, contra 21% que consideram positivo e 34% que julgam “neutro”. Informações da Polícia Federal indicam que o Brasil abriga 1.847.274 imigrantes regulares.

Se, por um lado, os grupos de produtores rurais, em grande parte formados por imigrantes, estão particularmente vulneráveis a desastres naturais, porque mais expostos ao esgotamento de recursos naturais e às secas, são, por outro lado, como assinalou Steiner, quem leva às mesas alimentos mais saudáveis, através da agricultura familiar. “Alimentos impregnados de agrotóxicos podem servir ao mercado, mas não são alimentos seguros”, disse.

Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e no Caribe 2017, publicado hoje pela ONU e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), informa que o Brasil, que deixou de figurar no Mapa da Fome em 2014, é um dos países capazes de extinguir a fome entre sua população. O bom presságio ocorre diante de um índice de fome inferior a 2,5%, mantido ao longo dos últimos anos e garantido por políticas públicas que, por recomendação das duas entidades, devem ser conservadas.

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