9 dez 2018 às 20:11 hs
O que se sabe sobre desaparecimento de avião com indígenas na Floresta Amazônica

Por G1 AP — Macapá

 


Buscas por aeronave na Floresta Amazônica completa uma semana; área onde vivem os índios é de difícil acesso — Foto: Divulgação/Grayton Toledo/Governo do AmapáBuscas por aeronave na Floresta Amazônica completa uma semana; área onde vivem os índios é de difícil acesso — Foto: Divulgação/Grayton Toledo/Governo do Amapá

Buscas por aeronave na Floresta Amazônica completa uma semana; área onde vivem os índios é de difícil acesso — Foto: Divulgação/Grayton Toledo/Governo do Amapá

Este domingo (9) completa uma semana que o avião monomotor, de prefixo PT-RDZ, que transportava sete pessoas de uma família de índios Tiriyó, além do piloto, desapareceu na Floresta Amazônica. A viagem, que partiu no domingo (2) e fez a última comunicação às 12h06, foi contratada pelos indígenas para fazer o trajeto entre a aldeia Matawaré, no Parque do Tumucumaque, e o município amapaense de Laranjal do Jari. As buscas continuam.

A região é de difícil acesso e o transporte aéreo é a única forma de se chegar as aldeias. Em função da geografia da região, a maior parte do trajeto é feito em território paraense, pela cidade de Almeirim.

Local de sumiço de avião na Floresta Amazônica — Foto: Arte/G1Local de sumiço de avião na Floresta Amazônica — Foto: Arte/G1

Local de sumiço de avião na Floresta Amazônica — Foto: Arte/G1

1º dia de buscas – confirmação do desaparecimento

A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou o desaparecimento na segunda-feira (3). De acordo com o órgão, a provável área do desaparecimento do avião fica em Almerim, no Pará, a 23 quilômetros ao norte da aldeia Bona, que possui uma pista de pouso construída pela Força Aérea Brasileira (FAB) na década de 1960, e que poderia ser utilizada para pouso de emergência.

A FAB anunciou o início das buscas ao avião, que estão sendo feitas por uma aeronave C-130 coordenada pelo Salvaero de Manaus, no Amazonas. A rota compreende o ponto em que os radares identificaram a posição da aeronave desaparecida pela última vez e o local onde deveria ocorrer o pouso.

Avião com indígenas cai em área isolada no Parque do Tumucumaque

Avião com indígenas cai em área isolada no Parque do Tumucumaque

2º dia de buscas – voo clandestino

No dia 4 de dezembro (terça-feira), a Funai caracterizou como “clandestino” o voo e informou que a aeronave transportava pelo menos sete indígenas. A falta de pistas autorizadas na região e a não comunicação da viagem, segundo a Funai, apontam a irregularidade.

Além do piloto, pelo menos sete indígenas estavam no voo, enquanto a capacidade máxima permitida seria de seis passageiros, de acordo com o registro do monomotor na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

“Parece que a palavra é forte, mas se um voo não é registrado na área de comando e controle do voo, ele é clandestino, não existe oficialmente. Uma busca cega, temos uma possível referência da área, de um polígono e se houvesse o registro a autoridade competente da Aeronáutica desse voo talvez as buscas tivessem alcançado sucesso e terem iniciado rapidamente ao primeiro sinal do sumiço da aeronave”, explicou Marcos Velho, chefe de gestão ambiental e territorial da Funai.

Tempo chuvoso prejudica as buscas ao avião desaparecido na Amazônia

Tempo chuvoso prejudica as buscas ao avião desaparecido na Amazônia

3º dia de buscas – chuvas prejudicam buscas

4º dia de buscas – identificação dos passageiros

Na quinta-feira (6), a Funai confirmou identidades e disse que voo foi fretado para resolução de pendências bancárias e compra de alimentos em Macapá, no Amapá. Ao todo eram sete viajantes, além do piloto. A bordo estava uma família de índios Tiriyó: professor, esposa e três filhos, uma aposentada e o seu genro. Além do piloto, Jeziel Barbosa de Moura, que tem mais de 30 anos de experiência.

De acordo com Kutanan Waiana, da coordenação executiva da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará, a contratação de pequenos aviões para transporte entre aldeias é comum na região, com viagens que custam entre R$ 3 mil e R$ 10 mil.

5º dia de buscas

A FAB dá sequência às buscas, mas não consegue identificar a aeronave.

Sataraki Akuriyó, filho de índia que vinha no voo para o Sul do Amapá — Foto: Rede Amazônica/ReproduçãoSataraki Akuriyó, filho de índia que vinha no voo para o Sul do Amapá — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Sataraki Akuriyó, filho de índia que vinha no voo para o Sul do Amapá — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

6º dia de buscas – família de índios se pronunciam

Após seis dias sem notícias ou indícios, a tristeza e a aflição tomam conta dos parentes dos sete indígenas e do piloto do avião que está desaparecido. Em Macapá, numa casa de apoio para indígenas, está Sataraki Akuriyó, que acompanha pelo rádio as informações sobre as buscas, todas sem resposta. Ele é filho da passageira mais velha do voo, uma índia aposentada que viria para a capital para resolver pendências previdenciárias de rotina.

O filho aumentou a preocupação após receber informações de que as buscas poderiam ser suspensas. A FAB descartou a possibilidade e confirmou que a procura com a ajuda de um avião e um helicóptero prosseguem normalmente.

“Estão dizendo no rádio, que eles [FAB] querem parar as buscas. Quero que continuem até achar minha mãe e meu parente. Muito difícil falar disso, porque a única coisa que ouvi foi isso. Minha mãe não vou ver mais, por isso queria encontrar ao menos o avião ou o corpo falecido. Desde que eles caíram estou sofrendo muito”, limitou-se a dizer Akuriyó, bastante abalado.

Buscas são feitas por avião e helicóptero da Força Aérea Brasileira — Foto: Rede Amazônica/ReproduçãoBuscas são feitas por avião e helicóptero da Força Aérea Brasileira — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Buscas são feitas por avião e helicóptero da Força Aérea Brasileira — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Pistas de pouso irregulares

Para a Articulação dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará, a falta de regularização das pistas na região precariza a situação das viagens.

As mesmas pistas são usadas, além das viagens particulares, em voos para atendimentos de saúde e sociais, coordenados pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei). A necessidade de regularização motivou uma ação do Ministério Público Federal (MPF) que exige da Anac a não cobrança para homologação desses espaços.

Em novembro, a Justiça Federal determinou que a Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac) está impedida de cobrar taxas ou qualquer valor para registro ou regularização de pistas de pouso localizadas em áreas indígenas.

De acordo com o MPF, em todo o Brasil existem 249 pistas de pouso não regularizadas em terras indígenas. No Amapá são 17 pistas irregulares, usadas pro transporte de profissionais da saúde, da educação e dos próprios indíos.

O MPF calcula que os custos pra regularizar as pistas em terras indígenas girem em torno de R$ 11 milhões. A Funai e a Secretaria de Saúde Indígena alegam que não tem orçamento pra executar esses projetos.

7º dia de buscas

G1 solicitou informações atualizadas da Força Aérea Brasileira (FAB) neste domingo (9), que ficou de encaminhar.

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