14 nov 2017 às 07:01 hs
O estranho caso da estrela zombie

Representação artística do pó libertado pela explosão de uma supernova

  |  ESO/M. KORNMESSER

Há uma supernova que explodiu em 2014 e ainda não se apagou. Tem ganhado e perdido brilho ciclicamente nos últimos três anos

Chama-se iPTF14hls. Mas o mais impressionante é que se trata de uma estrela morta-viva. A descoberta, publicada na revista Nature, mostra que esta supernova já terá explodido pelo menos duas vezes nos últimos 50 anos. Só desde a última explosão, em 2014, já perdeu e ganhou brilho uma série de vezes.

A equipa de astrónomos que procurava analisar a luz resultante da explosão de estrelas foi surpreendida quando percebeu que esta voltou à vida. A análise à explosão, de setembro de 2014, mostrou que a explosão foi do tipo II-P supernova e tudo o resto (a análise à velocidade e composição química do material libertado na explosão) parecia normal. Até que, uns meses mais tarde a supernova começou a ganhar brilho outra vez.

Por norma, explica o Instituto Carnegie, instituição da qual fazem parte dos dois astrónomos que fizeram a descoberta, em explosões como a registada, as estrelas ficam brilhantes até 100 dias depois do evento. Porém, a iPTF14hls manteve-se brilhante mais de 600.

E não é tudo: já tinha sido registada uma explosão no mesmo local, em 1954. Os cientistas ainda não sabem explicar como, mas a verdade é que mais de 50 anos depois, a mesma estrela voltou a explodir (o que devia ter determinado a sua morte), em 2014, e mantém-se viva. As supernovas explodem apenas uma vez, permanecem brilhantes uns meses e depois desaparecem para sempre.

“Esta supernova contradiz tudo o que sabemos sobre o seu funcionamento”, referiu Iair Arvaci, coordenador da investigação, no comunicado do Instituto Carnegie.

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