8 ago 2018 às 10:55 hs
Cinco presidenciáveis apresentam em SP propostas sobre tecnologia e inovação.

João Amoêdo (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) responderam a perguntas no evento GovTech Brasil, em São Paulo.


Por Vivian Reis, G1 SP, São Paulo

João Amoêdo (NOVO), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE) participaram de evento GovTech Brasil, em São Paulo (Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo e Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo)João Amoêdo (NOVO), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE) participaram de evento GovTech Brasil, em São Paulo (Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo e Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo)

João Amoêdo (NOVO), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE) participaram de evento GovTech Brasil, em São Paulo (Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo e Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo)

Cinco candidatos à Presidência da República apresentaram nesta terça-feira (7) suas agendas de inovação e tecnologia para os próximos quatro anos no GovTech Brasil, em um evento organizado em São Paulo pela aceleradora de startups BrazilLAB e pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS).

Sem debate, os presidenciáveis João Amoêdo (Novo)Guilherme Boulos (PSOL)Henrique Meirelles (MDB)Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) concederam entrevistas individuais de vinte minutos ao empresário e apresentador Luciano Huck no GovTech Brasil, que ocorreu no hotel Tivoli Mofarrej, região da Avenida Paulista.

De acordo com a assessoria de imprensa do evento, os candidatos que têm a partir de 1% de intenções de voto foram convidados – Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (vice na chapa de Lula, do PT) e Álvaro Dias (Podemos) mas não puderam comparecer por compromissos previamente agendados.

Este é o primeiro evento reunindo presidenciáveis na cidade de São Paulo após o fim do prazo para os partidos definirem os candidatos à Presidência em convenções nacionais.

Veja abaixo o que cada um dos candidatos disse na ordem das apresentações:

João Amoêdo (NOVO)

João Amoêdo, participa de uma mesa com presidenciáveis que encerra a primeira edição do GovTech Brasil (Foto: Suamy Beydoyn/Agif/Estadão Conteúdo)

João Amoêdo, participa de uma mesa com presidenciáveis que encerra a primeira edição do GovTech Brasil (Foto: Suamy Beydoyn/Agif/Estadão Conteúdo)

Inovação – João Amoêdo afirmou que a inovação pode ser usada para mudar a política hoje, dando mais liberdade e autonomia para as pessoas que a plataforma de governo tem que funcionar pela prestação de serviços. “O cidadão por meio da identidade digital, que inclua todas as informações dela. O título de eleitor, por exemplo, digitalizado? Na verdade, deveria ter um documento único. Uma identificação para pessoa física e jurídica. Isso vai beneficiar a área da Saúde – desde o prontuário eletrônico até a marcação de exames, passado pelas receitas. Isso vai ajudar a desburocratizar, um problema que gera tanto custo, especialmente aos mais pobres”, disse o candidato do NOVO.

Tecnologia – Amoêdo disse que mudança da tecnologia representa uma mudança de poder, que tira da burocracia e dá ao cidadão. Ele diz que pode fazer parcerias público-privadas para implementar a tecnologia. “A parceria público-privada é boa. Prefiro porque o governo tem ineficiência, mas poderia se encarregar da infraestrutura enquanto a iniciativa privada se encarrega do software.”

Produtividade – Amoêdo considera que “é preciso prensar em tudo que que puder ser feito para aumentar a produtividade e a geração de riqueza, produzir mais com menos, e sem a preocupação de que essa mudança seja gradual”. “Até a década de 1980, nossa produtividade era igual à da Coreia do Sul. Nos últimos 30 anos, contudo, a produtividade aqui parou e a Coreia disparou. Estamos muito atrasados. A melhor forma de recuperar esse gap é por meio da tecnologia.”

Identidade digital – O candidato disse que na Índia conseguiram identidade digital para 1,1 bilhão de pessoas e que o Brasil precisa seguir pelo mesmo caminho. “Tem que ter a identidade digital, que funcionaria para uma série de coisas – transporte, medicina… Sem isso, temos que lembrar que a vida de quem mais será afetada é dos mais pobres.”

Guilherme Boulos (PSOL)

O candidato à presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, participa nesta terça-feira (7), do GovTech Brasil (Foto: Aloisio Mauricio/Foto Arena/Estadão Conteúdo)

O candidato à presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, participa nesta terça-feira (7), do GovTech Brasil (Foto: Aloisio Mauricio/Foto Arena/Estadão Conteúdo)

Identidade digital – Guilherme Boulos disse que é a favor da implementação da identidade digital. “É preciso uma unificação dos documentos e, a partir daí, fazer uma ouvidoria, usar a tecnologia como forma de participação e consulta das pessoas. Seguramente, hoje no país, se pudessem fariam isso pelo celular, que está em maior número do que a própria população. As pessoas precisam participar da decisões – metade daqueles que compõem o Congresso já estariam fora de lá. Há formas de participação que precisam ser valorizadas”, disse o candidato do PSOL.

Tecnologia – Boulos afirmou que é preciso a universalização da internet no país. “Estive no Acre, no Mato Grosso do Sul, no Pará. Não há sinal de internet em lugares desses estados. Aqui também, na verdade. Quem não sabe o que é ir pra sala, pro banheiro para conseguir sinal? Precisamos universalizar o acesso, que inclusive está previsto no marco civil.”

Investimentos – Boulos afirmou que o investimento em tecnologia nos Estados Unidos é feito com dinheiro público. “O Iphone foi criado com dinheiro público, não foi a Apple que financiou a pesquisa. A ciência e a tecnologia no mundo vêm do investimento público. No Brasil, hoje, menos de 1% do PIB é destinado à Ciência e Tecnologia”. Para ele, é preciso destinar o investimento público para sair da crise, combater desigualdades e também para alcançar inovação. “Acreditar que o setor privado é a panaceia que vai resolver tudo; eu não compartilho dessa ideia.”

Empregos – O candidato disse que nem tudo que é tecnologia é necessariamente bom. “A tecnologia deve servir às pessoas. O que não dá é substituir empregos por tecnologia; não pode simplesmente implementar porque é mais barato para o setor privado e deixar as pessoas a sua própria sorte. O debate não é simplesmente substituir postos de trabalho por tecnologia. É preciso avaliar como a tecnologia pode servir em cada caso.”

Henrique Meirelles (MDB)

O candidato à presidência da República pelo MDB, Henrique Meirelles, participa nesta terça-feira (7), do GovTech Brasil (Foto: Aloisio Mauricio/Foto Arena/Estadão Conteúdo)

O candidato à presidência da República pelo MDB, Henrique Meirelles, participa nesta terça-feira (7), do GovTech Brasil (Foto: Aloisio Mauricio/Foto Arena/Estadão Conteúdo)

Tecnologia – Henrique Meirelles disse que seu plano sobre a tecnologia inclui digitalizar o governo federal. “Como ministro fiz projetos importantes, como a digitalização de todas as operações da receita federal. Temos o problema da complexidade burocrática. A quantidade de horas gastas em pagamento é gigante – precisamos trazer facilidade, rapidez, transparência. Depois estender à toda a sociedade”, afirmou o candidato do MDB.

Integração – Meirelles destacou a necessidade de integrar todo o governo em um único sistema. “Têm muitos sistemas que não estão conectados, e expandir para toda sociedade em diversas áreas. Por exemplo – um cartão nacional, uma identidade, inclusive com histórico médico. Uma operação sigilosa, com senha, de maneira que quando você entre no posto de saúde, você tem acesso a tudo que consta no seu histórico e de maneira conectada aos laboratórios, e até à carteira de motorista.”

Identidade digital – O candidato destacou que atualmente o governo federal tem 48 apps que o cidadão tem que ter para se relacionar. “Você pega os documentos digitais, são 6. Nenhuma sinergia, ao invés de copiar modelos que funcionam, considerando que a qualidade do serviço deveria ser o ponto de partida. Temos uma serie de aplicativos feitos por cada ministério. Precisamos de algo unificado, centralizado, único. Para isso precisa de um geek como presidente.”

Educação – O candidato do MDB disse que é preciso um incentivo para o desenvolvimento, um ensino voltado para isso. “Precisamos de um modelo especifico para o Brasil de maneira que a tecnologia possa nos permitir um salto de crescimento na educação, na saúde, na segurança, na produtividade. Isso tem que ser uma política de desenvolvimento, precisa ter um gabinete digital.”

Geraldo Alckmin (PSDB)

O candidato à presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, participa nesta terça-feira (7), do GovTech Brasil (Foto: Aloísio Mauricio/Foto Arena/Estadão Conteúdo)

O candidato à presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, participa nesta terça-feira (7), do GovTech Brasil (Foto: Aloísio Mauricio/Foto Arena/Estadão Conteúdo)

Inovação – Geraldo Alckmin disse que sua proposta é de que o Brasil volte a crescer, simplificar, desburocratizar, destravar a economia; “Não tem como fazer sem agenda digital. Essa não é uma questão de ministério. O Brasil tem 17 mil km de fronteira seca. Sem tecnologia é impossível monitorar isso. Então precisa ser implementado na segurança, na saúde, na educação, visando redução de custos e de ser uma vacina contra desvios. Vai ajudar a melhorar a prestação de serviços, a avaliação, a eficiência”, disse o candidato do PSDB.

Identidade digital – Alckmin defendeu a criação de uma identidade única para que dela, um documento só, tenha todas as informações. “Eu diria que é uma mudança cultural. O Brasil tem uma cultura de cartório. Uma cultura do carimbo, do selo, do documento. Temos que mudar essa cultura.”

Emprego – Para Alckmin, a tecnologia com um país dessas dimensões tem valor inestimável, gera mais empregos, mais oportunidade, estimula startups. “É preciso integrar universidades e academia. E temos excelentes exemplos. Nosso tempo é o da mudança e da velocidade da mudança.”

Parcerias – O candidato destacou ser favorável à parceria público-privada para o desenvolvimento de sistemas de tecnologia para a sociedade. “Sou fã de concessão e PPP. O estado precisa planejar, regular, fiscalizar. Não precisa ser empresário. Fica mais forte assim. Estabelece as prioridades, os marcos regulatórios, sem partido. A PPP é um bom caminho.”

Marina Silva (REDE)

A candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, participa de uma mesa com presidenciáveis que encerra a primeira edição do GovTech Bras (Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo)

A candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, participa de uma mesa com presidenciáveis que encerra a primeira edição do GovTech Bras (Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo)

Tecnologia – Marina Silva afirmou que a tecnologia deve ser usada para ter o estado aberto e transparente, para que as pessoas sintam que é mais acessível do que só disponibilizar informações e dados. “São informações e dados utilizados a partir da boa gestão, com combate a toda e qualquer forma de desvio. A tecnologia tem que impulsionar os serviços para que sejam mais acessíveis e de qualidade É possível implementar a tecnologia nas áreas da segurança, saúde, em ações de combate aos crimes ambientais, na detecção de desmatamento, na proteção da biodiversidade, no envolvimento da sociedade em diferentes níveis”, disse a candidata da REDE.

Identidade digital – Para Marina, com a identidade digital o cidadão pode se identificar na sociedade e ser atendido em várias necessidades. Ela destaca a necessidade se criar um programa de integração das diferentes iniciativas que se usa nos serviços do governo. “Algo capaz de potencializar as ações, capaz de associar toda essa tecnologia de forma simples, com pessoas reais, criando um sistema de alerta em enchentes, em incêndios. Um celular pode mandar informação e isso torna mais ágil o socorro, evitando ou auxiliando no atendimento de catástrofes ambientai, deslizamentos.”

Transparência – A candidata disse que a tecnologia deve disponibilizar dados como por exemplo sobre o desmatamento da Amazônia para universidades e ONGs, mesmo que isso possa gerar constrangimento ao governo. “É a tecnologia à serviço da proteção do meio ambiente, da ética na política, do cidadão”, disse. “A Amazônia não espera, as mudanças climáticas não esperam. Vai depender da urgência de cada caso, dos melhores custos, serviços, produtos, materiais em benefício da sociedade.”

Informação – Marina disse que “a profusão de dados se tornou um recurso de primeira necessidade e é preciso lidar com isso, com poucos tendo controle dessa informação. É preciso segurança, a proteção dos indivíduos, pois são informação que poderiam ser usadas para interesses escusos”. “Trabalhamos com a ideia de criar um sistema para proteger os cidadãos. É desejável uma base integrada, mas proteger o cidadão, sem deixá-lo vulnerável.”

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