Entrevista com o Comandante do 47º BI Tenente Coronel Wanderlino

Correio do Pantanal

28 jun 2021 às 08:07 hs
Entrevista com o Comandante do 47º BI Tenente Coronel Wanderlino
O Comandante do 47º BI concedeu uma entrevista exclusiva ao Correio do Pantanal.
Leia na integra.

1) Como é comandar o 47º BI? Quais as maiores dificuldades encontradas e
quais os momentos de satisfação de dever?
Ser designado para comandar o 47º Batalhão de Infantaria, Batalhão Sertanista
Domingos Gomes Beliago, foi uma grande honra para mim. O comando impõe,
diariamente, o desenvolvimento da capacidade de liderança. As atividades impostas ao
Batalhão exigem planejamentos precisos, flexibilidade, gestão de recursos públicos com
eficiência e eficácia, a manutenção das relações institucionais e a superação de
obstáculos. Esse cenário, por si, já demonstra o grau de complexidade que envolve
comandar uma Unidade operativa do Exército Brasileiro, com a missão de contribuir
efetivamente para a manutenção da soberania nacional, particularmente na fronteira
Oeste. Contudo, acredito que não exista, para o profissional das Armas, maior satisfação
pessoal que manter a sua sociedade segura e estável, corroborando para o crescimento
de sua Nação.
2) Qual o histórico do 47º BI ao longo destes 45 anos de existência?
Essa pergunta é fundamental! O 47º Batalhão de Infantaria possui em sua história
fatos de relevância nacional e internacional que devem ser cultuados por todos,
particularmente pela sociedade da cidade de Coxim. Faço a ressalva, em relação ao
município sede do Batalhão, devido a maior parcela de seus integrantes serem da cidade
de Coxim. Tal situação promove laços indissolúveis entre a cidade e o Batalhão.
O 47° Batalhão de Infantaria (47º BI), “O Guerreiro Pantaneiro”, foi criado por
Decreto Presidencial, em 7 de novembro de 1975, sendo efetivamente implantado em
Coxim em 1° de janeiro de 1976. Seu núcleo formador foi a 3ª Companhia de Fuzileiros
do 42° Batalhão de Infantaria Motorizado, então sediado em Goiânia-GO. Inicialmente,
estruturou-se como uma organização militar do Tipo I, por possuir apenas a 1ª
Companhia de Infantaria. Originariamente, era subordinado à 2ª Brigada Mista (atual
18ª Brigada de Infantaria de Fronteira), sediada em Corumbá-MS e à 9ª Região Militar,
sediada em Campo Grande-MS. Em 10 de abril de 1986, conforme publicado no
Boletim Nr 004, de 24 de janeiro de 1986, do Comando Militar do Oeste e 9ª Região
Militar, passou a subordinar-se à 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, sediada em
Cuiabá-MT e ao Comando Militar do Oeste, sediado em Campo Grande-MS. Em 1° de
janeiro de 1993, o Batalhão passou, novamente, à subordinação da 18ª Brigada de
Infantaria de Fronteira e, em 2 de dezembro de 1994, retornou à subordinação da 13ª
Brigada de Infantaria Motorizada. Em 1995, com a criação da 2ª Companhia de
Fuzileiros, passou a ser um batalhão Tipo II. Em 24 de julho de 2000, o 47° BI recebeu
a designação de Força de Ação Rápida do Comando Militar do Oeste, passando a fazer
parte do seleto grupo de unidades do Exército Brasileiro para as quais é atribuída a mais
alta prioridade, em face da necessidade de estarem prontas para o emprego em qualquer
parte da área de responsabilidade dos Comandos Militares de Área a que pertencem. Em
fevereiro de 2003, o 47° BI foi transformado em Organização Militar Tipo III, sendo
seu efetivo ampliado com a criação da 3ª Companhia de Fuzileiros. Em abril de 2006, o
Batalhão foi designado para ser a base do 6° Contingente da Missão das Nações Unidas
para Estabilização no Haiti (MINUSTAH), embarcando em dezembro para aquele País
um efetivo de 205 (duzentos e cinco) militares que regressaram em junho de 2007.Em agosto de 2010, participou mais uma vez da MINUSTAH, nesta oportunidade
compondo uma companhia de fuzileiros do 2° Batalhão do 13° Contingente,
embarcando um efetivo de 180 (cento e oitenta) militares e que regressaram em março
de 2011. Neste mesmo ano, por intermédio da Portaria Nr 316, de 30 de maio de 2011,
do Comandante do Exército, o Batalhão retornou à subordinação da 18ª Brigada de
Infantaria de Fronteira – “Brigada Ricardo Franco”. Em maio de 2013, participou pela
terceira vez da MINUSTAH, desta vez compondo a 2ª Companhia de Fuzileiros de
Força de Paz do 18° Contingente com efetivo de 76 militares, regressando em
novembro de 2013. Em 2014, o 47° BI participou da Segurança dos Jogos da Copa do
Mundo 2014 na cidade de Cuiabá, no período de 28 de maio a 25 de junho de 2014,
integrando a Força Terrestre Componente com o efetivo de 231 militares. Nesta
oportunidade o 47° BI cumpriu sua missão em duas fases, sendo empregado na 1ª fase
(de 28 de maio até 10 de junho) como Força de Contingência e na 2ª fase na Garantia
das Infraestruturas Estratégicas da cidade de Cuiabá, fundamentais para a realização e
transmissão dos Jogos da Copa do Mundo de 2014. Em 2016, por intermédio da
Portaria Nº 1.505, de 10 de novembro de 2016, o 47º BI recebeu a denominação
histórica de “BATALHÃO SERTANISTA DOMINGOS GOMES BELIAGO”, uma
vez que Arraial do Beliago (hoje Coxim) foi fundado por Domingos Gomes Beliago
para prestar apoio às Monções, e estas contribuíram para fixação da fronteira Oeste. Em
2020, a 3ª Sgt Isabella Resende de Carvalho foi a primeira mulher do 47º Batalhão de
Infantaria e a segunda mulher integrante da Força Terrestre a concluir o Estágio de
Operações no Pantanal (EOPan).
3) Durante o seu comando quais benefícios o 47ºBI prestou a Coxim?
Estou no comando da Unidade a, aproximadamente, seis meses. Neste tempo, o 47º
Batalhão de Infantaria desenvolveu, ativamente, o apoio à sociedade de Coxim. Dentre
as ações realizadas pode-se destacar: apoio ao combate do Aedes Aegypti, a realização
de diversas campanhas de doação de sangue voluntárias por militares ao hemocentro, a
descontaminação do COVID 1-19 da agência dos Correios, apoio logístico aos Órgãos
de Segurança Pública, inspeção em lojas de produtos controlados, distribuição de mais
de 500 cestas básicas à população carente, realização de Ações Cívico Sociais (ACISO)
colocando à disposição da população o atendimento médico e odontológico, bem como
a distribuição de medicamentos, apoio à limpeza da escola Estadual Silvio Ferreira,
campanha de conscientização ambiental e recolhimento do lixo nas margens do rio
Taquari, arrecadação de alimentos para distribuição aos mais necessitados, doação de
medicamentos para o Hospital Regional, desenvolvimento do civismo, capacitação de
jovens que irão retornar a sociedade após o serviço militar, fortalecimento de valores
morais, etc. Cabe ressaltar o benefício à economia local promovida pela abertura de
mais de 500 empregos diretos e a contribuição indireta por meio de contratação e
compras no comércio local. O Batalhão é responsável por, aproximadamente, 10% do
Produto Interno Bruto do município de Coxim, sendo vetor impulsionador do
desenvolvimento regional. No campo psicossocial, o Batalhão tem buscado integrar
seus quadros com as instituições educacionais da cidade, promovendo o
desenvolvimento de projetos voltados à preservação e conservação do meio ambiente. A
Unidade encontra-se aberta à realização de estágios curriculares aos alunos da rede de
ensino superior e técnico, facilitando a vida dos discentes. Encontra-se em andamento o
Projeto Foça no Esporte (PROFESP) que atende 100 crianças carentes. Devido à
pandemia COVID-19, as atividades do referido projeto estão sendo voltadas à
distribuição de cestas básicas. O Batalhão tem levado a cidade de Coxim e sua história para todo território nacional, por meio da adoção de sua denominação Batalhão
Sertanista Domingos Gomes Beliago, considerado o fundador do Arraial do Beliago,
hoje Coxim. A Organização Militar é integrada por representação significativa de todos
os estados da federação. Tal situação divulga a cidade de Coxim para todo país,
contribuindo para a sua visibilidade nacional.
4) Que projetos o senhor tem para o 47º BI até o final de seu comando?
Os projetos visualizados para o 47º Batalhão de Infantaria são oriundos de seu
plano de gestão que busca, por meio de seu planejamento estratégico, atender a visão de
futuro de seu comandante para o 47º BI no ano de 2030. Já trabalhamos com a visão
preditiva de 9 anos, sendo amparada em metodologia elaborada por seu comandante e
apoiada em algoritmos preditivos. Desta forma, ao longo de meu comando serão
atendidas as áreas de cultura, desenvolvimento social, proteção ambiental, otimização
administrativa, aumento da capacidade operativa, estímulo a inovação, saúde mental e
física, etc. Na área cultural se destaca o desenvolvimento de estudos voltados à
valorização histórica da cidade de Coxim, a construção de monumentos retratando a
participação da cidade na Guerra do Paraguai, o fomento a integração com as
instituições de ensino locais, a criação de um museu militar, etc. No tocante ao
desenvolvimento social estaremos sempre prontos a atender as demandas da sociedade
local, apoiando atividades de distribuição de alimentos, remédios e roupas, continuando
firmes nas campanhas de doação de sangue. Em relação à proteção ambiental
buscaremos parcerias para o desenvolvimento de projetos voltados à preservação do
Pantanal, tendo a sustentabilidade como princípio norteador. Durante meu comando, a
Unidade tem como slogan: “As cores da nossa farda são as cores do Pantanal!”. A
otimização administrativa será fomentada por meio da sensibilização do comércio e
empresas locais sobre a oportunidade de participar da modalidade de licitações públicas.
Tal ação permitirá aumentar o número de contratos e serviços, aquecendo a economia
da cidade. As medidas supracitadas materializam uma parcela da vasta gama de projetos
visualizados durante o meu comando.
5) Qual a sua opinião sobre a nossa cidade? Por acaso o senhor já comeu
cabeça de Pacu?
A posição geográfica de Coxim, as margens da rodovia BR 163 e do rio Taquari
torna a cidade estratégica para o estado do Mato Grosso do Sul. Tal situação motivou o
Exército Brasileiro, na década de 70, a estabelecer o 47º BI em nossa cidade. Assim,
ratifico essa visão e visualizo um futuro promissor para a nossa cidade. Holisticamente,
estou sendo bastante feliz em minha estada na cidade, tendo a oportunidade de conhecer
e conviver com pessoas incríveis que contribuem para facilitar minha ação de comando
no quartel. Em relação ao Pacu, ainda não tive a oportunidade de comer a cabeça, mas
estamos prontos para essa missão.

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