Enquanto Jesus rezava, seu rosto mudou de aparência
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Correio do Pantanal

11 mar 2022 às 16:14 hs
Enquanto Jesus rezava, seu rosto mudou de aparência

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 9,28b-36 – Naquele tempo: 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. 30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte,
que Jesus iria sofrer em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. 33E quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: ‘Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.’ Pedro não sabia o que estava dizendo. 34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo
ao entrarem dentro da nuvem. 35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia:
‘Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!’ 36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto. Palavra da Salvação. Glória a Vós Senhor! 

MENSAGEM – Todos os anos, a liturgia do Segundo Domingo da Quaresma utiliza um dos relatos da “Transfiguração”. Esse episódio é narrado pelos três Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), o que possibilita à liturgia oferecer um texto para cada ano, conforme o ciclo litúrgico (A, B e C), sem necessariamente repetir, uma vez que, mesmo se tratando do mesmo episódio, cada evangelista o narra de maneira própria, considerando suas características literárias, as intenções teológicas e, principalmente, as necessidades de suas respectivas comunidades. Isso faz com que os três relatos se diferenciem entre si. Como diz o texto, “Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago e subiu à montanha para rezar” (v. 28). A escolha desses três discípulos não significa privilégio, mas necessidade; eram os três mais difíceis de lidar e os que mais tinham dificuldade de assimilar os ensinamentos de Jesus. Pedro é sinônimo de dureza e fechamento; é o discípulo que Jesus mais repreende durante todo o seu itinerário. Como ele sempre se antecipa, é o primeiro a responder e o que mais se expõe, também é o primeiro a ser corrigido. João e Tiago, conhecidos como “filhos do trovão” (cf. Mc 3,17), eram os mais fanáticos, ambiciosos (cf. Mc 10,35-45), e de temperamento explosivo; pouco tempo após a transfiguração, João será repreendido ao proibir um homem que não fazia parte do grupo de pregar e expulsar demônios em nome de Jesus (cf. Lc 9,49-50); os dois, João e Tiago, também serão repreendidos no início da viagem ao proporem tocar fogo nos samaritanos que os rejeitaram (cf. Lc 9,51-55). Portanto, Jesus os chama para estarem mais perto de si pela necessidade de cada um e por não desistir do ser humano, apesar das fraquezas e debilidades. A oração revela a verdadeira identidade de Jesus: “Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante” (v. 29). As vestes brancas e brilhantes são características do que é do céu (cf. Lc 24,4; At 10,30), o que pertence a Deus. Com essa imagem, o evangelista revela que Jesus, embora homem, pertence também à esfera divina; Ele reflete a glória do Pai no seu rosto. Não se trata de um milagre; é uma maneira simbólica de dizer que, na oração, o ser humano se comunica claramente com Deus, rompem-se as barreiras entre o humano e o divino. Também não se trata de uma antecipação da glória, como às vezes se diz, mas uma demonstração de que o humano e o divino se encontram e se fundem na oração. Neste ano, a liturgia faz uso do relato de Lucas – 9,28-36. Por sua vez, esse é o mais rico de elementos e detalhes próprios. O Evangelho apresenta a cena conhecida como “Transfiguração de Jesus”, ou seja, momento em que ELE se revela em sua glória, em todo o seu esplendor. É uma forma de animar os seus seguidores, mostrando-lhes que o sofrimento será coroado com a glória e a cruz e transformará em sinal de vitória. O Mestre convoca três discípulos próximos – Pedro, Tiago e João – e os leva ao alto da montanha. Foi grande o privilégio e a alegria desses três apóstolos, tanto que Pedro sugere construir tendas e permanecer nessa visão deslumbrante. Logo em seguida, uma voz revela que Jesus é o Filho amado e escolhido, e que os discípulos precisam escutá-lo”. Escutar o que Jesus diz significa, às vezes, renunciar aos próprios caprichos para seguir a vontade do Pai. Ao longo da vida, presenciamos pequenas transfigurações, momentos de alegria e otimismo, mas também momentos de dúvidas e sofrimentos. Uma certeza nos anima: O Senhor vai acendendo luzes à medida que necessitamos. De maneira ao mesmo tempo misteriosa e maravilhosa, o Senhor dá sinais de que estamos no caminho certo. Para isso, porém, é preciso estar com Jesus, permanecer com Ele, atender o seu convite de subir a montanha para rezar. Ao seu lado recebemos a força para não sucumbir quando virem as noites de solidão. Sem perseverança na oração, as propostas da comunidade tendem a ser superficiais, pois não são geradas da intimidade com Deus, o que o evangelista denuncia com a ideia absurda e ingênua de Pedro: “E, quando estes homens iam se afastando, Pedro disse a Jesus: ‘Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias’. Pedro não sabia o que estava dizendo” (v. 33). Antes de tudo, percebe-se a tentação do comodismo, pois ficar na montanha em oração é praticamente lavar as mãos para os problemas e sofrimentos do mundo, é uma fuga. Deve-se subir à montanha para fortalecer-se para a missão e os desafios que essa implica. Amém

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