Elefantes africanos sob ameaça de extinção

Correio do Pantanal

27 mar 2021 às 16:37 hs
Elefantes africanos sob ameaça de extinção
Elefantes africanos sob ameaça de extinção
Foto: EPA

Ontem às 15:30

Os elefantes africanos encontram-se em risco crescente de extinção devido à caça ilegal de marfim e à perda do seu habitat, aponta o relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) divulgado na quinta-feira.

As últimas avaliações da organização sublinham uma redução de mais de 86% na população de elefantes africanos das florestas nas últimas três décadas e de uma queda de pelo menos 60% nos últimos 50 anos entre os elefantes da savana, de acordo com o documento.

O relatório estima a existência de 415 mil elefantes nas savanas e florestas africanas que foram previamente avaliados como uma única espécie na Lista Vermelha da IUCN e classificados como “vulneráveis”. Contudo, a organização decidiu tratá-los de forma separada após evidência genética de que são espécies distintas.

Os elefantes africanos sofrem quedas acentuadas em número desde 2008 devido a um aumento significativo da caça furtiva para recolher marfim, que atingiu o pico em 2011, mas continua a ameaçar as populações. A conversão contínua de habitats, principalmente para agricultura e outros usos da terra, também representa uma ameaça significativa para o maior animal terrestre do mundo, adverte a avaliação.

“Oitenta a 90% do nosso marfim vai para a Nigéria e acaba por financiar o Boko Haram, por isso esta é mesmo uma guerra transfronteiriça contra o crime organizado e até contra o terrorismo”, afirma Lee White, o ministro da Água e Florestas do Gabão.

No entanto, medidas de conservação das espécies foram tomadas. “Transformámos biólogos em guerreiros, transformámos pessoas que se juntaram para observar os elefantes e trabalhar na natureza, nos parques nacionais, em soldados que foram para a guerra para garantir a sobrevivência dos elefantes”, adiantou o ministro.

Além disso, a República do Congo também implementou medidas e, tal com no Gabão, verificaram-se resultados positivos. Na Área de Conservação Transfronteiriça do Okavango-Zambeze, na África Austral, o número de elefantes da savana também se mostrou estável ou em crescimento, salienta a União Internacional para a Conservação da Natureza.

“Os elefantes africanos desempenham um papel fundamental nos ecossistemas, nas economias e na nossa imaginação coletiva em todo o mundo”, disse o diretor-geral da UICN, Bruno Oberle. “Precisamos de acabar urgentemente com a caça furtiva e garantir que habitat adequado suficiente para os elefantes da floresta e da savana seja conservado. Vários países africanos lideraram o caminho nos últimos anos, provando que podemos reverter o declínio dos elefantes, e devemos trabalhar juntos para garantir que o seu exemplo possa ser seguido”, acrescentou.

A última avaliação da IUCN – a primeira de três atualizações anuais – avaliou 134.425 espécies de plantas, fungos e animais, dos quais mais de um quarto estão em perigo de extinção.

ATENÇÃO: Comente com responsabilidade, os comentários não representam a opnião do Jornal Correio do Pantanal. Comentários ofensivos e que não tenham relação com a notícia, poderão ser retirados sem prévia notificação.

%d blogueiros gostam disto: