Donald Trump regressa à política com eleições de 2024 no horizonte

Correio do Pantanal

27 fev 2021 às 09:44 hs
Donald Trump regressa à política com eleições de 2024 no horizonte

Ex-presidente vai discursar este domingo na CPAC – grande cimeira conservadora – e irá provocar os participantes sobre o seu futuro político.

Donald Trump regressa à política com eleições de 2024 no horizonte
© EPA/MICHAEL REYNOLDS

DN/AFP26 Fevereiro 2021 — 17:35

Donald Trump vai regressar à vida política no domingo, na tentativa de recuperar o controlo de um Partido Republicano que está fora do poder e a ponderar se o agora ex-presidente tem possibilidades de ganhar as eleições presidenciais de 2024.

Depois de perder o Senado e a Casa Branca e sem conseguir retomar a Câmara dos Representantes, normalmente um partido político dos EUA lamberia as suas feridas, descartaria um líder derrotado nas eleições anteriores e traçaria um novo caminho para recuperar o poder.

No entanto, com Trump as coisas são diferentes e todos os olhos estão voltados para o ex-presidente, de 74 anos, quando este discursar na conferência conservadora CPAC e provocar os participantes sobre o seu futuro político.

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O discurso, o primeiro pós-presidencial, acontece no último dia do evento, em Orlando, na Florida, onde lhe é esperada uma receção entusiástica no maior encontro conservador do país.

Será que Trump ainda é o líder incontestável do Partido Republicano, apesar da derrota para Joe Biden nas presidenciais, de ter sido duas vezes alvo de processos de destituição, banido do Twitter e acusado de incitar a invasão ao Capitólio a 6 de janeiro? As opiniões dividem-se, mas uma resposta mais concreta a esta pergunta poderá começar a ser construída este fim de semana.

“O presidente Trump é o líder do Partido Republicano”, declarou esta quarta-feira o congressista Jim Jordan no Twitter.

Uma fonte familiarizada com os planos de Trump disse que o ex-presidente vai “falar sobre o futuro do Partido Republicano” e criticará algumas das novas políticas de Biden, mas que um anúncio de uma candidatura às presidenciais de 2024 poderá não acontecer na CPAC, que arrancou esta sexta-feira.

Com os republicanos agora em minoria nas duas câmaras do Congresso, os oradores da CPAC expressaram as suas queixas, descrevendo os Estados Unidos como estando “sob cerco” da esquerda liberal, com a liberdade de expressão dominada pelos “oligarcas” de Sillicon Valley.

O governador da Florida, Ron DeSantis, sinalizou a crescente influência da ala populista do partido, dizendo no CPAC que não se voltará “aos dias do fracassado estabelecimento republicano de antigamente”.

Parte da multidão estava sem máscara, embora os organizadores tenham implorado às pessoas para que as usassem. “Liberdade!”, gritaram os participantes.

O organizador da CPAC, Matt Schlapp, um ativista pró-Trump, escreveu na quarta-feira no Twitter que o ex-presidente não vai anunciar a sua candidatura no domingo, mas que parecerá entusiasmado com a ideia, o que provavelmente vai congelar eventuais candidaturas republicanas.

Entre os vários aspirantes republicanos à Casa Branca estão o ex-secretário de estado Mike Pompeo, o governador da Dakota do Sul, Kristi Noem, e o senador Josh Hawley, que também vão participar no evento.

Uma sondagem da Quinnipiac em meados de fevereiro mostrou que três quartos dos republicanos querem que Trump desempenhe um papel importante no partido. “Acho que há uma desconexão entre o Partido Republicano de Washington DC e a base do partido ainda está com Trump”, disse à AFP John Feehery, que trabalhou na liderança republicana na Câmara dos Representantes durante 15 anos.

O líder da minoria republicana na Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, disse na quarta-feira que Trump devia anunciar a candidatura na CPAC.

No entanto, para a congressista Liz Cheney, a presidente da conferência republicana que votou pelo impeachment de Trump por causa do motim no Capitólio, afirmou não acreditar que Trump volte a desempenhar um papel no futuro do partido ou do país.

A divisão entre ideias mais populistas e mais moderadas no Partido Republicano relativamente a Trump levou até a uma sugestão de separação. “Se o Partido Republicano continua a ser uma junção dessas duas fações, ou se separa… ou depende de uma série de coisas que ainda não aconteceram”, disse o consultor político republicano Whit Ayres, presidente da North Star Opinion Research, apontando para os eventuais problemas judiciais que Trump poderá enfrentar e que complicarão uma futura corrida à Casa Branca.

O senador do Texas, Ted Cruz, tem mudado várias vezes de opinião sobre Trump e diz que o ex-presidente “não vai a lado nenhum”.

Por outro lado, o senador Lindsey Graham disse que apoiar Trump é crucial para o seu partido voltar ao Congresso nas eleições de meio de mandato do próximo ano e preparar-se para 2024. “Se conseguirmos apoiar o presidente Trump e seguir a sua liderança, venceremos em 2022. Se nos dividirmos, vamos perder”, disse Graham à Fox News.

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