9 dez 2018 às 19:42 hs
“Você não está  morta”. Setenta anos depois, mãe e filha encontram-se

Genevieve achava que a sua bebé recém-nascida tinha morrido. Não: foi adotada por uma família da Califórnia que lhe mentiu sobre as origens. Agora conheceram-se graças a um teste de ADN

Quase 70 anos depois, uma mãe que achava que a sua filha tinha morrido, abraçou-a e as duas choraram no ombro de uma e outra. “Tu não estás morta”, exclamou a mãe, Genevieve Purinton, uma americana de 88 anos, que conheceu no passado dia 3 a filha, Connie Moultroup, hoje com 69 anos.

Segundo conta este domingo o New York Times, foi um teste de ADN que ajudou a reunir esta mãe e esta filha depois de quase 70 anos a viverem separadas por um segredo: depois de dar à luz em 1949, Genevieve achava que a sua bebé recém-nascida havia morrido; a menina tinha sido adotada por uma família no sul da Califórnia que mentiu sobre suas origens.

Tudo começou com um teste de ADN que Moultroup fez. Este teste levou-a a uma prima que, por sua vez, levou Connie à sua mãe biológica. Connie revelou ter ficado “absolutamente chocada”, ao descobrir que a mãe biológica morava em Tampa, na Florida. “Ela estava tão feliz em me conhecer”, disse Connie, que vive em Richmond, Vermont.

Purinton ficou igualmente chocada, achava que a sua bebé tinha morrido. Genevieve contou que estava sozinha quando deu à luz em 12 de maio de 1949, num hospital em Gary, no Indiana, a cerca de 48 quilómetros a sudeste de Chicago.

Ela nunca viu o bebé. “Disseram-me que era uma menina, mas que morreu”, disse, que não respondeu nem pediu para ver um atestado de óbito. “Quem aos 18 anos pensaria em algo assim?”, questiona-se hoje.

Genevieve Purinton disse que não se lembra do nome do hospital onde deu à luz. De acordo com a documentação de adoção obtida pela filha, Connie, ela foi entregue no Hospital St. Mary”s Mercy, um hospital católico em Gary que já não existe.

Os documentos de adoção, que Moultroup recuperou da unidade de adoção e abandono do Tribunal de Menores Edmund D. Edelman, no condado de Los Angeles, comprovam que um médico do hospital facilitou a adoção.

Segundo o jornal americano, entre 1945 e 1973, o ano em que foi legalizado o aborto nos EUA, centenas de milhares de mulheres jovens foram forçadas a abandonar os seus filhos recém-nascidos, relatou Ann Fessler no livro The Girls Who Went Away.

Quando Genevieve e Connie se conheceram pela primeira vez em 3 de dezembro, a ligação “foi quase instantânea”, revelou a filha.

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