27 set 2018 às 10:42 hs
Trump acusa a China de tentar interferir nas eleições dos EUA de novembro. “Eles não querem que ganhemos”

“Nunca interferimos nem vamos interferir com os assuntos internos de qualquer país”, reagiu a China às acusações do presidente norte-americano

“A China tem tentado interferir com as nossas próximas eleições de 2018, em novembro. Contra a minha Administração”. A acusação apanhou todos de surpresa e surgiu esta quarta-feira pela voz do presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque. Uma sessão convocada pelo chefe de Estado norte-americano sobre a não-proliferação de armas de destruição maciça.

Trump afirmou que Pequim não quer que o Partido Republicano tenha sucesso nas eleições intercalares para o Congresso por causa da sua política comercial. “Eles não querem que ganhemos porque eu sou o primeiro presidente a desafiar a China no comércio e estamos a vencer nessa área, estamos a vencer em todos os níveis. Não queremos que eles se intrometam ou interfiram nas próximas eleições”, afirmou, sem revelar evidências que comprovem a acusação que proferiu num discurso em que não mencionou o alegado envolvimento da Rússia nas eleições dos EUA, em 2016.

A China já reagiu, entretanto, à acusação. “Nunca interferimos nem vamos interferir com assuntos internos de qualquer país. Recusamos aceitar quaisquer acusações injustificadas contra a China”, afirmou Wang Yi, ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, durante o Conselho de Segurança da ONU.

Esta não é a primeira vez que Donald Trump faz esta acusação à China. Na passada terça-feira, depois da aprovação de uma nova taxa de 10% a produtos chineses, o chefe de Estado norte-americano acusou Pequim de ingerência nas próximas eleições de novembro.

“A China declarou abertamente que está ativamente a tentar ter impacto e mudar a nossa eleição através de ataques aos nossos agricultores, rancheiros e trabalhadores industriais devido à lealdade deles para comigo”, escreveu Trump no Twitter.

Na reunião desta quarta-feira do Conselho de Segurança da ONU, Trump falou da “atitude cada vez mais agressiva do Irão”, apesar de ter assinado em 2015 um acordo sobre o seu programa nuclear, argumentando que a um país com um histórico assim “nunca se poderá permitir a posse de uma arma nuclear”.

EUA anunciam sanções “mais duras que nunca” ao Irão

“Nos anos que se seguiram à assinatura do acordo, a agressividade do Irão não parou de aumentar”, sustentou Trump para, de alguma forma, justificar a retirada dos Estados Unidos desse acordo, também assinado por Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China.

“Por causa disso, os Estados Unidos vão impor novas sanções, mais duras que nunca, para combater todo o comportamento maldoso do Irão”, indicou Trump, referindo-se a outras sanções além daquelas decididas após a retirada de Washington do acordo nuclear multilateral, que incidem sobre o petróleo e entrarão em vigor em novembro.

“Kim Jong-un, um homem que aprendi a conhecer e apreciar”

Quanto à Coreia do Norte, o Presidente norte-americano apelou para o rigoroso cumprimento das sanções que lhe foram impostas pela ONU até à sua total desnuclearização.

“Eu penso que chegaremos a um acordo [porque] Kim Jong-un, um homem que aprendi a conhecer e apreciar, quer a paz e a prosperidade na Coreia do Norte”, assegurou Trump.

“Para que tais progressos prossigam, devemos aplicar as resoluções do Conselho de Segurança da ONU até que a desnuclearização aconteça”, acrescentou, lamentando que “alguns países estejam já a violar essas sanções da ONU”.

“O massacre levado a cabo pelo regime sírio foi possibilitado pela Rússia e pelo Irão”

O inquilino da Casa Branca acusou ainda a Rússia e o Irão de terem permitido “uma carnificina” na Síria ao apoiarem militarmente o Presidente sírio, Bashar al-Assad, na guerra civil em curso naquele país.

“O massacre levado a cabo pelo regime sírio foi possibilitado pela Rússia e pelo Irão”, salientou Donald Trump.

Na reunião, participaram apenas os 15 membros do Conselho de Segurança, que juntou cinco Presidentes, um vice-presidente, dois primeiros-ministros e sete ministros dos Negócios Estrangeiros, entre os quais o da Rússia e o da China.

Atualizado às 18:30.

ATENÇÃO: Comente com responsabilidade, os comentários não representam a opnião do Jornal Correio do Pantanal. Comentários ofensivos e que não tenham relação com a notícia, poderão ser retirados sem prévia notificação.