31 out 2018 às 11:41 hs
Secretário da Casa Civil do Rio alega que corte de verba na Saúde vai ser no ‘excesso de cobertura’

Por Bom Dia Rio


Secretário Paulo Messina comenta sobre o orçamento na saúde do município do Rio

Secretário Paulo Messina comenta sobre o orçamento na saúde do município do Rio

O secretário municipal da Casa Civil, Paulo Messina, garantiu que os cortes planejados para a saúde no Rio de Janeiro vão ser apenas no “excesso da cobertura” que, segundo ele, não é utilizado pela população. Ele afirmou que nenhum usuário de Clínica da Família vai ter oferta de serviços reduzida.

“Se você utiliza a Clínica da Família, você não vai perder serviço de jeito nenhum. A Prefeitura tem uma cobertura de 70% em potencial, mas só utiliza 50%. A Prefeitura paga por uma cobertura que de fato é muito menor. O que está se cortando não é dentro dos 50% da população que usa, mas sim esse extra, o excesso da cobertura que você paga e as pessoas não usam … e esse dinheiro economizado vai ser redistribuído na saúde”, afirmou.

Messina comentou os cortes de cerca de 1.400 postos de trabalho em entrevista ao Bom Dia Rio, que vão remanejar de R$ 160 milhões. As reduções a serem feitas pela Prefeitura vão atingir equipes de atenção primária e a saúde bucal.

Os cortes são fruto de um estudo da prefeitura que vai priorizar o atendimento na atenção básica em áreas menos desenvolvidas. Para realizar essas reduções, Messina afirmou que precisou ver como trabalhavam as cerca de 1200 equipes, para depois fazer reduções baseadas em critérios de produtividade.

“A cidade, em oito anos do governo anterior, teve 800, 850 equipes de saúde da família. No final de 2016, tem 400 equipes a mais sem previsão orçamentária sem isso ter sido aprovado na câmara. Não tem como, sem deixar elas performarem, saber qual equipe você vai tirar, porque daquelas 400 que foram colocadas, qual delas está dando resultado? qual delas a população está precisando?”, explicou o secretário.

Atendimento negado

No entanto, moradores da cidade denunciaram a falta de atendimento ou mesmo uma recusa por parte dos funcionários da saúde municipal, com exceção de grávidas e pacientes gravíssimos. Para Messina, essa situação é fruto de um mal relacionamento entre a Prefeitura e as Organizações Sociais, que administram essas unidades de saúde municipais.

“Se vocês começarem a receber dispensa, isso é uma reação da OSs e ou funcionários sundicalizados. Denunciem para a prefeitura através da ouvidoria do 1746. A OS que fizer isso será descredenciada e o funcionário que fizer isso sem autorização será demitido”, sentenciou.

Questionado com relação às posibilidades de remanejar outras parcelas do dinheiro público municipal para sanar o problema com a saúde. Messina insistiu que a população não será prejudicada, mas que haverá um remanejamento e que os problemas no orçamento podem ser resolvidos com gestão eficiente.

“O orçamento da Prefeitura ou de qualquer ente público tem algumas verbas que são carimbadas. Nesses R$ 3,5 que sobram do orçamento ‘livre’ da prefeitura do ano, 70% dele é da saúde e já tá absolutamente priorizado. Se você começar a tirar mais de mais algum lugar, vai começar a fechar abrigo de idosos, botar idosos na rua … A questão não é botar mais dinheiro, a questão é gerir com respeito”.

Salários atrasados

Funcionários da saúde do município protestam contra a redução dos custos — Foto: Yasmim Restum/G1
Funcionários da saúde do município protestam contra a redução dos custos — Foto: Yasmim Restum/G1

As 239 equipes que o município vai eliminar são provenientes da Saúde da Família, além de 55 da saúde bucal. Diante dos avisos de demissão que já começaram a chegar para os trabalhadores, funcionários e prestadores de serviço da saúde municipal fizeram manifestações.

Na manhã desta terça-feira (30), eles ocuparam as escadarias da Câmara de Vereadores, em protesto contra a redução de serviços na saúde pública, contra as demissões e contra atrasos nos salários.

Na segunda-feira (22), funcionários de hospitais municipais, UPAs, CERs e clínicas da família foram para as ruas protestar contra o atraso do pagamento dos salários. Funcionários das Organizações Sociais que administram essas unidades fecharam uma pista da avenida Brasil, em Realengo.

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