20 nov 2018 às 17:48 hs
Posto de Saúde de Coxim pode ficar sem médicos com retorno de cubanos
Sheila Forato

Foto: Sheila Forato

A decisão do governo cubano de não renovar o Mais Médicos, após declarações feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), esta deixando alguns municípios brasileiros numa situação complicada. Coxim é uma dessas cidades.

O município tem cinco médicos cubanos trabalhando em Postos de Saúde da Família. Em pelo menos um desses, o PSF Santa Maria, o atendimento é 100% feito por cubanos. Os outros três estão nos postos do Flávio Garcia, Jorge Ritt, Marechal Rondon e Totó Araújo.

Segundo o secretário de Saúde, Franciel Oliveira, o maior problema é que os municípios pequenos não tem condições de arcar com o custo de substituir um médico cubano por um brasileiro. “Coxim paga R$ 3.155 para um cubano contra R$ 18 mil para um brasileiro. Numa conta rápida, estamos falando de quase R$ 75 mil ao mês”, calculou o secretário.

Nesta segunda-feira (19), o secretário se reuniu com os médicos, que estão apreensivos e não querem voltar a Cuba antes do fim dos respectivos contratos. Os profissionais ainda não tem muita informação, apenas acompanham pela imprensa a polêmica em torno do assunto e aguardam uma solução.

“Nossos médicos são capacitados, já criaram vínculo com a comunidade que trabalham e não querem deixar Coxim. Esperamos que os governos brasileiro e cubano entrem num acordo para que o programa seja mantido. O povo, principalmente mais carente, agradece”, ponderou Franciel Oliveira.

De acordo com o secretário, a situação está confusa, os municípios não estão recebendo, por enquanto, orientações oficiais por parte do Ministério da Saúde. “O que temos de fazer é aguardar. Já me reuni com o prefeito [Aluizio São José – PSB] e o pedido é que não deixemos a população sem atendimento”, antecipou Franciel.

SUBSTITUIÇÃO – Em meio a essa polêmica, o Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União desta terça-feira (20) edital para contratação de 115 profissionais por meio do programa Mais Médicos. Esses profissionais serão distribuídos em 46 cidades do interior para substituir os cubanos que deixarem o Brasil.

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