30 nov 2018 às 10:35 hs
PIB do Brasil cresce 0,8% no 3º trimestre

Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1


Consumo compras em supermercado em São Paulo  — Foto: Paulo Whitaker/Reuters
Consumo compras em supermercado em São Paulo — Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,8% no 3º trimestre de 2018, na comparação com os três meses anteriores, divulgou nesta sexta-feira (30) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao 3º trimestre de 2017, a alta foi de 1,3%.

Trata-se do melhor resultado trimestral no ano até o momento. Embora a economia tenha mostrado uma aceleração entre os meses de julho e setembro, a melhora se deve principalmente à fraca base de comparação com o trimestre anterior – cujo resultado foi fortemente afetado pela greve dos caminhoneiros no final de maio.

Segundo Rebeca Palis, gerente da pesquisa, com este resultado, apesar da melhora, o PIB ainda se encontra no mesmo patamar do primeiro semestre de 2012.

Variação do PIB trimestre contra trimestre anterior — Foto: Karina Almeida/G1
Variação do PIB trimestre contra trimestre anterior — Foto: Karina Almeida/G1

Veja os principais destaques do PIB:

  • Serviços: 0,5% – melhor resultado desde o 2º tri de 2017
  • Indústria: 0,4% – primeiro resultado positivo do ano
  • Agropecuária: 0,7%
  • Consumo das famílias: 0,6% – melhor resultado desde o 3º tri de 2017
  • Consumo do governo: 0,3% – 1ª alta após duas quedas seguidas
  • Investimentos: 6,6% – melhor resultado desde o 4º trimestre de 2009
  • Construção civil: 0,7%

O avanço no 3º trimestre também está ligado a motivos extraordinários como mudanças no regime de tributação no setor de óleo e gás (Repetro), que impulsionou a contabilização da importação de plataformas de petróleo como estoque de capital e influenciou significativamente para a alta dos investimentos.

O resultado incorporou também os dados revisados das contas nacionais dos últimos dois anos. No início do mês, o IBGE divulgou que a retração da economia em 2016 foi menor, de 3,3%, ante 3,5% divulgado anteriormente.

Com as revisões, crescimento do PIB em 2017 foi revisado de alta de 1% para avanço de 1,1%.

Variação do PIB trimestre contra trimestre pela ótica da oferta — Foto: Juliane Souza/G1
Variação do PIB trimestre contra trimestre pela ótica da oferta — Foto: Juliane Souza/G1

No acumulado em 12 meses, o PIB cresceu 1,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Já no acumulado em 2018, o PIB cresceu 1,1%, em relação a igual período de 2017. Em valores correntes, o PIB no 3º trimestre alcançou R$ 1,716 trilhão.

O resultado do PIB veio dentro do esperado. A expectativa da maioria dos analistas era de uma alta entre 0,7% e 0,8% na comparação com o 2º trimestre, segundo levantamento do G1.

O que o PIB tem a ver com o nosso dia a dia?
O que o PIB tem a ver com o nosso dia a dia?

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2017, o PIB teve uma alta de 1,1%, após dois anos consecutivos de retração. No 1º trimestre, a alta do PIB foi de 0,2% (segundo revisão feita nesta sexta pelo IBGE), e no 2º trimestre, também de 0,2%.

Para 2018, a média do mercado prevê que a economia brasileira irá crescer 1,39% no consolidado no ano, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, em linha com o esperado pelo governo (1,4%). Para o ano que vem, a expectativa para a expansão do PIB segue inalterada em 2,5%.

Variação do PIB trimestre contra trimestre pela ótica da demanda — Foto: Karina Almeida/G1
Variação do PIB trimestre contra trimestre pela ótica da demanda — Foto: Karina Almeida/G1

Investimentos e consumo

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida do que se investe no país em máquinas, equipamentos e pesquisa, disparou 6,6% na comparação com o 2º trimestre, o melhor resultado desde o 4º trimestre de 2009, quando havia registrado crescimento de 7,1%.

A alta dos investimentos, entretanto, foi pontual, impulsionada pelo impacto da contabilização de plataformas de petróleo que já deveriam ter sido computadas no PIB há anos. “Não se trata de investimento novo. Essas plataformas já deveriam ter sido computadas no PIB há anos, quando foram produzidas, exportadas de maneira fictícia e mantidas em território nacional como prestação de serviços”, explicou ao G1 a economista Silvia Matos, do Ibre/FGV.

Já o consumo das famílias manteve trajetória de recuperação, com alta de 0,6%, o melhor resultado desde o 3º trimestre de 2017. O consumo das famílias continua sendo o principal motor da recuperação da economia, sustentado pela expansão da massa salarial em meio à queda da taxa de desemprego, ainda que em ritmo lento e puxada pelo aumento da informalidade.

“Mesmo você tendo um investimento acima da taxa de consumo das famílias, ele tem peso três vezes superior. O consumo das famílias pesa mais de 60% na composição do PIB, enquanto o investimento pesa menos de 20%”, explicou Rebeca Palis.

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