20 nov 2018 às 17:18 hs
Marcelo Piloto ficará isolado por 20 dias; banho de sol também será na cela

Por Fabiula Wurmeister, G1 PR


Depois de chegar à Penitenciária Federal de Catanduvas, Marcelo Piloto foi identificado, teve o cabelo e a barba raspados, recebeu o uniforme e os produtos de higiene pessoal — Foto: Arquivo Pessoal
Depois de chegar à Penitenciária Federal de Catanduvas, Marcelo Piloto foi identificado, teve o cabelo e a barba raspados, recebeu o uniforme e os produtos de higiene pessoal — Foto: Arquivo Pessoal

O traficante Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, ficará isolado por 20 dias na Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná, onde está preso desde segunda-feira (19), depois de ser expulso do Paraguai.

Segundo o setor de segurança da unidade, em seguida ele foi identificado, teve o cabelo e a barba raspados, recebeu o uniforme e os produtos de higiene pessoal. O primeiro dia, completou, ocorreu “sem peculiaridade”.

De acordo com as normas do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), durante o isolamento Marcelo Piloto poderá receber apenas a visita de advogados.

Até a tarde desta terça-feira (20), no entanto, ele não havia recebido a visita de nenhum advogado – que precisa ser agendada.

Ainda durante o chamado período de inclusão, o banho de sol de duas horas por dia é feito isoladamente, em um espaço anexo à cela individual de 7 metros quadrados. As quatro refeições diárias também são feitas na cela.

Após os 20 dias, e com base nas informações colhidas durante entrevistas com o preso, a direção decide para que ala do presídio ele será encaminhado, podendo conviver com até 13 detentos.

A divisão é feita com base, entre outros, na periculosidade e à facção criminosa a que pertence.

A Penitenciária de Catanduvas tem capacidade para 208 presos. Por medida de segurança, a unidade não informou o número de detentos que abriga atualmente.

Marcelo Piloto foi entregue à polícia brasileira no aeroporto que fica do lado paraguaio da Usina de Itaipu e em seguida foi levado para a delegacia da PF em Foz do Iguaçu — Foto: Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai/Divulgação
Marcelo Piloto foi entregue à polícia brasileira no aeroporto que fica do lado paraguaio da Usina de Itaipu e em seguida foi levado para a delegacia da PF em Foz do Iguaçu — Foto: Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai/Divulgação

Expulsão

Marcelo Piloto foi levado ao presídio de segurança máxima por determinação do juiz Rafael Estrela Nóbrega, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, depois de ser expulso do Paraguai, onde estava preso desde dezembro de 2017.

A expulsão foi ordenada pelo presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, após o brasileiro matar uma jovem de 18 anos no sábado (17). Segundo o Ministério Público paraguaio, Lidia Meza Burgos, que o visitava pela segunda vez, foi morta na cela com 16 facadas.

O objetivo, apontou o promotor Hugo Volpe, era responder pelo crime no país vizinho e evitar a extradição para o Brasil autorizada no fim de outubro e que teve o recurso apresentado pela defesa de Piloto julgado pela Suprema Corte ainda na segunda-feira, após ser expulso.

Até então, a extradição dependia da conclusão de dois processos a que Marcelo Piloto respondia no Paraguai: um por homicídio e outro por produção de documentos falsos e violação da Lei de Armas.

Ainda conforme o MP paraguaio, os processos contra o brasileiro, incluindo a suspeita pelo assassinato da jovem, podem ser transferidos para a Justiça brasileira.

No Brasil, ele deve cumprir 15 anos restantes da pena de 26 anos e quatro meses a que foi condenado por latrocínio e roubo. Piloto responde ainda por homicídio, tráfico e associação para o tráfico de drogas.

Marcelo Piloto

Marcelo Fernando Pinheiro Veiga é apontado pelas polícias dos dois países como o maior fornecedor de armas e drogas para o Brasil desde a prisão de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Piloto foi preso em dezembro de 2017 em Encarnación, no Paraguai.

Foragido desde 2007, ele vivia no país vizinho desde 2012. Para não ser identificado, usava uma identidade falsa e mudava de endereço a cada seis meses. Aos vizinhos, se apresentava como vendedor de eletrônicos.

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