21 mar 2019 às 11:38 hs
Fim de tratamento especial na OMC deve envolver outros países, diz diretor-geral

Por Tais Laporta, G1


Roberto Azevedo, diretor geral da OMC, em evento em São Paulo nesta quinta-feira (21) — Foto: Tais Laporta/G1
Roberto Azevedo, diretor geral da OMC, em evento em São Paulo nesta quinta-feira (21) — Foto: Tais Laporta/G1

O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Roberto Azevedo, afirmou nesta quinta-feira (21) que o Tratamento Especial Diferenciado (TED) dado a países como o Brasil pelo órgão é apenas o início de uma discussão que deve envolver os Estados Unidos e outros países.

Azevedo disse preferir não comentar o que foi decidido entre os dois países. “Eu mesmo tenho dúvidas sobre o que foi negociado agora”, afirmou durante evento da International Chamber of Commerce (ICC) em São Paulo.

Sobre a entrada do Brasil na OCDE, Azevedo declarou que considera o ingresso importante e que o país passaria a fazer parte da “gestação embrionária” de debates internacionais que são levados posteriormente para outros foros, como a OMC.

“Sempre achei que o Brasil deveria se aproximar mais”, afirmou. “Ele teria a possibilidade de dar os contornos da agenda mundial lá dentro”.

Condições melhores

Azevedo comentou que o TED foi criado na década de 1990 para fazer com que as nações menos desenvolvidas aceitassem o que foi negociado, dando a elas condições menos desvantajosa.

“Hoje a coisa mudou, tem países importantes como Coreia do Sul, México, e os EUA dizem que não dá mais para negociar com eles e existindo este tratamento especial”, disse.

O diretor-geral da OMC afirmou que, em sua leitura, o Brasil não está abrindo mão do status de país em desenvolvimento. “Ele está abrindo mão de usar alguns espaços nessa área, mas é uma pergunta que deve ser feita para o governo brasileiro”, disse a jornalistas.

O status diferenciado da OMC dá aos países mais pobres alguns benefícios, como o direito a prazos mais longos nas disputas e condições especiais para fechar acordos de livre-comércio.

Cerca de 40 nações, dos 164 membros, possuem este status. Países como os EUA se opõem a esta tratamento.

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